Arquivo para Agosto, 2008

Dá-lhe Verdão

Postado em Arena Paletra, Deu na Mídia, Palmeiras, futebol em 30/08/2008 por Ju

A Arena foi aprovada por ampla maioria do voto. Claro. Quem não ia querer um estádio desses? Só alguém com muita dor de cotovelo por não ser seu gruipelho a realizar a façanha. Em breve nada mais de chuva enquanto assisto meu Palestra jogar e nem griupe (peguei uma na última vez que fui no jogo).

Para não falarem que foi por pouco e tal, muito mais que 80% dos sócios votaram pela Arena.
Agora o cronograma para isso acontecer é:

Cronograma
1/9/2008 – Início das obras para a construção da Arena Palestra Itália.
20/9/2008 – Lançamento da pedra fundamental do projeto. A data é em comemoração ao dia da Arrancada Heróica de 1942.
1/2/2009 – Entrega do Edifício Poliesportivo e início da construção do Edifício Social. É o fim da primeira parte das obras.
2/2/2009 – Início das obras na Arena. Após mexer em outras partes do clube, a Wtorre começa as obras no Palestra Itália.
31/5/2009 – Interdição do Palestra Itália até o fim das obras. O Verdão vai ter de mandar as suas partidas em um outro estádio.
1/8/2010 – Entrega do Edifício Social. A instalação vai ser usada pela área comercial e administrativa e também pela diretoria do clube.
15/12/2010 – Entrega da Arena.

Segue a notícia na íntegra, como saiu no UOL:

Sócios do Palmeiras aprovam construção de Arena

Depois de muita disputa de bastidores e brigas entre situação e oposição, a atual diretoria do Palmeiras conseguiu aprovar um dos principais projetos desse atual mandato. Em eleição acontecida na sede do clube neste sábado, foi aprovada a construção da Arena multiuso no local onde atualmente fica o estádio Palestra Itália.

Duas votações foram feitas nesse dia. Na primeira, foi aprovada a alteração do atual estatuto, liberando a construção do novo estádio palmeirense. A segunda era a mais polêmica, onde era questionada a proposta de concessão do local por 30 anos para a empresa responsável pela construção da moderna arena.

Como já era previsto, ambas as propostas foram aprovadas com ampla maioria dos sócios. “Mesmo com muito frio, os palmeirenses vieram até aqui para dar o seu ’sim’ para o nosso clube virar uma potência no futebol. Teremos uma Arena multiuso em um ponto privilegiado da cidade”, afirmou o presidente do Palmeiras, Affonso Della Monica, em entrevista à ‘Rádio Globo’.

Na votação para a mudança do estatuto, dos 2056 sócios que votaram nessa parte do pleito, apenas 362 foram contra a proposta apresentada, ou seja, cerca de 85% dos votantes aceitaram o projeto. Já na parte sobre a cessão do novo Palestra Itália, 1958 foram favoráveis, enquanto apenas 461 sócios discordaram da idéia.

O atual mandatário também minimizou os atritos com a oposição, que discordava principalmente com a cessão do local por tanto tempo para a empreiteira que fará a obra. “Mostramos com essa votação que a situação está certa, que o clube está no caminho certo, mas isso será bom para os dois lados”, completou.

Depois dessa votação, as obras no local já começam nesta segunda-feira, inicialmente pela parte social. A WTorre, empreiteira que vai comandar a obra e a nova arena, deve investir cerca de R$ 300 milhões na obra, sendo R$ 250 mi para a construção da Arena e o restante no social do clube.

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Sobre isso leia também: Cada uma viu…

As Eleições Americanas e sua relação com o Movimento Pró-Vida

Postado em Aborto, EUA, Política, eleições, família em 30/08/2008 por Ju

Creio que todos aqui estão inteirados ou ao menos acompanham de longe a questão das eleições para presidente nos EUA. Em tese, todos seriam a mesma porcaria, já que Obama e McCain estão longe de serem pró-vida. Mas ainda há uma diferença aí. E ela é gigante como vocês verão.

A Lenise recebeu em uma lista próvida a seguinte informação: O candidato presidencial democrata Barack Hussein Obama, pretende fazer do aborto irrestrito a maior prioridade do seu governo se ganhar a eleição, denunciou a entidade provida Focus on the Family.

A proposta de Obama foi feita em mensagem de votos à famigerada Planned Parenthood. Acresce que falando para ativistas do aborto Obama disse: “a primeira coisa que farei como presidente é assinar o ‘Freedom of Choice Act’”, projeto do próprio Obama e 18 senadores que visa aniquilar toda lei estadual que limite a massacre dos inocentes, informou o site LifeSiteNews.

E como finalizou a Lenise sabiamente, “À luz disto compreende-se bem a torcida da midia brasileira em favor de Obama.”

E tem mais lenha aí nessa fogueira. Quando saíram os vices, eles também foram reveladores. O vice de Obama é um “católico” a favor do aborto! E a vice de McCain é uma mulher evangélica, pró-vida, tem um dos seus 5 filhos com Síndrome de Down, que soube no quarto mês de gestação, outro de seus filhos está no Iraque e ela é contra o casamento gay. Ainda que McCain não seja um republicano típico pois é considerado liberal lá. E que isso lá “nada tem a ver com o tal liberalismo econômico; é quase sinônimo de “esquerda” nessa área do comportamento” (Reinaldo Azevedo em seu post sobre o assunto).

Mas não é só isso ainda. Tem mais! Segundo fontes idôneas, o vice de Obama teria sido reprendido severamente no passado pelo então Cardeal Ratzinger (o Papa Bento XVI hoje) e teria sido por ele proibido de receber a santa comunhão (algo nada mais lógico dada a sua posição abortista).

Ou seja, não é tudo tão bonitinho como a mídia aqui quer pintar.

A verdadeira intenção do McDonalds

Postado em boicote, família, homossexualismo em 29/08/2008 por Ju

Tim Waggoner

WASHINGTON, EUA (LifeSiteNews.com) — O presidente e fundador da Associação Americana da Família, Donald Wildmon, pede prosseguimento do boicote às lanchonetes McDonald’s depois que o gigante dos lanches rápidos anunciou que aumentaria seu apoio ao movimento homossexual financiando a parada do orgulho gay.

“O McDonald’s diz que ‘está firme e apóia nosso povo que vive e trabalha numa sociedade livre de discriminação e importunação’. Mas eis o que o McDonald’s não dirá para você: O McDonald’s ajudou a patrocinar a Parada do Orgulho Gay de San Francisco”, disse Wildmon.

O McDonald’s expressou seu apoio à parada gay por meio de um comercial de televisão, no qual um representante da empresa disse, em meio a uma seqüência de cenas filmadas da parada, “o McDonald’s tem orgulho de nossa força de trabalho variada e do fato de que [o grupo homossexual] Campanha pelos Direitos Humanos reconheceu o McDonald’s como uma empresa que demonstra ativamente seu compromisso para com gays e lésbicas”.

A Associação Americana da Família (AAF) anteriormente pediu que o McDonald’s permanecesse neutro nas guerras culturais depois que a empresa pagou 20 mil dólares para se tornar oficialmente “parceira empresarial e aliada organizacional” da Câmara Nacional do Comércio Gay e Lésbico e para garantir um lugar na diretoria do grupo. A CNCGL faz pressões políticas contra leis que protegem o casamento como sendo entre um homem e uma mulher.

“A empresa recusou, declarando que continuará a apoiar a agenda gay, inclusive o ‘casamento’ homossexual. A AAF pede um boicote às lanchonetes McDonald’s”, explicou Wildmon.

Wildmon assegurou aos líderes pró-família: “Esse boicote não envolve oposição ao direito de empregar funcionários homossexuais nem no modo como eles são tratados. Envolve a escolha do McDonald’s de investir seus recursos para promover a agenda homossexual”.

Numa entrevista ao jornal Washington Post, Bill Whitman, porta-voz do McDonald’s, declarou que aqueles (até mesmo cristãos) que se opõem ao casamento homossexual são motivados por ódio, dizendo: “O ódio não tem lugar na nossa cultura”.

Matt Barber, que é diretor de assuntos culturais do Liberty Counsel e co-reitor da Faculdade de Direito da Universidade Liberdade, disse que os comentários de Whitman dizem ao público: “Se por acaso você apóia a definição histórica acerca do casamento — que é, e sempre foi, homem e mulher — então você é um… provocador de ódio e inimizade”.

Barber disse que a idéia que o McDonald’s tem de inclusão só inclui os que pensam a favor do homossexualismo, referindo-se à Lei de Não Discriminação no Emprego, sob a qual “donos de empresas cristãos e outros com valores tradicionais seriam forçados — sob penas legais — a abandonar convicções religiosas e adotar a própria perspectiva secular, humanista e relativista moral do McDonald’s do que é certo e errado. Em muitos casos, os donos de empresas seriam perseguidos, mesmo que sua empresa em questão fosse expressamente religiosa”.

“Essa lei joga o governo diretamente contra a livre expressão religiosa e, por esse motivo, é inconstitucional de cara”, ele acrescentou.

Barber também disse que as estatísticas têm provado que a decisão do McDonald’s de apoiar a agenda homossexual é apenas “negócio sujo”.

“O McDonald’s está agora publicamente apoiando o ‘casamento’ homossexual, que é um casamento falsificado, apesar do fato de que, de acordo com uma pesquisa de opinião pública feita em março de 2007 pela TV CBS e pelo jornal New York Times, só 28 por cento dos americanos crêem que pares homossexuais devem ter permissão de se casar legalmente”.

“O casamento é o alicerce fundamental de qualquer sociedade saudável. Se alguém introduz dinheiro falsificado no mercado, o dólar é desvalorizado. Se alguém introduz o casamento falsificado na sociedade, o casamento verdadeiro é desvalorizado e a sociedade é prejudicada”, declarou Barber. “Contudo, o McDonald’s está jogando todo o seu peso, marca comercial e reputação para promover o ‘casamento gay’ nos EUA”.

A AAF pede que todos assinem sua petição online de boicote ao McDonald’s aqui.

Fonte: Blog do Júlio Severo

Cada uma viu….

Postado em Arena Paletra, Palmeiras, futebol em 29/08/2008 por Ju

Essa blogueira gosta de esportes: sou karateca, daí que estou recuperando de uma cirurgia no LCA (ligamento cruzado anterior) por um movimento errado ao treinar. E sou palmeirense e amo futebol. Não sou fanática, afinal ele não pagam minhas contas, né? Mas acompanho com interesse e de vez em quando vou assistir a uma partida no estádio. Pois bem. Todos devem ter lido (quem acompanha esporte, claro!) da nova Arena que o Palmeiras está a 1 dedinho de construir e sair do papel.

O cômico aí é que a oposição à atual diretoria (encabeçada por ninguém menos que o mala do Mustafá que nada fez pelo Paletra!) resolveu tentar melar a Arena e entrou com liminares. Pra quem passou anos prometendo e vê pessoas que não são do seu grupelho fazer algo pelo clube em pouco tempo, deve ser russo, já que eles não levarão o bônus, mas só o ônus que tem de nunca ter feito nada e ter deixado o Palestra em uma situação caótica. O Sr. Mustafá era tão “amado” pela torcida que era comum ver isso pichado nos muros: “Fora Mustafá”, “Fora ditador”, etc, em alusão à sua adminitração

E por outro lado, eles querem, diante de tudo isso obstar o Palmeiras de dar um dos mais importantes passos da sua história, passando a ser um do mais modernos estádio do Brasil! Como disse o blog Mondo Palmeiras, “O Palmeiras terá, assim, o estádio mais moderno da América do Sul, um provável palco de jogos da Copa do Mundo 2014. Terá suas contas multiplicadas por vários dígitos, com uma arena digna de Primeiro Mundo. Contará com receitas inimagináveis atualmente, um exemplo a ser seguido por todos os outros clubes brasileiros. Será, sem medo de soar arrogante, o principal clube da América do Sul nas próximas décadas.”. E é verdade!

Se, acaso (o que eu duvido, pois não conheço viva alma além desses malas que queira acabar com essa linda Arena) eles ganharem na votação, tudo iso irá para o nosso maior rival. Mas tenho certeza que eles serão derrotados na votação de amanhã, tal como foram derrotados na Justiça, que indeferiu uma liminar aburda deles!

E aí, em dezembro de 2010 poderemos ver essa maravilha pronta:

Descobrindo coisas boas

Postado em Opus Dei, Pessoal, amigos, peregrinação em 29/08/2008 por Ju

Tenho tido gratas surpresas. Eu conheci de perto pessoas a quem só conhecia pela net. Em especial a Chris. Vi que seremos graaandeeesss amigas!! Semana retrasada fui a um recolhimento com ela no Opus Dei. Fantástico. Conheci pessoas muito legais lá, vi um meio de formação extraordinário na minha mão e mais: não é nada do que pintam. Vi pessoas como eu, se esforçando por viver em santidade. E mais ainda: tenho lido sobre a Obra e estou contente com o que tenho descoberto.

Outra coisa muito legal: eu e a Chris nos encontramos hoje, à parte de encontros na igreja e fomos papear de tudo um pouco.

Aí estamos nós na porta da Cultura, no Conjunto Nacional. Em um ponto lindo da nossa sampa! Ficamos mais de 2 horas papeando, trocando figurinhas e tal.

Outra coisa legal: em breve minha viagem sairá do papel!! Yes!! Falta um mês e pouco, no fim de outubro lá vou eu para os lugares mais lindos ligados ao Carmelo e a lindos santuários marianos, uhuuu!!!

Eu estou quase zerada do meu joelho. Acho que em um mês, ou um mês e meio poderei começar de leve a voltar aos treinos, que bom!

Bom, amanhã eu irei de novo em uma atividade no centro e dessa vez, com certeza será mais legal. Mas amanhã eu conto.

O ABORTO E A TEOLOGIA ACHADA NA SARJETA

Postado em Aborto, Católicas Pelo Direito de Decidir, Pró-Vida em 27/08/2008 por Ju
Farei minhas, ipsis literis, as palavras de Reinaldo Azevedo em seu blog:

Abaixo, no post das 4h55, há a notícia de que Marco Aurélio de Mello, ministro do Supremo, promoveu a primeira audiência pública sobre o aborto de fetos anencéfalos. Já apanhei bastante, inclusive de fãs do blog, por causa da minha opinião a respeito. É do jogo. Tenho leitores altivos, donos do seu nariz. Nem sempre seguem “o mestre”, como me chamam em tom irônico os adversários do blog — para me esculhambar, claro. Fosse eu outro, iria perscrutando as opiniões da maioria para, então, liderá-la. Sou quem sou. Se tiver de ficar sozinho, lá vou eu para o deserto. Mas, claro, há muitos que concordam comigo. E, desta feita, não vou nem entrar no mérito da questão.

Fiquei, com efeito, encantado com alguns representantes ditos “religiosos” na audiência pública. Dois, em particular, ofendem a inteligência, havendo uma, de pessoas favoráveis ou contrárias ao aborto de anencéfalos. No caso, falaram a favor.

Comecemos pelas tais “Católicas pelo Direito de Decidir”. Estarem estas senhoras representadas numa audiência pública é um ofensa à lógica e à religião. Ofende a lógica porque elas são militantes pró-aborto sem qualquer locução adjetiva. As ditas católicas não são favoráveis ao aborto de anéncéfalos apenas. Não! Elas são favoráveis ao aborto, qualquer um. De fetos com cérebro também. Para elas, um miolinho a mais, um a menos, tanto faz. Que lógica explica o convite? Não falam em nome dos católicos. Falam em nome de sua entidade.

Mas ofendem também a religião. Como podem se dizer católicas se renegam um princípio básico da religião? Quem as reconhece nessa condição? A ser assim, vamos fundar o “Islamismo pelo Direito de Decidir”. Ou o “Judaísmo pelo Direito de Decidir”. Ou o “Hinduísmo pelo Direito de Decidir”. Basta que a gente se diga pertencente a tal religião, e teremos, então, o status de uma dissidência. Mas “decidir” o quê? Ah, sei lá: no caso do hinduísmo, por exemplo, poderia ser “Pelo Direito de Decidir Consumir Carne de Vaca”. E militaríamos pelo direito de comer carne de porco em todas elas…

Ora, falta a essas senhores um mínimo, pequenino mesmo, senso de decoro. Por que não criam a sua ONG pró-aborto, tenha ela o nome que tiver, e não param de usurpar o nome do catolicismo para defender uma prática renegada por essa Igreja? Aliás, já passou da hora de a hierarquia católica brasileira declarar a excomunhão dessas senhoras — porque se auto-excomungaram. É um procedimento da religião que elas abraçaram. Ou sigam os preceitos ou caia fora. Felizmente, existe o direito de decidir não ser católico.

Igreja Universal do Reino de Deus
Quanto a Igreja Universal do Reino de Deus, dizer o quê? Vejam o trecho que cita o pastor para dizer que a Bíblia admite o aborto: “Se o homem gerar cem filhos, e viver muitos anos, e os dias dos seus anos forem muitos, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é melhor do que ele”.

Trata-se de uma referência estúpida, bucéfala, ignorante, rasteira ao Eclesiastes (6,3). É o que dá ouvir, na condição de “religião”, uma teologia mais jovem do que o uísque que eu bebo. Afirmar que há, no trecho, endosso ao aborto é pura delinqüência teológica e bíblica. O aborto é empregado apenas como um extremo da fealdade. Não há endosso. É o exato oposto. E de onde o pastor tirou essa pérola de interpretação? Das iluminações de autoproclamado “bispo” Edir Macedo, dono da seita.

Reproduzo, abaixo, trecho de um post que escrevi sobre este senhor no dia 13 de outubro de 2007:
*
Há uma entrevista na Folha com Edir Macedo (…). Quem assina o texto é Daniel Castro, e quem responde pode ser uma “legião”, já que foi feita por e-mail e intermediada pela cúpula, digamos assim, religiosa da seita. Há alguns dias, postei aqui um texto dizendo que o petismo é a Universal da política, e a Universal, o petismo da religião. Quem me dá razão é Macedo. Leiam uma pergunta e uma resposta:

FOLHA – Alguns políticos então da base da Igreja Universal, como o bispo Rodrigues, foram atingidos em cheio pelos escândalos do primeiro mandato de Lula. A corrupção não é um pecado imperdoável?
MACEDO – Jesus ensina que o único pecado imperdoável é a blasfêmia contra o Espírito Santo. Para os demais, há perdão se houver arrependimento.

É a “igreja” de que o PT precisa. Se Deus censura a safadeza, os petistas podem ficar tranqüilos: o “deus” de Macedo perdoa. A sua “teologia” é bastante elástica pra isso. Tão elástica, que ele encontra uma justificativa teológica para o aborto. Se havia desconfianças sobre a filiação da tal Universal ao cristianismo, não há mais. Leiam:

“Sou favorável à descriminalização do aborto por muitas razões. Porém, aí vão algumas das mais importantes:
1) Muitas mulheres têm perdido a vida em clínicas de fundo de quintal. Se o aborto fosse legalizado, elas não correriam risco de morte;
2) O que é menos doloroso: aborto ou ter crianças vivendo como camundongos nos lixões de nossas cidades, sem infância, sem saúde, sem escola, sem alimentação e sem qualquer perspectiva de um futuro melhor? E o que dizer das comissionadas pelos traficantes de drogas?
3) A quem interessa uma multidão de crianças sem pais, sem amor e sem ninguém?
4) O que os que são contra o aborto têm feito pelas crianças abandonadas?
5) Por que a resistência ao planejamento familiar? Acredito, sim, que o aborto diminuiria em muito a violência no Brasil, haja vista não haver uma política séria voltada para a criançada.”

Trata-se de uma formidável coleção de asneiras, talvez ditadas pelo diabo. Se Macedo acredita até mesmo na remissão do corrupto, por que não na das crianças que vivem nos lixões? Se opta pelo aborto como saída menos dolorosa, por que não por outras práticas igualmente homicidas que trariam mais controle social? A Igreja Católica é contra o aborto e conta com milhares de entidades espalhadas mundo afora para cuidar de crianças abandonadas. E o que Macedo tem feito? Se o aborto diminuiria em muito a violência no Brasil, há de se supor que diminuiria também em muito o número de seus fiéis, não é mesmo?, já que é evidente que boa parte da força de sua “igreja” se concentra entre os miseráveis. Existe também lixão religioso no mundo.

Santo Edir Macedo! Seu “deus” perdoa corruptos, mas não perdoa os fetos!

Se for para ouvir esse tipo de formação “teológica”, o Supremo poderia economizar tempo e dinheiro. Já sabemos qual será a decisão. O resto é só carnificina — também teórica.

"Caso Marcela" inspira argumentos favoráveis e contrários ao aborto de anencéfalos

Postado em Aborto, Deu na Mídia em 26/08/2008 por Ju

Piero Locatelli
De Brasília

Em audiência pública realizada na manhã de hoje no STF (Supremo Tribunal Federal), diversas entidades religiosas se pronunciaram sobre a descriminalização do aborto em casos de anencefalia (ausência parcial ou total do cérebro).

Como se esperava, o caso da menina Marcela de Jesus Ferreira, que foi diagnosticada como anencéfala e viveu 1 ano e 8 meses, inspirou argumentos contrários à antecipação do parto em casos como esse. Mas também foi usado como argumento a favor da liberdade de decisão da mãe.

Padre Luiz Antônio Bento, representante da CNBB (Conferência dos Bispos do Brasil), foi o primeiro a falar. Ele comparou o aborto de fetos anencéfalos à eugenia e afirmou que interromper a gravidez nesses casos é um ato discriminatório e até racista. “Se a vida não é respeitada em seu início, dificilmente será respeitada nas outras fases”, disse.

Já o Bispo Carlos Macedo de Oliveira, da Igreja Universal do Reino de Deus, argumentou a favor do direito de decidir. Para ele, Deus dá o livre arbítrio e a mulher deve ter a liberdade de escolher pela continuidade ou não da gravidez: “Isso não deveria esbarrar em questões religiosas; a decisão cabe a cada um, segundo sua própria religiosidade”.

Representantes da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, da organização não-governamental Católicas pelo Direito de Decidir e da Associação Médico-Espírita do Brasil também se pronunciaram no STF.

Caso Marcela

Cacilda Galanto Ferreira, mãe da menina Marcela, esteve presente na audiência. “Nunca me passou pela minha cabeça interromper a gravidez”, comentou ela, após assistir às palestras. Ela garante que não se arrepende da decisão que tomou e diz ter sido feliz durante o período que passou com a filha.

O advogado Luís Roberto Barroso, quem foi quem impetrou a Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 54, em nome da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), enfatizou aos jornalistas, no fim da audiência, que o caso de Marcela é uma exceção. Segundo ele, 50% dos fetos anencéfalos morrem ainda no útero e, a outra metade, logo após o parto. “O caso de Marcela ou é um ponto fora da curva, ou não era um caso de anencefalia”, disse.

Já o médico Rodolfo Acatauassú Nunes, representante da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, usou o caso Marcela como exemplo de que, apesar da mortalidade elevada, há hipóteses na medicina mostrando anencéfalos que sobrevivem por um maior período de tempo. “Ainda existe muita coisa que não se explica, por isso tem que ter prudência nessa decisão.”

Como é hoje

As mulheres que desejam fazer a antecipação do parto de um feto anencéfalo, atualmente, precisam antes recorrer ao judiciário, em um processo que pode demorar meses. Caso a ADPF seja aprovada pelo STF, não haverá mais a necessidade de passar pela justiça para fazer o parto.

Durante sua fala, Maria José Fontelas, da ONG Católicas pelo Direito de Decidir, ressaltou que dessa forma a lei vai corrigir uma injustiça social, pois até agora as mulheres que possuíam o direito de fazer o aborto eram as que tinham uma assessoria jurídica. “Cacilda teve sua escolha respeitada, o que não acontece com tantas outras mulheres que não querem levar a gravidez adiante”, argumentou.

Na próxima quinta-feira, haverá nova audiência pública com a participação de médicos e cientistas. Representantes do Conselho Federal de Medicina e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entre outros, falarão sobre o tema. Na semana que vem, o STF vai ouvir representantes da sociedade civil, como o Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero e a Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos.

O ministro Marcos Aurélio disse a jornalistas no fim da plenária que a decisão final do STF deve sair até o fim do ano.

Fonte UOL

O Golpe do Século

Postado em China, comunismo, cooptação ideológica, verdadeira face do comunismo em 23/08/2008 por Ju

O partido comunista chinês é a mais formidável máquina de cooptação social já criada: mudou a China para que tudo continuasse como era

Jade Palace Hotel. É onde a equipe de VEJA está hospedada em Pequim. No cardápio dos estabelecimentos credenciados pelo comitê olímpico, foi apresentado como um hotel do nível dos melhores ocidentais e bem localizado. É longe de tudo, estamos praticamente isolados em uma franja da cidade. Os funcionários são amadores – todos têm o crachá de “trainee” e trabalham por um prato de macarrão. Ninguém fala inglês, ninguém sabe colocar uma mesa, muitos chegaram do interior na semana passada. Pedir um sanduíche de queijo é um sacrifício. Não sabem o que é sanduíche, não sabem o que é queijo, não sabem o que é um hóspede. Os trainees foram encarregados de vigiar cada movimento nosso. Quando não estamos com o crachá olímpico, exigem que apresentemos o cartão magnético do hotel para nos deixar entrar no elevador. A comida é de campo de reeducação. Os preços são extorsivos: um café custa o equivalente a 14 reais. O único serviço satisfatório é o de tinturaria. Não exige comunicação verbal e a tradição chinesa é boa nessa área do conhecimento humano. O Jade Palace Hotel pertence ao governo – ou seja, ao partido comunista. Não tem sócios capitalistas, locais ou estrangeiros. Desde que soube disso, este repórter resolveu dar ordens como o presidente Hu Jintao. “Não temos banana, senhor.” “Então, ligue para o partido e ache uma banana.” A banana aparece. “É impossível achar um táxi, senhor.” “Então, ligue para o partido, quero um táxi em cinco minutos.” O táxi aparece. Dar ordens é a única maneira de fazer funcionar uma parte dos chineses. A constatação empírica foi confirmada por estrangeiros que trabalham em Pequim. Sem dar ordens, concordamos todos, a vida fica impossível.

Mais do que uma má experiência pessoal, o Jade Palace Hotel é uma má experiência política. Estamos diante do comunismo em estado puro, a maior empulhação da história. Vende-se como o paraíso, mas as tintas são infernais. Nesta China capitalista, que abriu uma estrada de dezesseis pistas para o Ocidente, o dado tão curioso quanto inquietante é que o comunismo sobrevive forte em vários aspectos, para além da marca de fantasia do partido. É espantoso que a internet, hoje ao alcance de 250 milhões de chineses, esteja sob controle da censura estatal, mas o que dizer de revistas estrangeiras que chegam às bancas (pouquíssimas) ou aos eventuais assinantes (menos ainda) com páginas coladas? Se o assunto da reportagem for China, os censores grudam o que julgam ser ameaçador ao regime. Da mesma forma que os trainees do Jade Palace Hotel, eles não sabem inglês ou qualquer outra língua estrangeira. Então, eliminam o problema da liberdade de imprensa passando cola em todos os textos aparentemente sensíveis. Basta lerem a palavra China e lá vai cola. Ao leitor, resta o caminho do fogão. Esquenta-se uma panela d’água e, quando o vapor sobe, coloca-se a revista sobre ele, para tentar desgrudar as páginas. Leves princípios de incêndio vêm sendo causados pela censura.

Livros de bons autores à venda: quase não há. De maus autores: situação idêntica. Importação de livros: demorada e com o risco de cola nas páginas. Cinema: minguadas setenta salas para os 17,4 milhões de habitantes de Pequim. A exibição de filmes estrangeiros no país é restrita a vinte títulos novos por ano. Assim como as produções chinesas, eles não podem ter cenas de sexo, mensagens políticas ou questionamentos de ordem moral. É o mundo encantado da Disney comunista. Televisão: apenas forasteiros têm acesso a canais a cabo. Chineses, só se ficarem hospedados num hotel cinco-estrelas. As emissoras abertas, estatais, exibem majoritariamente novelas ambientadas quinhentos anos atrás, protagonizadas por senhores da guerra de barbas e sobrancelhas longas, com os cabelos, também compridos, cortados ao estilo Chitãozinho e Xororó e enfeitados por coques fashion. As novelas seriam suportáveis sob efeito de uísque. Você poderia fingir mais facilmente que assistia a Kill Bill 278, 279, 425… Como no Jade Palace Hotel não há uísque de verdade, o dia começa cedo e acaba tarde na Olimpíada e o honorável estabelecimento só tem CNN e um canal da HBO, o melhor é apagar a TV.

Estrangeiros e chineses mais exigentes (pouquíssimos) perdem um quinhão do seu tempo driblando as proibições. “Se você tiver o software certo, dá para acessar os sites de notícia europeus e americanos”, disse a VEJA uma mocinha de Xangai. “É a coisa mais fácil do mundo”, confirmou outro jovem de Pequim, mais interessado em pornografia. Comprar filmes piratas na China, a única maneira de assistir a cenas de sexo, mensagens políticas ou questionamentos de ordem moral, não representa uma dificuldade. Ligações clandestinas de emissoras a cabo já são um clássico. Contrabando de livros do exterior, idem. Não é que o governo não veja. Ele simplesmente fecha os olhos, porque sabe ser peraltice de uma infimíssima minoria. A maioria – com todo o peso que isso significa num país de 1,3 bilhão de habitantes – está ocupada em seguir o modelo do cidadão da Nova China: não reclame, não discuta, confie nos seus líderes, trabalhe duro em prol da nação e você também progredirá materialmente.

A abertura econômica é uma realização a festejar. Graças a ela, os chineses comuns entrevistados por VEJA podem dizer, sem incorrer na mentira, que vivem melhor do que seus pais e avós. Mas, do ponto de vista político, foi o golpe do século. Deveriam trocar o retrato de Mao Tsé-tung, na Praça da Paz Celestial, pelo de seu artífice, Deng Xiaoping. Abrir a economia permitiu a sobrevivência no poder do Partido Comunista Chinês. No fim da década de 70, sob a égide do reabilitado Deng, submerso à força durante a Revolução Cultural, alguns dirigentes começaram a pregar publicamente uma certa flexibilização do regime, e resoluções nesse sentido foram adotadas. Para que ela fosse adiante, no entanto, era preciso exorcizar a figura do timoneiro sanguinário, morto em 1976, bem como parte de sua herança maldita, sem que o ritual de execração implicasse a autodestruição do PC. Em 1982, as condições internas (comunista adora falar em “condições internas”) permitiram que, durante um congresso do partido, Mao sofresse sua crítica definitiva. A Revolução Cultural, que jogara a China na treva absoluta durante os anos 60, foi declarada um desastre, um tumulto interno. Mao perdeu a condição quase divina, mas manteve a classificação de “grande homem”.

O processo de abertura, mesmo com o empuxo a favor, só ganharia velocidade e corpo em 1989, depois do massacre de 200 estudantes entre milhares de revoltosos reunidos na Praça da Paz Celestial. Os mártires e mais o milhar de colegas presos queriam um tantinho de oxigênio, nada além disso, mas haviam ido longe demais. A tragédia, que marcou indelevelmente a história chinesa, embora não conste da versão oficial, acendeu o alarme vermelho no partido. Temerosa do mesmo destino dos amigos soviéticos, então próximos do fim, a cúpula deliberou mudar logo e rápido, para que tudo continuasse como era. “Um país, dois sistemas”, na brilhante – e marota – definição de Deng. O golpe do século. “Eu estava fora da China quando ocorreu o episódio na Praça da Paz Celestial. Aquilo me transtornou. Saí andando sem destino. Dias mais tarde, recebi uma circular secreta do partido. Nela, os dirigentes reconheciam a demora para abrir a economia. Se houvessem tomado as devidas providências, afirmavam no documento, a revolta e a morte dos estudantes teriam sido evitadas”, disse um integrante do PC (vamos chamá-lo de Zhou), enquanto almoçava com a reportagem de VEJA em um restaurante da região de Sanlitu, em Pequim, onde os turistas têm à sua escolha todos os tipos de diversão – e risco – do capitalismo outrora considerado decadente.

Quem olha de fora tende a acreditar que, tal como ao dia se segue a noite, ao desentrave econômico sucederá a liberdade política. Não é bem assim. A primeira verdade em oposição é que, como a China jamais foi pluralista, inexistem anseios democráticos como no Ocidente. Esses são frutos da filosofia iluminista européia e dos ideais da revolução americana, concepções estranhas e alienígenas do ponto de vista chinês. O marxismo, igualmente alienígena, vicejou na China por ter-se casado à perfeição com uma cultura alicerçada sobre o absolutismo. A segunda verdade é que, apesar de todo o controle estatal, os chineses nunca foram tão livres como hoje – e enxergam no partido comunista pós-1989 uma garantia dessa liberdade, em vez de um obstáculo a ela. Liberdade, aqui, não é de palanque, voto ou informação. É de compra, venda e consumo. O golpe do século, lembra-se?

Ao contrário do soviético, que nasceu, cresceu e morreu como um organismo estranho à sociedade, o partido chinês foi-se entranhando na estrutura do país. O mais surpreendente é que a dinâmica se acelerou nos últimos anos. O PC chinês é hoje um clube com 78 milhões de membros – ou 6% da população total. Há quase tantos comunistas de carteirinha na China quanto alemães na Alemanha. A idade média é 35 anos. As células e os comitês, que movimentam o dia-a-dia do partido, somam 3 milhões de militantes. A cada ano, o PC incorpora 1,8 milhão de novatos. O financiamento se dá por meio de contribuições. Os integrantes da área rural, mais pobres, pagam 1 iuane por mês, o equivalente a 23 centavos de real. Os assalariados de menor renda desembolsam 1% do salário mensal; os de maior renda, e também profissionais liberais e empresários, de 4% a 5% do que ganham por mês. Os dados foram fornecidos pelo secretário-geral de comunicação do partido, Lu Jianping, em entrevista a VEJA.

A revista chegou até ele por intermédio de Wang Jianchao, uma simpática e prestativa jornalista da Associação de Jornalistas de Toda-China. O hífen está presente na designação das associações profissionais chinesas. Indica que não há divisões sindicais ou algo do gênero – e que elas não são toleradas. Os jornais e revistas todo-chineses são abundantes. Existem 10 000 publicações periódicas, cuja função é, no máximo, contar uma parte da verdade, jamais a verdade inteira. No hall do prédio da Associação de Jornalistas de Toda-China, duas fotos distraem os visitantes no chá de sofá: a de Mao lendo o Diário do Povo, órgão oficial do PC, e outra de Chou En-Lai, no jardim de sua casa, rodeado de jornalistas ocidentais. Deve datar dos anos 50 e dá vontade de ser um dos seus figurantes. Companheiro de primeira hora de Mao, Chou era de família rica e tinha formação européia. Viveu em Paris, exilado, no início da década de 20. A foto revela aquele permanente estar à vontade dos bem-nascidos. Devia ser um ótimo papo.

Fomos de carro preto, com motorista, ao encontro do secretário-geral. No trajeto, a senhora Wang explicou que o departamento havia mudado de nome recentemente – deixara de ser “de propaganda” para se tornar “de comunicação”. “Alguma mudança nas diretivas?” “Não.” Às vezes os jornalistas chineses dizem toda a verdade. Lu Jianping não é um Chou En-Lai, mas tem lá sua cota de poder, é simpático e até relaxado para os padrões locais (só contraiu o rosto diante da lente do fotógrafo). Tem 54 anos, não pinta o cabelo e não usa gel, ao contrário da maioria dos dirigentes do partido. Estava sem terno, porque o presidente Hu Jintao, secretário-geral do PC, recomendou que, no verão, o traje formal fosse abolido. Economiza-se no ar-condicionado. Como em toda sala oficial chinesa para recepção de visitantes, a de Lu Jianping tem poltronas arrumadas em simetria, voltadas para um centro vazio: a do anfitrião é separada por uma mesinha da do visitante principal. Em cima do móvel com toalha de renda e vaso de flores, uma garrafa de água e uma chávena de chá para cada um. O número de poltronas depende do tipo de reunião. Quanto maior a quantidade, mais importante é o dignitário. A simetria expressa formalidade – e não deixa de ser intimidatória. Seis poltronas foi lisonjeiro. Quando VEJA o entrevistou, os jornalistas estrangeiros, recém-chegados ao centro de imprensa olímpico, reclamavam que a China não havia cumprido o compromisso de deixar o acesso à internet inteiramente livre. Perguntado a respeito, Lu Jianping respondeu que ocorrera um problema técnico e que o país seguiria à risca o acordo com o Comitê Olímpico Internacional. “Por que os ocidentais acham que controlamos tudo?”, completou. “Essa conversa não vai longe”, pensou este repórter. Mas foi.

Virar comunista no Brasil é fácil. Basta ter as idéias erradas, preencher uma ficha de filiação, colocar um broche na camiseta e sair por aí falando e fazendo bobagens. Na China, é necessário mais do que idéias erradas (atualmente, são exigíveis até algumas corretas) e você assina a ficha depois de uma seleção rígida. Não é um clube que aceita qualquer um, coloque-se dessa maneira. Lu Jianping animou-se a contar a história do seu ingresso no partido, segundo ele muito ilustrativa. Em 1974, aos 20 anos, estudante universitário, começou a trabalhar na secretaria de educação de Xinjiang, região autônoma no oeste do país, com significativa população de fé islâmica (e palco de atentados perpetrados por separatistas, no início de agosto). Foi nessa ocasião que Lu Jianping se animou a entrar no PC. Para tanto, teve de escrever uma carta em que expunha os motivos da decisão. Carta aprovada em uma reunião da célula correspondente à secretaria, ele passou a ser observado por dois sindicantes que davam expediente na mesma repartição. Verificada sua, digamos, vocação para comunista, foi procurado por dois homens para uma conversa. Nela, fizeram-lhe três perguntas: a) O partido é para servir ao povo. Você quer servir ao povo? b) Você está de acordo com os princípios e o programa do partido? c) Você está disposto a trabalhar dentro de um sistema de democracia centralizada? Sim, sim e sim para as questões, a célula reuniu-se outra vez. Acharam que Lu Jianping levava jeito e ele foi submetido a novas rodadas de conversas. Ouviram as opiniões a seu respeito de pessoas do seu convívio profissional, social e familiar. Como o horizonte se manteve favorável, Lu Jianping viu-se convidado a participar de uma reunião da célula, em que fez uma explanação sobre o seu desejo de filiar-se ao partido. Em seguida, a célula votou. Seu nome foi aprovado da única forma possível: por unanimidade. Enviaram, então, um relatório ao comitê local do partido. Chancelado pela instância superior, declararam-no aspirante e lhe designaram um tutor. Um ano depois, ainda na condição de aspirante, ele fez um juramento de lealdade diante da bandeira do PC. Inúmeras reuniões e votações correram até que, em 1981, finalmente, ele se tornou membro pleno. “Eu me esforcei durante sete anos”, disse Lu Jianping, ainda com o orgulho de vestibulando aprovado.

Nem todos os aspirantes demoram tanto tempo. A protelação do ingresso de Lu Jianping pode ser creditada a um período de enormes convulsões – e desconfianças – entre os quadros partidários. Mas o processo de seleção, para 99% das pessoas, é basicamente o mesmo. VEJA entrevistou uma jovem de 26 anos, Lillian Chen, moradora de Pequim. Formada em jornalismo, fluente em inglês, produtora de documentários televisivos – faz trabalhos para a BBC –, ela foi convidada a entrar no PC quando cursava o equivalente ao colegial brasileiro, por causa de suas notas excelentes. Gostou da idéia e cumpriu a trajetória de Lu Jianping, só que apenas em um ano. Quando completou 18, assinou a ficha de filiação. Além de viver em outros tempos, Lillian Chen recebeu um convite e na adolescência. Combinados, os dois fatores aceleram o processo. “Não, ser do partido não me proporciona regalias diretas. Talvez no passado fosse assim”, afirmou. “O seu ingresso, então, foi por motivos ideológicos?”, perguntou VEJA. Lillian Chen abriu um sorriso: “Não falo sobre política. Aliás, nem em casa. As duas amigas com quem divido apartamento também são do partido, mas nós só conversamos sobre roupas, acessórios que estão na moda, essas coisas”. O nosso terceiro comunista, Zhou, enquadra-se no 1% que não enfrenta processo de seleção – pelo menos, não o usual. Abriram-lhe as portas do partido graças aos serviços prestados à China no exterior. Quais serviços foram esses, ele não revela. Só deixou escapar que, no Brasil, se surpreendeu ao encontrar no estado do Acre um sujeito que mantinha na estante os livros de Mao e pregava a revolução armada contra os exploradores capitalistas. “Nem nós acreditávamos mais nesse tipo de coisa”, riu-se Zhou. Foi-lhe explicado que a América Latina era “o cemitério de idéias”. Ele aprovou a expressão.

O partido comunista chinês é visível e invisível no cotidiano. Você certamente sabe que seu chefe pertence a ele, mas talvez fique surpreso ao ser informado de que seu melhor amigo, sentado ao lado, também é do PC. Integrá-lo pode não lhe dar benefícios diretos, como diz a jovem Lillian Chen, mas pode resultar num bom guanxi – o nome que se dá à teia de relações pessoais e profissionais, sem a qual ninguém toca negócios ou é promovido na China. Por incrível que pareça, não é a única agremiação política do país. Há outras nove, todas aliadas ao PC, logicamente. Existe inclusive uma versão do Kuomintang, o partido nacionalista defenestrado do poder pelos comunistas, em 1949. Chama-se Comitê Revolucionário do Kuomintang. Quando a rebelde Taiwan for anexada, não é impossível que seus atuais líderes passem a integrar essa agremiação fantoche.

Como há otimistas em qualquer situação, há quem entreveja a possibilidade de a China vir a adotar um regime próximo da democracia real. Eles enxergam nas eleições para representantes municipais, que começaram em meados da década de 80, o germe de um sistema de escolha nacional mais abrangente. Embora poucas cidades constem desse espectro, citam, em seu favor, o fato de haver votação popular nas 700 000 aldeias do interior, onde vivem 700 milhões de pessoas. O americano John L. Thornton, professor da Escola de Economia e Administração da Universidade Tsinghua, em Pequim, detecta avanços na mentalidade dos líderes chineses. Na visão de Thornton, se, em 2012, o substituto de Hu Jintao na secretaria-geral do partido for eleito por voto no Comitê Central, e não por aclamação dirigida, isso sinalizará que mudanças positivas poderão ocorrer no regime como um todo. “O partido, internamente, está tentando adaptar-se à nova dinâmica social”, corrobora Lu Jianping. Mas ele ressalva: “O sistema chinês não devorará o ocidental, nem o ocidental devorará o chinês”.

O fato incontornável e imune a otimismos é que o partido comunista chinês é a mais formidável máquina de cooptação social já criada na história. Concentra, com raras exceções, a elite intelectual, técnica, empresarial e financeira do país. Em uma China interessada em fechar bons negócios, entrar para o PC é o primeiro negócio a ser feito. Garante guanxi para ganhar dinheiro e blindagem judiciária, pois os juízes e promotores são indicados pelo partido. Como na União Soviética da era Leonid Brejnev, se um comunista de carteirinha for pego com a boca na botija, mas seu caso for considerado “delicado”, ninguém o condenará. O PC transformou-se numa espécie de centrão, onde sempre cabe mais um. Candidatos de listas independentes a cargos locais invariavelmente se filiam à agremiação depois de eleitos. Por que mudar se está ótimo para todo mundo que conta e o povão jamais viveu tão bem? A coisa só não é boa para os hóspedes do Jade Palace Hotel.

Fonte: Revista Veja (para assinantes)

Um novo blog

Postado em Pessoal em 23/08/2008 por Ju

Eu fiz um outro blog. Em complemento, não em subtituição a esse.

Nesse eu me deterei somente em assunto ligados à Igreja, enquanto que no outro, o De Tudo Um Pouco, eu serei mais abrangente, embora também vá colocar algo sobre fé e teologia lá também. Mas esse não será o foco do novo blog. Antes, ele será uma coisa mais ampla, com uma visão mais global, que aborda tudo, o que não era minha intenção aqui.

Visitem e comentem.

Coisas boas: recentes e a longo prazo

Postado em Scott Hahn, encontro, peregrinação em 23/08/2008 por Ju

Tenho tido muitas razões para louvar a Deus, para me alegrar. Eu estou recuperando bem da operação no joelho, em outubro farei uma peregrinação a santuários Carmelitas e Marianos na Europa. Não preciso falar que será demaaaaissss, né? Estou ansiosa que só!

Como se não bastasse, na Comunidade Católicos (uma das duas) no Orkut, começou a se cogitar um encontro em 2009, etc. Papo vai, papo vem, cogitou-se a hipótese de ser em SP. E mais: se pensou em trazermos o Scott Hahn para falar a todos nós no encontro, que teria a forma de um retiro!! Que audácia santa a nossa, hehe!! Mas é real. Estamos tentando sim. E eu me envolvi e cá estou eu atrás de casas de retiro onde possamos fazer o encontro, hehe!

Bem, tanto a curto como a longo prazo, eu tenho eventos que só serão fonte de bênçãos e crecimento na minha vida!