Arquivo para Novembro, 2008

Tempo do Advento

Postado em Advento, Igreja, Liturgia, Penitência em 29/11/2008 por Ju

Estamos entrando no tempo do Advento, que é o início do novo ano litúrgico. Esse período vai do 1º Domingo do Advento a 24 de Dezembro.

A palavra advento significa vinda ou chegada. E só se encontra nos livros litúrgicos ocidentais. Nenhuma família litúrgica oriental a possui. Na liturgia romana, porém, é por este período litúrgico que começa o Missal, o Lecionário e a Liturgia das Horas. As suas origens encontram-se na Gália e na Espanha e remontam ao séc. IV. Mas ainda se lhe não chamava, então, advento.

Na Gália, por volta de 360, Santo Hilário, bispo de Poitiers, referia-se a um período de preparação de três semanas para a Epifania, com o início no dia 17 de Dezembro e com o termo a 6 de Janeiro. Na Espanha, no ano 380, o Concílio de Saragoza determinava: ninguém deve faltar à igreja nas três semanas que precedem a Epifania. Celebrava-se a Epifania e não o Natal, festa que viria a nascer em Roma só por volta do ano 375, e demorou alguns anos a ser acolhida por todas as Igrejas do Ocidente.

Como instituição litúrgica, o Tempo do Advento só se formou nos finais do séc. VI. Consistia então em seis semanas de preparação para o Natal. Foi São Gregório Magno (590-604) que o reduziu a quatro semanas. O Advento começa com as I Vésperas do domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e termina antes das I Vésperas de Natal. Dada a variação da data do seu início, que pode ir de 27 de Novembro até a 3 de Dezembro, este tempo litúrgico não tem extensão uniforme. A sua duração máxima é de 28 dias (4semanas completas) e a duração mínima de 22 dias (4 semanas incompletas). Nenhuma solenidade, inclusive a da Imaculada Conceição, tem precedência sobre os domingos do Advento.

A Liturgia do Advento convida à conversão pela voz dos profetas, sobretudo de João Batista: Convertei-vos, pois o Reino do Céus está Próximo (Mt 3,2); convida à esperança jubilosa de que a salvação já realizada por Cristo e as realidades da graça já presentes no mundo cheguem a sua maturidade e plenitude, quando a promessa se transformará em posse, a fé em visão e nós seremos semelhantes a Ele e O veremos assim como Ele é (1 Jo 3,2).

O Advento, assim como a Quaresma, é um tempo de penitência. Por essa razão, não se canta o Glória durante esse tempo nas missas. E pela mesma razão, a Igreja usa paramentos roxos, nos chamando à penitência e conversão. Para que nos preparemos para a festa anunciada. Assim como na Quaresma fazemos penitências e nos preparamos para a Ressurreição do Senhor, no Advento, também somos chamados a fazer penitência para nos preparar para o Natal.

Consciência Sacramental

Postado em Igreja, Liturgia, Sacerdotes, Santíssimo Sacramento em 29/11/2008 por Ju

Eu vejo algumas coisas que me incomodam profundamente. Muita gente replicará ao meu texto: “mas a Igreja permite, etc…”. Mas as pessoas muitas vezes não entendem que uma permissão não configura uma situação ideal, perfeita. Muitas vezes uma permissão é dada para evitar um mal maior.

Eu falo da Eucaristia, do Ssmo. Sacramento do Altar e de tudo o que está relacionado com ele. Conversando com um padre amigo meu (vejam: ele não é tradicionalista, embora ame a Tradição litúrgica da Igreja!), eu desabafava, falando que umas coisas me incomodam. Por exemplo, o uso constante do MEC´s (Ministros Extraordinários da Comunhão).

Numa paróquia perto de casa, uma senhora, que é MEC, ficou escandalizada ao ouvir de mim que eu jamais (isso mesmo: JAMAIS) seria MEC e não comungo da mão de um. Ela falou: “Como?! A Igreja permite, etc…”

Mas, leitor, pense comigo: só para começo, você entende o que significa ministro EXTRAORDINÁRIO?? Se é extraordinário, é porque não deve ser usual. Você não espera todo dia o plantão da Globo invadir a programação, não é? Você, certamente espera o jornal no seu horário ordinário, comum, habitual.

A mesma coisa pode ser dita dos ministros extraordinários da comunhão. O ministro ORDINÁRIO da Comunhão, da Eucaristia é o sacerdote. Ponto! Só ele teve as suas mãos ungidas com óleo santo para ungir, abençoar e consagrar no dia da sua ordenação. Não me consta que um MEC tenha tido suas mãos consagradas para isso e nem tenha recebido tal autoridade da Santa Igreja, não é?

Daí que se aplicam as palavras de S. Tomás: “Por reverência a este sacramento [a Santa Eucaristia], nada o toca a não ser o que é consagrado; por isso o corporal e o cálice são consagrados, e, da mesma forma, as mãos dos sacerdotes para tocar este sacramento”. (Suma Teológica, Pars III, Q. 82, Art. 3, ad 8 )

Nada pode tocar a Eucaristia que não seja consagrado. Isso inclui as mãos do sacerdote! O cálice, a patena e os demais vasos sagrado não são só “bentos” pelo bispo, mas são consagrados para o uso no culto eucarístico, no sublime e sagrado mistério da Eucaristia, do Ssmo. Sacramento do Altar.

E o Papa João Paulo II (1978-2005) disse: “Tocar as espécies sagradas e distribuí-las com suas próprias mãos é um privilégio dos ordenados [sacerdotes]“. (Dominicae Cenae, sec. 11)

Ele disse também: Não é permitido que os próprios fiéis peguem o pão consagrado e o cálice sagrado, menos ainda que eles os passem uns para os outros.” (Inaestimabile Donum, 17/04/1980, sec. 9).

Por que ele falou assim, se a Igreja tinha permitido os MEC´s?? O papa tinha consciência dos abusos que estavam (e, infelizmente, continuam, se bem que Bento XVI tem lutado corajosamente contra eles) a ser feitos com o Ssmo. Sacramento. E fez     questão de deixar por escrito o que deve ser feito. Quem tem esse privilégio é o sacerdote. Os MEC´s, gente, entendam, é para uma situação excepcional, uma emergência (faltarem padres, uma guerra, etc) e não para serem usados como algo corriqueiro, comum, normal.

Outra coisa que me incomoda demais, por motivos quase idênticos, é ver leigos, membros de equipes de liturgia pegando sem um pano, uma proteção qualquer, os vasos sagrados (cálice, patena, etc.) para arrumar o altar para a Santa Missa. Gente, nunca passou na cabeça deles que esses vasos são consagrados, não são coisas comuns, que todos nós podemos mexer sem qualquer restrição? S. Tomas falou, no texto citado acima, que só toca a Eucaristia o que é consagrado: as mãos do sacerdote, o cálice, a patena, etc. Oras, se essas coisas são também consagradas para o Supremo Mistério, o tão Sublime Sacramento, não é justo que somente as mãos consagradas (ou seja, do sacerdote) as toquem?

Vamos arrumar o altar para a Santa Missa? Claro. Santa Teresinha de Lisieux foi sacristã no Carmelo. Mas, façamos como ela: ao pegar nos vasos sagrados para arrumar o altar, o façamos com um pano entre as nossas mãos e os vasos sagrados. Só o sacerdote, por ter suas mãos consagradas, tem o direito de tocá-los diretamente.

Antes que você, leitor, ache isso um exagero meu, leia isso:

“Ó Venerável dignidade do sacerdote, em cujas mãos o Filho de Deus se encarna como no seio da Virgem Maria!” Sto. Agostinho

“Se eu me encontrasse  com um Sacerdote e com um Anjo, saudaria primeiro o Sacerdote e só depois o Anjo…Se não tivéssemos o Sacerdote, de nada nos valeria a Paixão e a Morte de Jesus…Para que serviria um escrínio cheio de jóias de ouro, se não houvesse alguém para abri-lo? O Sacerdote é quem tem a chave dos tesouros celestes…” S. João Vianney

São Francisco da Assis, por sua vez afirmou sobre a Eucaristia: Somente eles (Sacerdotes) devem administrá-LO, e não outros.” (2a carta a todos os fiéis, 35)

E, só quando reconhecermos a dignidade sacerdotal, o valor do Ssmo. Sacramento do Altar, nós pararemos de ver tantos abusos praticados sob a escusa de uma “legalidade” concedida pela Igreja, que na verdade é uma permissão para casos excepcionais e não uma norma. Já que como falou o papa João Paulo II, a quem muitos gostam de invocar para justificar tais abusos, tocar as sagradas espécies é privilégio dos ordenados (leia-se os sacerdotes!).

Não é clericalismo meu, não estou subestimando os leigos (eu sou leiga!), mas devemos dar aos sacerdotes a honra e a veneração que merecem. Eles são pessoas como nós? Ok, mas eles são antes de tudo, os despenseiros das graças de Deus a nós. Suas mãos são santas. Delas sai Nosso Senhor no Ssmo. Sacramento. Nunca será demais venerar o sacerdote. E devemos tratar o Ssmo. Sacramento com uma consciência plena de que ali não é só um mero pedaço de pão, mas é o Corpo Santíssimo de Nosso Senhor. É Ele, em corpo, alma e divindade! Quando tivermos essa consciência, jamais vamos aceitar tomar as sagradas espécies de quaisquer mãos. E também, jamais profanaremos os vasos sagrados como muitos o fazem sem saber. Que Deus nos ajude.

PROTEJAM SUAS CRIANÇAS DO MOLESTAMENTO DO ESTADO

Postado em Cidadania, PT, Política, cooptação ideológica, esquerda, pornografia em 27/11/2008 por Ju

Reinaldo Azevedo

Leitor, é um texto longo. Muito longo. Mas, creio, necessário.

As fotos que você vêem acima retratam o kit que o Ministério da Saúde, comandado pelo inefável José Gomes Temporão, envia às escolas para as aulas de educação sexual. Integram um tal Programa de Saúde e Prevenção. Em São Paulo, ele é desenvolvido em parceria com a Secretaria Estadual de Educação e com os municípios. Deve ser assim no Brasil inteiro. Falta a personagem principal do kit de Temporão: um pênis de borracha que o poeta Bocage diria ser daqueles que servem mais para “mostrar do que para usar” — ele empregava outro verbo, que o decoro me impede de escrever. E, claro, decidi não publicar a imagem aqui porque não é coisa que deva ser exibida em blogs de família. Duvido que qualquer dos nossos jornais a estampasse na primeira página. Vocês entenderam: alunos de 12, 13 anos estão sendo expostos a um “material didático” que não pode ser exibido em blogs e jornais voltados para o público adulto.

De onde vêm essas fotos? Elas me foram enviadas por João Flávio Martinez, pai de uma estudante de 13 anos de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Professor, Martinez indignou-se com a forma como a tal “Educação Sexual” está sendo ministrada a crianças. Durante as aulas, digamos, práticas, meninos e meninas são convidados a vestir o pênis com a camisinha — vocês sabe: é para aprender como se usa… Na seqüência acima, vêem-se um DIU (dispositivo intra-uterino), um diafragma, pílulas anticoncepcionais e a camisinha feminina. Só para precisar: o remédio Pozato Uni não é exatamente um anticoncepcional: trata-se da chamada “pílula do dia seguinte”.

Martinez indignou-se com a forma como as coisas estavam sendo conduzidas e foi falar com a diretora da escola estadual Pio X, Mara Cristina Pacci Lainetti. Ela teria recomendado que ele tirasse a filha da escola. Procurei a diretora, que não quis comentar o caso, nem mesmo a acusação que lhe faz o pai da estudante. Afirmou que eu deveria procurar a Secretaria da Educação. Foi o que eu fiz. A assessoria sustenta que as aulas obedecem ao rigor técnico e que há professores treinados para ministrá-las. A secretaria, evidentemente, não endossa a recomendação para que a aluna deixe a escola.

Não, Martinez não se conformou com o tratamento que lhe foi dispensado e com o método adotado nas aulas de educação sexual e redigiu uma carta aberta, entregue à escola. Seguem alguns trechos:

Não quero nem discutir se a escola deve ou não orientar sexualmente as crianças, porque isso nem cabe discussão – A escola deve e precisa orientar sexualmente as crianças e adolescentes.
A problemática gira em torno da metodologia adotada pelo Estado. Diante disso, perguntamos ao Estado:
- Será que não estamos passando do limite ao levar em uma sala de aula um pênis de borracha para que crianças de 11 a 14 anos vistam com camisinha esse objeto?
- Será que não estamos extrapolando o bom senso ao obrigar uma criança a ir a um posto de saúde e pedir uma camisinha e depois obrigá-la a colocar no tal pênis de borracha na frente de todos?
(…)
- Pra que falar de pílula do dia seguinte a ouvintes tão pequenos, se o remédio é somente vendido sob prescrição médica e para maiores de idade?
(…)
Diante desse quadro vamos analisar o que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente:
1) Quando o Estado e a Escola preparam uma metodologia ou algum projeto educacional para adolescentes, pais e responsáveis têm o direito de ser plenamente informados do que está acontecendo. (…) entendo que os pais deveriam ser informados e deveriam ter visto o KIT PEDAGÓGICO para aulas de sexo (Cf. no ECA Art. 53, parágrafo único).
2) Essa orientação sexual deve respeitar a cultura, o ambiente, e o sistema educacional que essa criança já tem em casa (Cf. ECA Art. 58), ou seja, os valores familiares não devem ser atropelados pelas metodologias do Estado.
(…)
4) Uma criança nunca poderá ser exposta a uma cena constrangedora ou a um espetáculo que explicite objetos ou fotos pornográficos (Cf. ECA Arts. 74, 75, 77, 78, 79, 240).
(…)

Voltei
Martinez está certo de várias maneiras. Acerta ao, na condição de pai, indagar a direção da escola sobre a forma como está sendo conduzida a aula de educação sexual; acerta quando considera chocante o suposto material didático, que ficaria bem, sem dúvida, numa loja de artigos eróticos; acerta quando redige a sua carta aberta; acerta quando se indigna com o fato de estudantes de 12 receberem “aulas” sobre a pílula do dia seguinte; acerta quando acusa que vários artigos do tal ECA estão sendo jogados no lixo; acerta quando aponta que a escola está se metendo em valores que são da família, onde o estado não tem de meter o bedelho. É mesmo um descalabro.

O Brasil tem uma das piores escolas do mundo. O resultado do Enem, divulgado há alguns dias, não deixa dúvida: o desempenho médio dos alunos não alcançou 43%. Em exames internacionais, amargamos os últimos lugares. A maioria dos nossos estudantes têm um domínio pífio da própria língua e um desempenho melancólico nas chamadas “disciplinas exatas”. A escola falha de modo miserável, escandaloso, no ensino das disciplinas que constituem a sua razão primeira de ser. Não obstante, tornaram-se verdadeiros centros de doutrinação da sexualidade.

Pênis? e o número pi?
Será mesmo necessário convidar alunos e alunas a manipular em sala um pênis de borracha, vestindo-o com uma camisinha, sob o pretexto de instruí-los sobre a maneira correta de usar um e outro? Nessa idade? 12 anos? 13 anos? É uma vergonha pedagógica, intelectual e moral. Será que não há uma maneira didática de tratar do assunto, usando — vejam como sou exótico — a velha e boa conceituação? O professor de biologia agora tem de mostrar a meiose acontecendo? O professor de matemática tem de materializar o pi, o número transcendente? Será preciso pegar na mão a mitocôndria para acreditar que ela existe? Teremos de fazer Júlio César reencarnar em alguma sessão espírita?

Estupidez!
Mistificação!
Pilantragem intelectual!

A assessoria da Secretaria de Educação diz que a Diretoria de Ensino regional informa ter havido uma redução de 50% nos casos de gravidez na adolescência na cidade depois que o programa foi implementado. Eles têm meus telefones e gostaria de receber o material técnico que ampara tal informação. Quem fez a pesquisa? Ela só foi feita em São José do Rio Preto? Lamento, mas duvido. Duvido porque isso vai contra as evidências. Os dados a seguir são do IBGE:
- a gravidez na adolescência subiu entre 1996 e 2006, segundo a Síntese dos Indicadores Sociais;
- a única faixa etária em que houve aumento da fecundidade foi entre 15 e 17 anos: passou de 6,9%, em 1996, para 7,6%, em 2006. No Nordeste, a variação foi maior: 1,2 ponto percentual.

Ah, sim: também a AIDS voltou a crescer entre adolescentes, especialmente as meninas.

Então…
Então eu não quero que se dê orientação sexual nas escolas? Ora, é claro que elas devem se preocupar com isso. Mas resta evidente que se está fazendo tudo à matroca, na base da improvisação e do despreparo. Lamento: quem leva um pênis de borracha em sala de aula — por que não também uma vagina? — e o expõe à manipulação de crianças de 12 anos está a um passo do molestamento infantil — se é que já não caiu nele. O programa, mostram os dados, é ineficaz. E, é obvio, pretende destituir a família de suas prerrogativas.

No dia 7 de fevereiro de 2007, escrevi um texto intitulado “Salvem suas crianças de Lula. Ou não. Eu salvo as minhas”. Comentava a iniciativa do governo federal de distribuir camisinhas nas escolas, o que já está em curso, e uma cartilha destinada à educação sexual. Vejam só:
(…)
Quando o governo anunciou a disposição de instalar máquinas para distribuição de camisinhas, escrevi aqui — e muitos me censuraram afirmando que eu estava vendo coisas — que se tratava de incentivo ao sexo, não à prevenção. Por essa razão, observei, em vez de combater a gravidez precoce e a Aids, a iniciativa traz o risco potencial de provocar o aumento de ambas. A razão é tristemente simples: praticamente se convocam para o sexo jovens na faixa de 13, 14, 15 anos, que correm o risco de praticá-lo, a partir daí, com ou sem proteção. Não é preciso conhecer muito da psicologia, especialmente a masculina, numa fase de afirmação, para saber que se está lançando um desafio. Tenho 45 anos. Já aos 13, não havia rapaz da minha classe, eu inclusive, que não contasse aos amigos suas peripécias sexuais. Sempre com mulheres mais velhas, todas loucas por nós. Era tudo mentira. Eu também mentia. E, é claro, não havia uma máquina de camisinha no pátio.

Opus-me a essa história de distribuir camisinhas, antes de tudo, porque é contraproducente. Mas não só. A educação sexual cabe à família, não ao Estado. O máximo que este pode fazer é fornecer as informações técnicas, e não interferir de forma tão importante nas escolhas. Se não cabe à escola ensinar, por exemplo, religião, não cabe ao Estado atropelar os padrões familiares também no que concerne a esse particular — e todas as religiões têm prescrições a respeito. Sou um conservador? Um reacionário?

Ok, senhores progressistas, deixo então seus filhos, filhas, irmãos, irmãs, sobrinhos, sobrinhas, netos e netas expostos à cartilha que o governo federal pretende distribuir nas escolas (veja nota abaixo). Deixo suas crianças entregues à clarividência moral do PT e de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele agora decidiu entrar na sua casa — da minha, seria posto pra fora a pontapés.

A cartilha sexual de Lula é destinada a jovens entre 13 (!!!) e 19 (!!!) anos, como se essa faixa etária existisse. Observem: estamos falando praticamente de uma criança e de um adulto, ambos expostos à mesma informação e, lamento dizer, estimulados a praticar sexo, inclusive entre si — o que pode até configurar crime. Tanto uns quanto outros lerão nas cartilhas entregues por Lula coisas assim:
- O beijo é como chocolate por “aguçar todos os sentidos” e “liberar endorfinas”. E tem uma vantagem: “queima calorias”, ao contrário do doce.
- Há espaço na cartilha para o estudante — de 13 a 19 anos, reitero — relatar suas “ficadas”. E o governo federal ensina que ficar compreende “beijar, namorar, sair e transar”.
- O pênis com a camisinha é chamado de “O pirata de barba negra e de um olho só [que] encontra o capuz emborrachado”. A associação entre pênis e pirata merece um estudo…
- O uso dos verbos no imperativo não deixa a menor dúvida: “Colocar o preservativo pode ser uma excelente brincadeira a dois. Sexo não é só penetração. Seduza, beije, cheire, experimente!”.

A cartilha de Lula é pornografia pura e simples. E eu não lastimo apenas o gosto estético de quem redigiu, mas também a saúde mental. Quem se dirige a crianças e adolescentes nessa linguagem tem problema. Precisa se tratar. Se algum adulto, na minha presença, referir-se a sexo, nesses termos, com as minhas filhas no ambiente, leva um tapão na orelha. Leva um pé no traseiro.

E a família?
E o que a representante do governo pensa de os pais eventualmente reprovarem a iniciativa oficial? Ela não reconhece o pátrio poder nesse caso e expropria esses idiotas de qualquer direito. Diz ela: “O foco é o jovem, não a eventual censura que possa vir de um pai. A realidade é essa, ficar, hoje, é parte da vida de muitos jovens, e o caderno é para anotações pessoais”. Essa pérola do pensamento soviético é de uma certa Mariângela Simões, diretora do Programa Nacional DST/Aids. As cartilhas são elaboradas, em conjunto, pelos ministérios da Educação e da Saúde.

É isso aí. Haveria o dia em que o PT chutaria a porta de sua casa para tomar as suas crianças. Lembram-se daquela brincadeira, segundo a qual comunista come criancinha? Pode não comer — a menos que o partido mande, é claro —, mas é certo que não hesita em corrompê-las. Há muito, muito tempo, eu não via nada tão estúpido.

Eu quero saber o que vão fazer os promotores da infância e da adolescência. Não hesitarei em acusar a sua prevaricação caso fiquem calados. A cartilha do governo Lula viola, de forma explícita, ao menos sete artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), conforme segue abaixo:

Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.
Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.
Art. 58. No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade da criação e o acesso às fontes de cultura.
Art. 70. É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente.
Art. 71. A criança e o adolescente têm direito a informação, cultura, lazer, esportes, diversões, espetáculos e produtos e serviços que respeitem sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
Art. 73. A inobservância das normas de prevenção importará em responsabilidade da pessoa física ou jurídica, nos termos desta Lei.

Ou será que o ECA serve apenas para proteger assassinos, mas nada pode contra a infância e adolescência violadas pelo Estado? Eu já sabia que o governo Lula era um perigo para o Brasil e para boa parte dos adultos brasileiros. Mas agora se tornou também uma ameaça às nossas crianças. Eu protejo as minhas. Os petralhas, se quiserem, que entreguem as suas ao PT.

Arrematando
É evidente que as coisas fugiram do controle nesse particular — em São Paulo e em qualquer lugar. Pílulas estão sendo distribuídas nos postos de Saúde a meninas, ao arrepio dos pais. Não é uma questão de moral, como pensam os imbecis, mas de saúde mesmo. E, tenho notícias, elas também conseguem com facilidade a tal pílula do dia seguinte.

As nossas escolas não ensinam matemática.
As nossas escolas não ensinam a inculta e bela.
As nossas escolas não ensinam biologia.

As nossas escolas querem ensinar moral sexual — além, claro, das aulas de “cidadania”… Há, nisso tudo, um gigantesco preconceito, porque tais programas são especialmente pensados para os chamados adolescentes de baixa renda. As políticas públicas encaram essas pessoas como coelhos e cães na fase do cio das fêmeas. Sei que é uma surpresa para muita gente, mas o povão também tem valores — eu diria até que, em questões morais, eles podem ser mais rígidos (não quer dizer necessariamente melhores) do que os dos mais abastados.

A abordagem politicamente correta dessa questão, por incrível que pareça, apenas veste uma roupagem social, humanista e progressista num velho preconceito de classe: “O povo só pensa em fornicar. Precisamos dar um jeito de impedir que se reproduza”.

Mas, é claro, o reacionário sou eu. Protejam suas crianças!

Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo

A Medalha Milagrosa

Postado em Igreja, Liturgia, Nossa Senhora, Santo do Dia, Santos em 27/11/2008 por Ju

Hoje é um dia especial para mim, após ter feito toda aquela peregrinação pela Europa. É o dia que N. Sra. apareceu a Sta Catarina Labouré. Uma menina simples, ela era noviça no convento das Irmãs de Caridade. A mãe dela faleceu quando ela tinha 8 anos. Depois de um período de postulantado, foi admitida no convento.

Mas no dia 27/11/1830 a vida dela mudaria. Ela viu, nesse dia Nossa Senhora. E a Sma. Virgem apareceu a ela sobre o globo, com raios de luz jorrando de suas mãos e em forma de medalha. Em volta dela tem a seguinte frase: “Ó Maria sem pecado, rogai por nós, que recorremos a vós”. No outro lado da medalha, Catarina viu um “M” maiúsculo, e esta letra encimada por uma cruz. Em baixo, havia os corações de Jesus e Maria, sendo que o primeiro coroado de espinhos e o segundo transpassado por uma espada. Nossa Senhora também lhe pede que cunhe uma medalha segundo esse modelo e que os que a usassem receberiam grandes graças. Ela teve essa visão várias vezes até setembro de 1831.

Muitos desconfiaram e não foi fácil convencer os seus superiores a cunhar a medalha como Nossa Senhora havia lhe pedido.  Até que o arcebispo de Paris, dois anos depois, autorizou fazer 1500 medalhas. Para que! Em curto espaço de tempo estava difundida a devoção da medalha milagrosa e em pouquíssimo tempo se fabricaram mais de 20 milhões dessas medalhas, ficando a devoção conhecida dos católicos de todo o mundo.

No entanto, até a sua morte, ninguém soube quem era a irmã que tinha tido tais visões. Somente o seu confessor, quando da sua morte, revelou o segredo. Até então, ela viveu no anonimato, trabalhando na cozinha, na portaria e no serviço aos pobres. Ninguém imaginava que ela era “a irmã das visões da medalha milagrosa”.

Ela morreu em 31 de dezembro de 1876, mas a festa ficou para hoje devido às aparições de Nosa Senhora a ela terem se iniciado nesse dia.

Masss… é curioso um detalhe: tanto a ela quanto a Sta. Bernardete (que também está incorrupta – eu vi as duas!), Nossa Senhora aparece dizendo-se a Imaculada Conceição. No caso de Sta. Catarina, ela não falou explicitamente, mas a própria frase da medalha evidencia isso (“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!” -> concebida sem pecado = imaculada conceição). E isso, muito antes de ser proclamado o dogma da Imaculada. Ou melhor, pouco antes. O dogma foi proclamado em 8/12/1854 e ela teve essa revelação em 1830. E no caso de Bernardete, faziam só 4 anos de proclamado o dogma, ela teve essa revelação de N. Sra. em 11/02/1858. É revelador que a própria Virgem Ssma. veio falar o que a Igreja pouco depois ratificaria.

Em poucas semanas falaremos melhor sobre a Imaculada Conceição. Por ora, rezemos junto com Sta Catarina: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!

Calamidade!

Postado em Cidadania, Deu na Mídia, Santa Catarina, calamidade, chuvas em 25/11/2008 por Ju

Santa Catarina está, literalmente, debaixo d´água há dias! Cidade como Blumenau, Balneário Camboriú, Navegantes, entre outras, viraram verdadeiras poças de lama gigantes, com pontos aqui e acolá (casas, prédios…).

Itajaí está tomada pela água, Blumenau está numa situação tão caótica, que não há outro meio de buscar os desabrigados que não seja de helicóptero. Segundo a mesma matéria, “Pelo menos 13 pessoas morreram, cerca de 20 mil estão desabrigadas e 2.800 desalojadas devido aos deslizamentos e alagamentos. Trinta mil estão isolados na zona Sul da cidade.”.

Vi na televisão a força aérea resgatando muitas, muitas pessoas.  Inclusive uma mulher que estava grávida. Muitas pessoas, crianças deesperadas. Que cena terrível, triste, lamentável. É desolador ver pessoas assim, ver um do etados mais bonitos do nosso Brasil, debaixo de lama. Aqueles homens são verdadeiros heróis.

Está sendo feito em muitos etados, uma coleta de roupas, remédios, alimentos, colchões, etc, para ajudar essas pessoas que perderam tudo. A defesa Civil de SC abriu duas contas bancárias para receber doações. Quem quiser fazer doações pode depositar a quantia desejada nas contas do Banco do Brasil (agência 3582-3, na conta corrente 80.000-7) e do Besc (agência 068-0, na conta corrente 80.000-0). Os depósitos devem ser feitos para o Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ – 04.426.883/0001-57. Na conta do Bradesco, o depósito deve ser feito na agência 348-4, conta corrente 160.000-1, também em nome do Fundo Estadual da Defesa Civil.

O pensamento politicamente correto

Postado em Reinaldo Azevedo, direita, entrevista, esquerda, politicamente correto em 24/11/2008 por Ju

Meu amigo Márcio Antonio Campos, do blog Pai, perdoai-lhes; eles não sabem o que escrevem, onde analisa notícias publicadas na mídia sobre a Igreja, que frequentemente são dadas erroneamente (dai o nome do blog), trabalha na Gazeta do Povo, de Curitiba.

Ele fez uma interessante entrevista com Reinaldo Azevedo, onde aborda o conceito direita x equerda e o problema do politicamente correto. Eu trouxe essa entrevita para o blog por saber da sua relevância. Mas fico ainda mais feliz de ter sido um grande amigo que trouxe esses temas à baila na imprensa nacional.

Vai abaixo a íntegra da entrevista, tal como está no site da Gazeta de Curitiba.

“O pensamento politicamente correto levou à demonização da divergência”

Entrevista com o jornalista Reinaldo Azevedo

Há um ano, o PT realizava seu 3º Congresso Nacional e divulgava um vídeo em que, entre outras afirmações, defendia que “não há qualquer exemplo histórico de uma classe que tenha transformado a sociedade sem colocar o poder político de Estado a seu serviço”. O jornalista Reinaldo Azevedo, articulista da revista Veja, tem se dedicado a mostrar, em um dos blogs de política mais lidos do Brasil, como o PT coloca o Estado a seu serviço. Em O País dos Petralhas, livro que Azevedo lança quarta-feira em Curitiba, ele seleciona textos publicados no blog, além de artigos publicados nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo. Ao longo da obra, o leitor revive escândalos de corrupção, tragédias aéreas, bizarrices de presidentes vizinhos e até a visita do Papa ao Brasil. Confira alguns dos trechos da entrevista que Azevedo deu, por e-mail, à Gazeta do Povo.

Gazeta do Povo – A esquerda conseguiu associar “direita” e “ditadura” a ponto de haver uma vergonha coletiva em se dizer “de direita”. É possível escapar dessa armadilha em um país onde a memória do regime militar continua relativamente fresca?

Reinaldo Azevedo – O único caminho é demonstrar que isso é falso e, claro, correr o risco de não ser devidamente compreendido. Mas esse é o risco permanente de quem decide participar, de algum modo, do debate público. E eu, sem ser político, participo. A rigor, o trabalho de todo jornalista tem essa dimensão. Não estou certo de que exista uma memória negativa do regime militar. Acho até que acontece o contrário, o que não é exatamente bom. Afinal, falamos de um período em que não havia democracia. Acho que a associação negativa se dá entre “direita” e a tal “exclusão social”. Aí, sim, a esquerda é eficiente em propagar essa mentira. E, em certos ambientes subuniversitários, logo alguém se lembra de sacar aquela tolice do Bobbio segundo a qual um direitista é sempre um defensor do statu quo, e um esquerdista, alguém interessado em justiça. É uma definição pobre e estúpida.

E qual é a sua definição, então, de esquerda e direita?

Destacando que a minha definição vale para sociedades democráticas, com leis democraticamente votadas e instituídas, acho que o esquerdista é aquele que acredita que a lei possa ser transgredida para fazer o que ele chama “justiça social”, e o direitista é aquele que está certo de que a transgressão legal provocará sempre mais injustiça. Para um direitista, nessa acepção, o caminho das mudanças é sempre a reforma institucional. Nessa definição, é evidente que sou, então, de direita.

Está se espalhando na sociedade um modo binário de pensar: quem critica o delegado Protógenes é acusado de defender Daniel Dantas; quem critica o revanchismo da Lei da Anistia é chamado de “defensor de torturadores”; críticos do PT são rotulados de tucanos; adversários do MST são chamados de amigos de grileiros; opositores do socialismo são acusados de defender a exploração dos trabalhadores. Como se chegou a um nível tão simplista de debate político?

Chegamos a esse ponto com a demonização da divergência, graças ao pensamento politicamente correto. Perdemos os matizes, que são uma característica fundamental do mundo e do pensamento. É evidente que sempre participamos de um debate com conceitos de “certo” e “errado”. Isso é correto, é legítimo. Todos temos uma moral privada, pessoal, e adotamos uma ética pública, para o coletivo. Isso só se dá porque fazemos escolhas: “Isso eu aceito, isso não”. Pois bem. É preciso que fique claro que o outro também faz escolhas. E que elas podem não ser as minhas, nem por isso menos legítimas.

Quer dizer que todo pensamento, então, tem legitimidade e merece ser respeitado?

Não! De maneira alguma!

Então explique o que parece ser uma contradição com a sua resposta anterior.

No meu mundo, é proibido, por exemplo, solapar as regras do jogo democrático. Eu não tenho de ser tolerante com quem tenta destruir as leis que me garantem a liberdade, por exemplo. Não posso ser estúpido de permitir que meu inimigo, em nome dos valores dele, tente me silenciar, enquanto eu, em nome dos meus, garanto seu direito à palavra. Democracia requer reciprocidade e respeito às regras do jogo. O lugar de alguns líderes do MST é a cadeia não porque eles queiram reforma agrária, mas porque invadem propriedades privadas produtivas. E isso está fora da regra do jogo. O que é legítimo? Que eu ache a reforma agrária uma estupidez e que eles achem uma coisa boa. Mas eu tenho de seguir a lei, e eles também.

Muitos dizem que você é excessivamente agressivo às vezes; que, em certas circunstâncias, você pode deixar de lado a argumentação elegante. Na sua opinião, isso ocorre? Não há o risco de se fazer uma caricatura do “Reinaldo briguento”?

Cada um chame como quiser. Não me preocupo com isso. Já classifiquei alguns de “vagabundos” e “ratazanas”? Já. E não me arrependo. Se preciso, chamo de novo desde que se comportem como vagabundos e ratazanas. Não respeito quem faz jornalismo a soldo; não respeito quem, sob o pretexto de combater um empresário bandido, recebe dinheiro de outros empresários bandidos. Ora, isso não é jornalismo nem debate público. É coisa de gente mafiosa. Como também desprezo quem aluga sua pena ao governismo – geralmente, qualquer governo. Acham deselegante? Paciência. Já passei da idade de retribuir com flores quem vem com pedrada. Prefiro o bom argumento. Se querem enfiar o dedo no olho, também faço isso com excelência. Se você me pedir que diga se me acho muito bom no debate elegante, deixo para você julgar. Se você me perguntar se me acho muito bom em enfiar o dedo no olho do adversário, responderei sem hesitar: sim, sou muito bom. Quanto à caricatura, ela seria feita de qualquer jeito, ainda que eu fosse sempre um anjo de delicadeza. Veja o que fizeram com José Guilherme Merquior. E não estou me comparando a ele, não. Ora, sempre foi um príncipe, no texto e no trato pessoal. Era tomado como sinônimo de truculência e servilismo à ditadura. Agora morto, dizem: “Ah, ele, sim, era elegante, não esse Reinaldo, esse Diogo, esse Nelson Ascher”. Para eles, conservador bom e delicado é conservador morto.

Em abril de 2007, você comentava no blog que “o povo é de direita” (página 140 do livro) e apontava as falhas do DEM, incapaz de representar essa parcela da população. Alguma coisa mudou nesse ano e meio? O que falta para o DEM se tornar efetivamente um partido que represente os brasileiros “de direita”? Quem são os possíveis líderes de uma eventual direita brasileira? Existe algum deles no Paraná?

Começo pelo fim. Não me atreveria a citar possíveis líderes porque eles podem não gostar… fiz aquela afirmação com base numa pesquisa do Datafolha que demonstrava que os valores do tal “povo” são conservadores. E que nenhum partido, nem o DEM, assume essa perspectiva. Dou um exemplo claro: a população brasileira é majoritariamente contrária ao aborto. Mas não há um só partido com essa diretriz no país. Pior: os líderes políticos preferem driblar o assunto. Por quê? Medo de uma imprensa que é majoritariamente pautada pelos valores de esquerda. Eu não gostei quando o PFL mudou de nome, para DEM, porque a palavra “liberal” desapareceu das legendas brasileiras. Mas acho que o partido tem assumido posições corajosas, como fez liderando a resistência à CPMF. Mas não acredito que vá querer se colocar como uma legenda de direita, a exemplo do que acontece nas democracias européias. Seria esmagado pela imprensa. Não custa notar que ela chama o Democratas de “demo”. Ora, não se trata apenas de uma forma sincopada: trata-se, literalmente, da demonização de uma partido que não reza segundo a cartilha de esquerda. Mesmo sendo moderadíssimo.

Você vê algum partido europeu ou norte-americano que poderia servir de exemplo para a direita brasileira? Se existem, que características você destacaria nesses partidos que podem ser transpostas à nossa realidade?

Essa transposição é muito difícil. Cada uma dessas direitas está profundamente ligada à história local. Veja o caso dos franceses: tem-se ali uma direita antiamericana, por exemplo, uma questão derivada do século 19, reforçada depois pelo gaullismo. A espanhola tem características ligadas à Igreja Católica que são muito próprias. A direita italiana vive a sua fase circense… eu tenho grande admiração por tudo aquilo que os republicanos representam nos EUA. Ali se trava ainda uma luta que considero essencialista: o indivíduo contra o Estado. Tenho enorme admiração por aquele “meião” vermelho, vermelhos republicanos que dizem “deixem-me em paz”. São ridicularizados pelo militantismo politicamente correto porque este não cessa de ser estúpido. De lá saíram os soldados que atravessaram o Atlântico ao menos três vezes para lutar na Europa. A Normandia esconde muitos cadáveres daquela brava gente.

Você critica o PT por tentar destruir a oposição, a ponto de haver petistas dizendo que o DEM deveria ser extinto. Em Curitiba, há um cenário em que a oposição na Câmara é praticamente inexistente, e o Legislativo municipal atende a todas as vontades do prefeito, que é do PSDB. Como você avalia essa situação?

Não conheço a situação curitibana. Em tese, a inexistência de oposição é ruim para a política e para os cidadãos. O que não quer dizer que toda oposição seja boa e de princípio. Há gente que resiste a isso ou àquilo para aumentar o valor do resgate… mas aí é preciso fazer uma distinção: o PSDB é um partido com um projeto “hegemonista”? Não! Ainda que, em Curitiba, seja como você diz. O PT votou contra todos – TODOS – os projetos modernizantes do governo FHC. Aliás, negou-se a homologar a Constituição. PSDB e PFL, agora DEM, pagaram na mesma moeda? Não: ajudaram o PT a fazer a reforma da Previdência que o PT os impediu de fazer, por exemplo. Você já viu tucano ou democrata atacando o superávit primário ou a Lei de Responsabilidade Fiscal? Você os viu tentando sabotar o PAC ou, agora, as MPs contra a crise? Isso é participar do jogo democrático. Não são partidos que lidam com a lógica do presente eterno.

Caso o PT não consiga emplacar um nome viável para 2010 e perca as eleições, e considerando o sucesso dos métodos de Gramsci usados hoje, você vê possibilidade de um retorno de Lula em 2014?

Lula será sempre uma ameaça de retorno… se o PT perder as eleições em 2010, veremos de novo o PT que conhecíamos até 2002: vai tentar inviabilizar o próximo governo. E estará numa posição privilegiada para isso, já que tem o domínio dos sindicatos, está infiltrado no Judiciário, no Ministério Público, na Polícia Federal, na Abin, nas estatais, nos fundos de pensão, na padaria da esquina… o PT aparelha até festa de batizado e velório. Ora, o partido e a CUT, que é seu braço sindical, deram apoio, em São Paulo, a uma greve de policiais civis que foram armados às ruas. Destaco: greve de gente com arma na mão. Um coronel da PM foi baleado. O nome disso é sabotagem.

O primeiro capítulo de seu livro reúne textos sobre a imprensa, e sobre como ela engole facilmente qualquer versão esquerdista da realidade. É possível “desaparelhar” as redações no Brasil? Como?

Se soubesse, juro que diria. O fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista, no médio prazo, pode ser útil. Escolas de jornalismo são verdadeiras madraçais da esquerdopatia. Elas odeiam a imprensa. No mais, o caminho é fazer o debate público. Até porque nem todo mundo sabe que está seguindo uma cartilha.

No livro Bias, Bernard Goldberg fala do viés liberal da imprensa norte-americana, e afirma que muitos jornalistas não acordam de manhã e decidem atacar os conservadores; eles fazem isso automaticamente porque aprenderam a pensar assim: que os conservadores são maus. Esse pensamento é tão impregnado que o jornalista nem precisa ter a intenção de agir como age. Você vê esse “aparelhamento inconsciente” no jornalismo brasileiro?

Concordo, claro. Realiza-se a antevisão de Gramsci, segundo quem o Moderno Príncipe, que é como ele chamava o partido que conduziria a passagem para o socialismo, deveria atuar como um novo “imperativo categórico”, como um “laicismo moderno”. Até para se opor ao Moderno Príncipe seria preciso pertencer ao Moderno Príncipe. O caso dos palestinos é muito ilustrativo. Nove entre dez jornalistas são capazes de jurar que as lideranças palestinas praticam apenas resistência e são meras vítimas das maldades de Israel. Por quê? Porque a causa foi adotada pelas esquerdas, e eles se tornaram vítimas oficiais do establishment esquerdista da academia e da imprensa. As pessoas se contentam em ser ignorantes, desde que sejam tidas como generosas.

Quem lê seu blog sabe que você é um admirador de Bruno Tolentino e de Musil. Além deles, quem são seus principais mestres? O que cada um deles lhe ensinou de mais importante?

Seria uma resposta muito extensa, até porque gosto de muita gente pelos mais variados motivos – e tenho alguns gostos que são perversos… para estar nessa atividade, é preciso ler Weber e Marx, Burke e Tocqueville, Locke e Hobbes. Eu gosto das ironias do Marx político e da linguagem militante de Trotsky, embora possa odiar tudo o que está lá. No que respeita à literatura, não tenho gostos muito raros ou exóticos. Jornalista brasileiro que não lê – com verbo no presente – Machado, Eça e Padre Vieira está sendo deseducado com o leitor. Porque eles apresentam soluções geniais de linguagem que nos são úteis.

Nos comentários do seu blog percebe-se que os mesmos leitores que concordam com você no âmbito político discordam, às vezes com bastante veemência, quando você trata de assuntos como aborto, educação sexual e pesquisa com embriões. É paradoxal que as pessoas sejam ao mesmo tempo conservadores na política e liberais nos costumes?

Não, é até bastante coerente. Existe uma sólida tradição do pensamento liberal anti-religioso. É compreensível que assim seja. Também entre os conservadores há matizes, que vão, vá lá, do “conversador conservador” – talvez eu seja um deles – ao “conservador liberal”. Eu entendo que existam essas restrições e as considero legítimas. Se eu conseguisse justificar, perante a minha própria consciência, o aborto e a destruição de embriões, com propósito tão nobre, eu o faria. Mas não consigo. E expressar as minhas restrições é uma questão de honestidade intelectual e moral com os leitores. Ainda que eles me batam um pouco por isso.

Depois de alguns lançamentos, seus leitores comentaram sobre a atenção individual que você deu a eles, sobre o fato de ter se lembrado de cada um. Se o número de leitores aumentar exponencialmente graças à divulgação do livro, você acha que será possível manter essa relação tão individualizada com eles?

Sou sempre atencioso com quem fala comigo porque sou mesmo assim. Não preciso forçar a barra. Como bato muito duro às vezes – mas só em larápios e ratazanas -, muita gente acha que tenho temperamento irascível. Não tenho. Sou uma pessoa quase sempre feliz. Ao contrário até: detesto gente que faz praça de seus maus bofes. Os leitores costumam participar do debate com apelidos. Lembro-me de muitos. Minha memória para textos sempre foi muito boa. E continua, apesar dos meus 47 anos. Sou péssimo para caminhos. Se sair para comprar cigarros, corro o risco de me perder… ainda bem que não sou – acho que não – tão desorientado quando leio ou escrevo. Mas sei que esse não é um juízo unânime. Paciência!

Colaborou Breno Baldrati

Decisões

Postado em Opus Dei, Pessoal, amigos, decisões, meditação, sabedoria em 23/11/2008 por Ju

A vida é feita de decisões, muitas delas e a todo o tempo.

Eu tenho sido “intimada” a tomar decisões frequentemente.

Meses atrás, quando eu estava me firmando mesmo na fé, precisava muito de amigos. E os encontrei. Conheci a Cris, a Sônia (não falo da Sônia lá do RJ, que somos amigas há anos), o Luis Guilherme, o Rafael Cresci, entre outros tantos que não quero ser injusta de equecer alguém. Ele me ajudaram a ver muitas coisas. Mas também me intimaram a tomar decisões.

Por exemplo. Quando da sagração de D. Keller como bispo de Frederico Wetphalen (RS), fomos almoçar eu, o Alessandro Lima, o Rafael Cresci, o Carlos Nabeto, o Luis Guilherme, O Márcio Antônio e o Cledson no Galeto´s da Alameda Santos. Entre papos, conversas e tudo o mais, eles me “intimaram” a escrever mais, já que a minha conversão foi algo consciente, inteligente e intelectual. Eu aceitei o desafio. Mas dá um trabalho… Hehe!

Aí foi a vez de conhecer a Obra com a Cris. E lá conheci também a Sônia, que tem sido muito usada por Deus na minha vida. Eu tenho sido, por ela e pelo meu diretor espiritual, chamada a rever as minhas prioridades e a organizar (ô troço difícil, rsrs…) a minha vida. Tenho sido desafiada por frases como:


Se você não se levantar a uma hora determinada, nunca irá realizar seu plano de vida e Sem um plano de vida você nunca terá ordem.

São frases de S. Josemaria Ecrivá, que tem sido sempre “marteladas” pela Sonia e pelo meu diretor espiritual. E eles (os 3, S. Josemaria e eles) têm razão. Sem ordem, não se é ninguém. Tenho me sentido inútil, literalmente. E se eu não decidir a pôr ordem na minha vida, não sairei do lugar onde estou. Eu não quero ser mais alguém, sabe? Não quero a mediocridade. Mas para sair da mediocridade e ser alguém relevante, tenho que pôr essas coisas, pequenas mas difíceis, em prática.

E preciso, urgentemente, trabalhar ou ir fazer um curso. O rolo será grana, pois algumas coisas são básicas mas consomem uma grana… E tenho 2 opções: cortar muita coisa e pegar a grana que sobra e fazer o tal curso ou então arranjar um trabalho extra e com esse dinheiro, estudar.

Só sei que ano que vem não poderei ficar como eu estava.

Cara nova!

Postado em Novidades, blog em 22/11/2008 por Ju

Vocês devem ter visto que o blog tem uma cara nova a partir de hoje. Espero que tenham gostado.

Eu estava achando o visual do blog muito seco, frio… Só preto e branco eram as cores do blog!! Queria dar mais cor, mais feminilidade, mas sem cair naqueles layouts cheios de frufrus e bonequinhas, aff! Não tenho mais 15 aninhos e também a proposta do blog é abrangente demais para ser um blog assim. Precisava ser tb um layout prático, além de bonito. 

Eu pretendo colocar assuntos mais variados aqui, como esportes, política, viagens, etc… E quero, em breve, fazer um blog só de receitas e gastronomia.

Tecnologia a favor da fé

Postado em Deu na Mídia, Liturgia, Novidades, Oração, Tecnologia em 19/11/2008 por Ju

Vejam que interessante. Sempre vemos o nosso mundo nos afastando da oração, deixando-nos mais individualistas e fechados em nós mesmos. E sempre se foca que a tecnologia cooperou para isso, já que hoje você tem tudo em mãos, todos saimos de casa com nosso celular, um mp3 player, etc. Os “applemaníacos” já não usam celular, mas IPhone. E também não usam mp3 que nada! A deles é o IPod. O touch está no topo dessa lista.

E não é que um padre italiano desenvolveu um aplicativo, o IBreviary, que poderá ser usado em um IPod Touch ou no IPhone? Vejam a notícia, tal como foi veiculada pela ZENIT:

O iPhone pode se tornar um instrumento de oração e meditação graças ao iBreviary, um aplicativo idealizado pelo Pe. Paolo Padrini e desenvolvida por Dimitri Giani. O software, de 800Kb, descarrega através da conexão do iPhone ou o iPod Touch as orações do dia salvando-as no dispositivo.

O funcionamento é muito simples: basta acionar o programa e automaticamente, com uma conexão à Internet disponível, os novos dados são baixados. Se não houver conexão disponível, o aplicativo mostra as últimas orações baixadas.

A iniciativa, explica um comunicado recebido por Zenit, representa «uma contribuição à nossa cultura européia radicada em séculos de experiência religiosa para cada pessoa desejosa de um espaço de espiritualidade e de meditação». O iBreviary se propõe ainda a levar aos dispositivos de última geração, através de upgrades futuros, outras orações (Rosário etc.), e também integrar o Breviário com versões em outros idiomas (inglês, espanhol, latim) e através da inserção de áudio (canto gregoriano e italiano) para poder escutar junto ou alternativamente à oração recitada.

O iBreviary constitui «uma nova forma, atual e ao mesmo tempo ancorada na tradição, de fruição fácil e intuitiva» da oração cotidiana e permitirá ao fiel cristão católico rezar com simplicidade».

A iniciativa será útil a «todo homem desejoso de alimentar a própria espiritualidade, de encontrar uma útil ajuda pela reflexão e a meditação», permitindo «aproximar-se com maior freqüência aos textos da Bíblia, patrimônio mundial de cultura e espiritualidade».

Então, os que deixavam de rezar usando como desculpa a não-acessibilidade do breviário (é grande, pesado, etc), agora não terá mais desculpas, rsrs. Estará a um clique no seu IPod Touch ou IPhone. Basta querer.

Ficou curioso? Quer saber mais a respeito? Visite esse site e você terá acesso ao IBreviary.

Quando retornar?

Postado em Pessoal, karatê em 18/11/2008 por Ju

Eu estou ansiosa, agoniada até, pelo retorno ao tatame. Quero voltar a treinar, lutar… Se bem que luta mesmo, nunca lutei. Competição, etc, nunca foi minha praia. Mas gosto de assistir.

O karate me faz um bem enorme, me incentiva a perseverar, me anima a cuidar da minha alimentação, horários, disciplina. Coisas em que eu sou negligente, é fato.

Mas a fisioterapia foi interrompida pela minha peregrinação, e agora que retornei ao Brasil, quem está viajando é o Ricardo (pra minha alegria o Rico não é só meu sensei, mas tem sido meu fisioterapeuta também), em uma competição na Índia. Aí tem que retomar o ritmo, hehe, e daí fazer a última parte da reabilitação, que é ganhar potência e força. Para aí eu ter confiança de novo em fazer os movimentos.

O fato é que parece que só no começo do ano poderei retornar. Ah, que saudades de treinar.