Arquivo para Dezembro, 2008

Missa de Natal

Postado em Estudos, Liturgia, Natal em 25/12/2008 por Ju

NATAL SEGUNDO LUCAS

(Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

O NASCIMENTO

O RECENSEAMENTO: Aconteceu, naqueles dias, saiu um decreto do César Augusto para recensear-se todo o mundo romano (1). Factum est autem in diebus illis exiit edictum a Caesare Augusto ut describeretur universus orbis. DECRETO: Dogma em grego e edictum em latim significava uma lei partindo diretamente do Imperador, neste caso AUGUSTO: Seu nome era Caio Júlio César Octaviano Augusto [Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus em latim], sendo Caius [alegre] o nome próprio; Júlio [cheio de juventude], o familiar da família Júlia; César [cabeludo], o adotivo como filho do famoso César do qual era sobrinho neto; Octaviano [o oitavo] como apelido, pois assim se formavam os nomes romanos e o terceiro nome era o usual, e Augusto [sagrado], por ser declarado divino, pois adotou a efígie de Filho de Deus (Divi filius, em latim). O termo aparece daí para frente em moedas com a efígie de Octávio (ele queria que o seu pai adotivo, Júlio César fosse glorificado como um deus e ele próprio fosse considerado uma figura divina). Antes de sua glorificação era conhecido como Octaviano. Na onomástica romana, o conjunto usual dos três nomes formavam o nome completo de uma pessoa. Seria, pois, Caio Júlio Octviano. Depois, o nome recebido pela História como principal, foi Augusto, com o qual também os outros imperadores foram denominados. Como Imperador, Augusto reinou em Roma com poder único, desde 27aC até 14dC, num total de 41 anos. RECENSEAMENTO: O primeiro dos três recenseamentos de César Augusto foi feito no ano 28 aC [ano a ser declarado princeps senatus, cabeça do senado], que corresponde ao 749 da fundação de Roma. Havia duas classes de censo pessoal: a) o dos cidadãos romanos (census populi) tanto na Itália como nas províncias. Em grego apotímesis tou desmou (censo do povo), era feito com a finalidade de recolher impostos ou exigir o serviço militar. Normalmente requeria uma declaração (apografê) e uma valoração das propriedades (timêsis). Este tipo de censo foi feito nos anos 28 aC, 8 aC, e 14 dC. b) dos incolae, ou habitantes nas províncias que não tinham cidadania romana. Chamava-se também apografê, palavra que usa Lucas, e fazia-se nas províncias, dependendo das condições da demarcação em curso. Por exemplo, no Egito, cada 14 anos desde o 33/34 aC. Nas Gálias 27 e 12 aC e 14-16 dC. E consta que na Lusitânia (Portugal), Espanha e Judéia realizaram-se também esta classe de apografés. Nas província imperiais, os delegados, como era o caso da Síra-Palestina, podiam convocar o censo por própria vontade. Distinguia-se também entre apografé, um termo genêrico para qualquer tipo de censo e apotímesis, termo técnico para um censo para fins fiscais. No nosso caso, não parece ser um censo fiscal mas uma convocação para prestar um juramento de fidelidade a César no tempo de Herodes, feito por comparecimento, à semelhança do que foi feito em Paflagônia. Este juramento foi feito por ordem de Roma e com os procedimentos romanos: isto é, no lugar de residência de cada um, especialmente no Oriente, em que abundava a população flutuante. Foi feito para congraçar-se com César, aproximadamente no ano 7 aC. Seis mil fariseus se negaram e foram multados, multa que foi paga pela mulher de Ferora, irmão de Herodes. Este censo-juramento do ano 7/6 aC foi feito antes do censo de Quirino, legado da Síria no ano 6/7 dC. Por que Lucas escreve sobre Quirino se não era propriamente esse o censo que obrigou José a ir a Belém? A solução é a memória incorreta dos judeus que consideravam como datas memoráveis tanto a morte de Herodes como o censo de Quirino em que os tumultos do povo foram notáveis. Por outra parte, devemos ter em conta que tais censos demoravam anos para serem cumpridos. Daí que, por exemplo, no Egito, se realizassem cada 14 anos. A data, pois, de Lucas podia ser traduzida por: “antes do famoso censo de Quirino”. Este censo foi feito no tempo em que Sentio Saturnino era legado da Síria (9-6 aC), segundo diz Tertuliano. A apografê ou inscrição de pessoas e propriedades iniciou-se em tempos de Saturnino (7/6aC). Por isso Lucas usa unicamente a palavra apografesyai <583> [apografesthai e em latim decribertur], mas a ulterior apotimesis ou objetivo cadastral dos dados registrados, foi realizada por Quirino(6/7 dC ) com a conseguinte revolta dos contribuintes judeus. A OIKOUMENE: temos traduzido por mundo romano. A Vulgata diz orbis, mas que na realidade era o território sob o domínio do Império. Mais tarde significará o mundo, na frase urbis et orbis. Quando os evangelistas tratam da terra prometida, ou Palestina, falam com o nome de terra ou toda a terra. Era o Eretz Israel.

QUIRINUS: Este recenseamento, principal, sucedeu, estando governando a Síria, Quirino (2. Haec descriptio prima facta est praeside Syriae Cyrino.RECENSEAMENTO: [DOGMA] Com o significado de opinião ou doutrina filosófica; e, a nível civil, decreto, edito. PRIMEIRO: Autë ë apografë prötë [auth h apografh prwth = Haec descriptio prima = Este o registro primeiro]. Há uma divergência notável na interpretação quanto ao adjetivo prötë [prwth <4413> no latim prima]. Prote, feminino de protos, significa, como adjetivo, principal, o mais distinguido e neste sentido o primeiro em ordem de tempo ou espaço. Exemplos: A roupa ten proten [mais excelente] em Lc 15, 22 será a vestida pelo pródigo. Este é o prote e grande mandamento (Mt 22, 38). Herodes convidou os protoi da Galiléia (Mc 6, 21). Nestes casos, significa principal muito mais do que primeiro. E com o segundo significado de ordinal temos: na prote emera, [dia] em Mc 14, 2. Modernamente a frase de Lucas seria melhor traduzida como anterior ao censo de Quirino, no lugar de primeiro censo de Quirino. Já temos dito que a frase era bastante estranha e que a tradução era difícil. Todo o parágrafo indica: A) que na Palestina houve vários recenseamentos; B) que entre eles, este foi o primeiro ou o principal. PUBLIUS SULPICIUS QUIRINUS: (Cyrinus em latim). No ano 12 aC foi proclamado cônsul em companhia de Valgio Rufo. Tácito fala dele como um soldado intrépido e disciplinado que lutou contra os bandidos homonadenses na Cilícia ao sul da província da Galácia, sudeste da Ásia Menor, lugar montanhoso e terra perigosa pelos bandidos. Estrabão disse que, após cortar toda possibilidade de mantimentos, fez 4 mil prisioneiros e os deportou, de modo que ficaram as terras sem homens. Após o ano 4 aC foi Rector (assessor) do filho adotivo do imperador, vice-rei na época das províncias orientais entre as quais estava a Síria. Ao unir à Síria os territórios de Arquelau, ano 6 Dc, Quirino foi o Legatus (delegado) da Síria, encarregado de fazer o censo na província e vender os bens patrimoniais de Arquelau na Palestina. Censo que é descrito por Atos 9, 37 e que deu lugar à insurreição de Judas, o Galileu. hgemoneuontoj thv suriav kurhniou = ëgemoneuontos tës Surias Kurëniou = facta est praeside Syriae Cyrino= foi feito sendo Quirino presidente da Síria. A tradução latina e a tradução da RA dão suporte a uma péssima interpretação: Quirino era o autor ou, pelo menos, o executor desse recenseamento. O grego não diz isso. Mas que o recenseamento aconteceu [egeneto] no tempo em que ele era o magistrado ou poder supremo na Síria. O latim contribuiu para a errônea idéia de que Quirino foi o que levou a cabo o censo, com o factum est que tanto significa sucedeu como foi executado. A BJ traduz: esse recenseamento foi o primeiro, enquanto Quirino foi governador da Síria. De fato, quem executou o recenseamento foi Herodes, o Grande, a pedido de Augusto. E foi no tempo em que Quirino era o chefe militar da Anatólia que, no seu tempo, abrangia provavelmente a Síria. Historicamente, podemos determinar estes dados: no ano de 133 a.C., Roma obteve como herança, após a morte do rei Átalo, de Pérgamo, a cobiçada província da Ásia. Em 129 a.C. Ásia se transforma em província proconsular. De 74 a 66 a.C., sob a liderança de Cneu Pompeu (Gnaeus Pompeius), Roma bateu o Rei Mitrídates VI do Ponto, numa disputa pela província da Ásia. Em consequência, foram incorporados ao Império Romano os territórios da Síria, Bitínia, Ponto, Cilícia, Galácia, Capadócia, Lícia e Panfília. A Armênia tornou-se um Estado vassalo. Será em 64 a.C. que Cilícia e Chipre (Cilicia et Cyprus), tornar-se-ão província pró-pretorial. PRESIDENTE: hegemonos, é traduzido por governador, mas deveríamos traduzir por autoridade máxima num dado território. Atualmente corresponde ao Presidente ou Governador de um Estado ou Província. De fato, Quirino foi cônsul no ano 12 aC e um ano mais tarde era nomeado Procônsul da Ásia num período compreendido entre 11 a 2 aC. Este é nosso caso. O pro significava estar no lugar de. Como era quase impossível a escolha anual de magistrados romanos nas províncias, estes eram escolhidos, à dedo, por um largo período e daí o nome de procônsul, propretor e proquestor. Quirino, pois, teve a maior magistratura na província da Ásia que, entre seu território, compreendia a Síria. Com a criação das províncias romanas, competia ao Senado nomear os governadores provinciais, o que era feito por meio de senatus consulta que designavam cidadãos romanos quer como procônsules, quer como propretores. Para as províncias mais tranquilas, o Senado nomeava propretores (propraetores, em latim), que haviam exercido a pretura no ano anterior. Para governar as províncias mais difíceis (na fronteira, por exemplo), geralmente com contingentes militares, o Senado designava procônsules (proconsules), que haviam servido como cônsul no ano anterior. Em ambos os casos, os funcionários mantinham, nas províncias, o mesmo nível de imperium de que gozavam no ano anterior, como cônsules ou pretores, o que lhes dava uma autoridade quase ilimitada nos assuntos provinciais. E Publius Sulpicius Quirino foi nomeado cônsul junto com Válgio Rufo no ano 12 aC [justo um ano antes de seu proconsulado na Síria] e teve que enfrentar os bandidos armados da Cilícia [tudo concorda evidentemente com a narração de Lucas]. Uma outra questão é por que Lucas introduz este personagem. Pela simples razão de que era o mais conhecido dos hegemonos romanos entre os judeus, que nunca ouviram falar possivelmente de um suposto Gneus Sentius Saturninus legado imperial de 9 a 6 aC na Síria. Conclusão: Sabemos que Sulpício Quirino, nos tempos da morte de Herodes, estava à frente de uma expedição militar nas províncias orientais do Império, ou seja na Síria, da qual formava parte a Cilícia (Tácito), com a evidência de que ele era um co-regente do governador, Quintílio Varo [o famoso general que perdeu em Teoturgo as legiões germânicas em 9 dC]. Era, pois, Quirino o chefe de uma missão militar, entre 12 e 6 aC. quando andava ocupado em vingar, na Cilícia, a morte do rei Amintas e esmagava os rebeldes homônades que tinham ousado enfrentar o poder de Roma. Este fato não pode fixar-se com toda a precisão, mas deu-se indubitavelmente entre o ano 9 e o ano 6 antes de Cristo. Como chefe militar, seu imperium era superior ao de qualquer outro magistrado e, sob as suas ordens, foi feito um recenseamento, mas a data deste é desconhecida.

A SUA CIDADE: Assim todos iam para se registrar cada um à (sua) própria cidade (3). et ibant omnes ut profiterentur singuli in suam civitatem. REGISTRAR: apografamai [apografamai em latim profitereor]. Já temos escrito sobre o apografé, termo técnico, genérico para qualquer tipo de censo, que o latim traduz como descriptio, usado de modo especial para a leva dos soldados e, neste caso, para o censo, ou domiciliação. É curioso que tendo em latim a palavra census, que significa domiciliação propriamente dita, ou seja, o censo da pessoa, bens e família, a Vulgata traduz por uma palavra usada para o alistamento dos soldados. `Por outra parte, o temo protiteretur, com o significado de declarar é usado como tradução, em duas vezes, do mesmo termo técnico apografê ou do seu verbo apografamai. No latim, a dúvida existe:era um alistamento, ou um censo domiciliar de pessoas e bens? O acompanhamento de Maria que o grego parece ser parte do recensemento, indica que também as mulheres formavam parte do mesmo (vers 5).CIDADE: Idia grego indica origem familiar, de modo que ta idia indica a casa,o lar. O latim fala de sua,que pode ter um sentido um pouco diferente. Era, pois, onde José tinha sua parentela e suas propriedades, segundo a Lei que derminava as parcelas das tribos e famílias.

BELÉM: Subiu, pois, também José da Galiléia, da cidade de Nazaré para a Judéia, à cidade de Davi, a qual é chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi (4). Ascendit autem et Ioseph a Galilaea de civitate Nazareth in Iudaeam civitatem David quae vocatur Bethleem eo quod esset de domo et familia David. Beit lehem em Hebraico, sigifica casa do pão aproximadamente a 10 km a sudeste de Jerusalém com uma população atual de 30 mil habitantes. È uma das mais antigas comunidades cristãs, embora hoje diminuída pela emigração, devido ao muro de separação da ocupada Jerusalém do Este que forçou os cristãos a buscar sua seguridade na Jerusalém judia e no exterior. Era aí onde nasceu Davi. E donde foi coroado rei de Israel. Foi saqueada em 529 dC pelos samaritanos e restaurada pelos bizantinos em tempo de Justiniano I. Conquistada pelos árabes do califa Umar em 637 que garantiu segurança para os lugares sagrados. Capturada pelos cruzados em 1099, até que Saladino a conquistou em 1187. Em 1250 passou aos Mamelucos e logo formou parte do império otomano. Das mãos dos britânicos em 1947 foi, finalmente ,na guerra dos seis dias em 1967, conquistada pelos israelitas. Hoje, sua vida depende dos peregrinos, com 30 hotéis e 300 lojas de souvenires. SUBIU: A viagem demorava três dias e era feita em caravanas. Provavelmente José se serviu dos que subiam a Jerusalém para as festas da Páscoa, ou seja no início da primavera porque é nessa época em que os pastores podiam estar perto de Belém. Na realidade era uma subida, especialmente nos últimos trechos em que de Jericó [sob o nível do mar] devia subir até Jerusalém e Belém a 760m sobre o nível do mesmo. DAVI: Como todo judeu, a descendência era do pai. E José era para todos os efeitos o pai de Jesus. José era descendente de Davi, e é comprovado pelas duas genealogias, tanto de Mateus como de Lucas. As genealogias eram os instrumentos jurídicos de que se serviam os israelitas para definir sua identidade e a posse das terras. Nem sempre tinham uma relação completa dos ascendentes, mas só os mais importantes. Hoje as podemos comparar com o DNI.

MOTIVO: Para se registrar com Maria a sua esposa, estando em cinta (5). Ut profiteretur cum Maria desponsata sibi uxore praegnate O acompanhamento de Maria era por ela estar grávida, ou porque ela também devia se registrar? Ambas as suposições são válidas. Mas a pergunta é: Qual foi a intenção de Lucas ao narrar este relato? Sem dúvida enquadrar o nascimento de Jesus com fatos históricos conhecidos na sua época. À parte essa intenção, temos a ação do Espírito que nos dá detalhes para combater uma das mais sugestivas heresias do primitivo cristianismo: o docetismo, que pretendia provar que o corpo de Jesus era aparente ou a heresia do gnóstico Marcion. Os detalhes de seu nascimento desbaratam semelhante disparate. Uma outra intenção é ligar Jesus com Davi, não unicamente como descendente, da mesma tribo, mas também como um nascido no mesmo lugar, para indicar a ininterrupção da realeza fundada no mais famoso dos reis de Israel. O nome Betlehem, casa do pão, é simbolicamente uma referência ao que chamar-se-ia pão descido do céu ( Jo 6, 51). Belém era a cidade de Davi e seria logo a cidade de Jesus.

CUPMRIU-SE O PRAZO: Sucedeu, pois, que estando eles ai, cumpriram-se os dias de ela dar à luz (6). Factum est autem cum essent ibi impleti sunt dies ut pareret. Pelo que vemos no relato, a estância de José e Maria em Belém não era um chegar e buscar albergue entre parentes e amigos, porque já era o momento de dar à luz.

O NASCIMENTO: E deu à luz o seu filho, o primogênito e o enfaixou e o reclinou numa manjedoura porque não havia para eles lugar na sala de estar (7). 7 et peperit filium suum primogenitum et pannis eum involvit et reclinavit eum in praesepio quia non erat eis locus in diversorio. Os termos usados para o nascimento de Jeus são comuns a todas as mulheres mas temos duas palavras que merecem nossa atenção: PRIMOGÊNITO: A palavra protótokos (primogênito ou primeiro nascido) tem um valor técnico, religioso. Traduz a palavra hebraica BEKOR, que tem valor semântico como primícias que devem ser dadas a Jahveh. Nada indica sobre outros filhos. Um filho único é primogênito segundo a linguagem bíblica. KATALIMA: O que não é normal é o presépio e por isso Lucas deve dar a razão do mesmo: Não havia lugar para eles no KATALIMA. O significado inicial da palavra era o quarto de hóspedes. A palavra tem origem em kataluein, verbo que significa desatar. Era inicialmente o lugar em que se desatavam as cavalgaduras após a viagem (malon em hebraico) ou albergue noturno. Ou seja um albergue, que pode ser até uma casa particular, Lishk. A sala de invitados como em 1Sm 1, 18 (só nos setenta). Tanto Marcos (14, 14) como Lucas (22, 11) usam katalima para a sala de refeição da última ceia, que a vulgata traduz por refectio (refeitório) em Marcos e diversorium (alojamento) em Lucas. E dizem ambos os evangelistas que o dono mostrará o ANAGAION (cenaculum em latim) em ambos os casos. Uma solução moderna é dada pela arqueologia: As casas de Belém não eram covas escavadas no monte, como eram, em parte, as de Nazaré, mas construídas ao redor de um pátio comum. Eram casas de dois andares. O andar inferior era uma cobertura em forma de arco ou abóbada, sobre a qual estava a casa propriamente dita à qual subia-se por uma escada externa. Nessas habitações do andar superior não havia lugar, nem espaço físico disponível, nem lugar decente para um parto. Por isso escolheram o andar inferior, estábulo dos animais. A tradução albergue, tradicional, pode ser admitida mas estaria em contra da realidade histórica e dos costumes tradicionais do povo hebreu. A mais moderna que temos transcrito é a preferível hoje em dia. E a cova? Com o nome de sphlaion [spëlaion] aparece np proto-evangelho de Tiago e em S. Justino(+165).A cova estava situada a três milhas de Belém. O relato é tão cheio de fatos milagrosos que mais parece fantasia solta que realidade. No estábulo ao qual correspondia a manjedoura podiam ser encontrados asnos, ovelhas e cabras mas não bois, que não existiam nessa região.

OS PASTORES

A CUSTODIA: Havia, pois, naquela região pastores vivendo nos campos e guardando à noite seu rebanho (8). Et pastores erant in regione eadem vigilantes et custodientes vigilias noctis supra gregem suum. Os pastores eram nômades que viviam no descampado, pastoreando seu rebanho e à noite faziam suas vigílias para guardá-lo. Geralmente não eram os donos do rebanho e daí que muitas vezes se aproveitavam do leite e da carne, sendo considerados como ladrões; e como ciganos por sua índole nômade.

O ANJO: Então eis que um anjo de(o) Senhor deteve-se de pé sobre eles e a glória de(o) Senhor brilhou ao redor deles e temeram com grande medo (9). Et ecce angelus Domini stetit iuxta illos et claritas Dei circumfulsit illos et timuerunt timore magno. A falta de artigo em o Senhor indica uma tradução direta do hebraico HäݾH…S p ~AyW~Y [milke Jahveh] ou aramaico. A descrição do anjo parece-se muito com a que nos narraram os pastores de Fátima: a forma de um jovem de 14-15 anos, mais branco que a neve e transparente como o cristal atravessado pelos raios do sol, e muito belo. Essa transparência de luz, como o cristal quando passam por ele os raios do sol, é a doxa ou glória que brilha ao redor dos pastore e como em Fátima, eles tiveram muito medo. Parece que a Virgem quis se assemelhar nas aparições do anjo às que prepararam o anúncio da vinda de seu Filho. Ela, sem dúvida, foi a autora dos primeiros capítulos de Lucas com suas memórias. A DOXA (o Kabod Jahveh) os envolveu de luz. No grego clássico doxa é a opinião favorável dos homens. No grego bíblico corresponde à tradução de Kabod ou seja a manifestação visível de Deus junto a seu povo, rodeando o tabernáculo (Ex 16,10) ou o templo na visão de Ezequiel (Ez 9,3). No anjo, Deus existe como nova moradia e a sua luz envolve os corpos simples dos pastores. São os novos tabernáculos, segundo o que Jesus declara à samaritana (Jo 4,24).

O ANÚNCIO: E lhes disse o anjo: Não tenhais medo. Eis, com efeito, que vos anuncio uma grande alegria, a qual será para todo o povo (10). Porque vos nasceu hoje um Salvador que é um Ungido Senhor, na cidade de Davi (11). Et dixit illis angelus nolite timere ecce enim evangelizo vobis gaudium magnum quod erit omni populo. quia natus est vobis hodie salvator qui est Christus Dominus in civitate David. euaggelizomai <2097> [evangelizomai = evangelizo latino]. Mais do que um simples anunciar, era trazer uma boa nova. Esta era o nascimento de um Salvador, Messias Senhor, que por sua vez era causa de um grande gozo para todo o povo de Israel. Pois o Laós bíblico significa o povo escolhido diferente do ethnos, povo gentil. Soter (Moshaá) é o titulo de Deus quando realizava atos salvadores. Da raiz Yesha (salvação), provém o nome Yeshuá, nome em hebraico que traduzimos por Jesus. O segundo título dado pelo anjo é o de Cristo, (Khristós ou Mashiáh) Ungido. No AT era o título dos homens cuja missão era acompanhada de uma unção: o rei, o sacerdote e o profeta. O terceiro título é o de Senhor (Kyrios, que no AT era a tradução de Jahveh, no hebraico Mareh [só para reis e deuses] e daí a fórmula maran athá= Senhor, vem! em 1 Cor 16,22). Os três títulos aparecem unidos em Fp 3, 20: “Nossa pátria está nos céus de onde esperamos como Salvador o Senhor Jesus Cristo”. E como final do anúncio o anjo aponta o lugar: Belém, que estava à vista dos pastores.

O SINAL: Pois este para vós (será) o sinal encontrareis um bebê enfaixado, deitado na manjedoura (12). Et hoc vobis signum invenietis infantem pannis involutum et positum in praesepio. SEMEION: Oth em hebraico são as faixas e a menjedoura. O Semeion era um meio da manifestação divina, nem sempre miraculoso. Assim o arco iris era sinal de não acontecer um novo dilúvio. São fatos indicadores de um acontecimento que deve ser conhecido. Não são apologéticos mas didáticos. O simbolismo das faixas pode ser evidente, pois Salomão em Sb 7, 4 relaciona sua condição de REI com o fato de ter sido envolto em faixas. Ou como Moisés que foi envolto pela própria mãe por falta de parteira. Mais bem parece ser um sinal de que Jesus é como todo homem quando criança que é amado e acolhido, à diferença de Jerusalém que, segundo Ezequias 16, 4-5 afirma, tornar-se-ia uma cidade abandonada. Pelo contrário, teve uma verdadeira mãe que o cuidava desde o primeiro instante. Um Messias menino era praticamente impensado nos tempos de Jesus. Uma mãe solícita é o que descobrimos neste relato íntimo e familiar. Os católicos descobriram Maria como instrumento vivo para a vida do Salvador. O Verbo escolheu o Homem Jesus, mas também escolheu de modo especial a mulher Maria, como mãe. A MANJEDOURA: (Fatne ou Ebus ) O midrash judeu recolhe a lenda em que, Adão, castigado depois do pecado, replica a Deus: terei que comer no mesmo presépio que meu asno? Outra explicação é a de Isaías: conhece o boi seu dono e o asno o presépio de seu amo; mas Israel não me conhece ; o povo não me discerne (1,3). Agora serão os pastores, os mais humildes, que conhecem Jesus e voltam louvando a Deus. Finalmente a manjedoura era um sinal de que o menino era descendente de um rei que tinha sido pastor e nesse oficio elevado a rei. Era, pois, aos pastores que Deus revela sua providencial intervenção de um Messias Pastor, nascido de uma mulher sem especial relevância (Lc 2, 48).

O CANTO: Então, repentinamente, aconteceu com o anjo uma multidão de tropa celestial louvando a(o) Deus e dizendo(13: Glória em (no) mais altos a Deus e, sobre (a) terra, paz em homens de (a) benevolência (14). Et subito facta est cum angelo multitudo militiae caelestis laudantium Deum et dicentium gloria in altissimis Deo et in terra pax in hominibus bonae voluntatis. É praticamente impossível traduzir todas as minúcias do grego, no qual faltam algumas determinações nas palavras que temos encerrado em parênteses. São os parênteses em letra comum para distingui-los das letras itálicas que respondem ao grego original. A DOXA significa honra que se deve tributar a Deus como o leproso samaritano em Lc 17, 18. A divindade tem uma série de atributos que formam sua Doxa (sabedoria, poder,imortalidade…), mas o homem pode dar graças por uma intervenção poderosa e salvadora de Deus e esta é a glória que a Divindade espera e que os anjos louvam como louvarão os eleitos a majestade divina por toda a eternidade. Paz, ou Eirene, (shalom em hebraico) é o oposto à guerra e em sentido figurado significa tranquilidade de espírito. Biblicamente no NT significa o conjunto de bens desejáveis. Quando se trata da paz messiânica abrange todos os bens, essencialmente os de ordem espiritual, provindo diretamente de Deus, que o Messias devia aportar como príncipe da paz (Is 9,5), afirmando Miquéias que ele mesmo será a paz (5,4) O salmo 85, 9-10 resume perfeitamente este ambiente messiânico. Após o cântico de Zacarias a paz tem um sabor de perdão, de amizade renovada após um período de inimizade (Lc 1,77). Cristo fez horizontalmente de dois povos um só e verticalmente reconciliou a humanidade com Deus (Ef 2, 14-18). A Nova Aliança que foi chamada pelos profetas aliança de paz (Ez 37,26) seria uma aliança entre amigos e não mais entre servos (Jo 15,15). A BOA VONTADE é uma tradução pouco feliz da palavra grega EUDOKIAS, que significa complacência, beneplácito, sem dúvida do hebraico RATSON, prazer, satisfação. É a palavra empregada no batismo de Jesus, quando se submete à humilhação de ser considerado pecador (Lc 3, 22) ou no momento da transfiguração (Mt 12, 18). Um fundo em todos eles de filiação, o verdadeiro filho de Deus que se submete e no qual o Onipotente admite ter verdadeira complacência: Paz na terra aos filhos do beneplácito divino, poderíamos traduzir em definitivo.

PISTAS:.1)Muitos acreditam que quanto mais divinizemos a figura de Jesus tanto mais se tornará em proveito próprio essa imagem sagrada do mesmo, que, aparentemente, despojamos da vertente humana. O evangelho de hoje mostra o contrário: Deus quis se aproximar do homem, tornando-se um de nós, sem diferença, porque ele ama a humanidade e a admite no seu Filho, o qual deve ser motivo de nossa meditação.

2) Se Cristo é, como homem, o modelo, poderemos pensar que tipo de homem [o sábio, o rico, o poderoso, o louvado e estimado], ou pelo contrário [o pobre, o humilde, o necessitado, o escondido e até excluído], foi desde o início o homem-Jesus em quem o Verbo quis habitar pessoalmente unido a Ele. Evidentemente o evangelho de hoje escolhe este segundo tipo e o descreve com especiais detalhes de modo que ninguém se sinta envergonhado de sua pequenez e insignificância.

3) Jesus é pastor, nasce como pastor e é visitado e adorado por pastores, antes de ser Rei. Deus entre os homens gostará de ser o verdadeiro pastor, trocando uma realeza esperada como era o esperado de um descendente do rei Davi, pelo ofício que este tinha de cuidar das ovelhas. O reinado de Cristo começa pelo serviço como pastor que dá a vida pelas ovelhas.

4) Maria aparece como a mãe solícita que cuida de seu bebê nas circunstâncias as mais humildes. É também o modelo de todas as mães, especialmente das mais pobres e necessitadas.

5) Deus se mostra extremamente amável com os homens pois olha em Jesus todo homem a quem quer amar e por isso sua doxa é vista como alegria e paz na terra.

EXEMPLO: Que presente poderíamos dar neste Natal como o melhor de todos? Numa reunião de damas da caridade Dona Úrsula disse que a é a própria vida. Todas admitiram que a palavra era bonita, mas a realidade impossível. Então, Úrsula explicou: A vida não está no sangue, como diz a Escritura? Quem não poderia doar sangue em vida? E quem, após a morte, não poderia deixar seus órgãos para que outra pessoa possa viver com eles e não somente os vermes do cemitério?

FRASE: A amizade é como um elevador: teus amigos te sobem ou te baixam ( Eduardo Verástegui). E se o amigo é Deus, sempre nos eleva.

Fonte: Presbíteros

Tudo tem limite!

Postado em Cidadania, Igreja, Política, homossexualismo em 22/12/2008 por Ju

Muito estranho…

Primeiro, clamam pela “laicidade” do Estado. Depois o mesmo Estado fica querendo ser papa, a definir o que é pecado.

Eu estou até agora com o estomago embrulhado! Aff! Tudo tem limite. Vejo na internet uma denúncia e fui confirmar. E é verdade. No site da prefeitura de SP (meu Deus, que vergonha, sou paulistana!!), vejo um texto, nada imparcial, do Sr. Luiz Mott, do Grupo Gay da Bahia. Ah, você dirá, que tem o cara escrever lá? Que tem? Eu te digo o que tem. Mas antes, vamos ver umas coisas que estão lá que são INACEITÁVEIS em se tratando de ums site pago com o meu e o seu dinheiro! Mais que isso: as políticas adotadas nessa porcaria ali, também estão eivadas de dinheiro público.

Tem um texto ali, chamado 10 VERDADE SOBRE A HOMOSSEXUALIDADE… Humm… Verdades? Sei.

Eu poderia pegar todos os 10 pontos, um a um, e os desmantelar. Mas não é meu interesse no momento. O que me leva a escrever a essa hora da madrugada, são algumas coisas que são inaceitáveis, absurdas! Quero ver provar!

Entre tantas sandices, em determinado ponto, tenho que ler isso:

3] Homossexualidade não é pecado. Os gays e lésbica s também se amam e foram criados por Deus. Jesus nunca condenou os homossexuais.

Hã?? Como é? Agora a prefeitura define o que é pecado, é?? Ao que eu saiba, a definição de pecado cabe à Igreja! E não a um Estado que se arroga de ser laico… Outra coisa? Desde quando o sr. Mott sabe o que é pecado? Agora ele é sacerdote, teólogo, é?? Não sabia!

E só nessa frase dele tem muito lixo! Além de ser pecado grave a prática homossexual (não digo a pessoa ter uma tendência, mas a prática, a insistência em praticar aqueles atos), eu quero ver onde Deus criou gays e lésbicas! Ao que me conste, em Genesis, vemos Deus criando homem e mulher… E não gays e lésbicas.

E a troco do que nós vemos em Levítico 18 Deus condenando tais práticas, se isso nunca foi condenado por Deus? Deus não condena algo criado por ele. E Ele criou o homem para a mulher e não o homem para o homem. E mesmo assim, tem que ser dentro do que Ele estabeleceu (o casamento), senão é pecado também! Aí ele falará que Jesus não é o “Deus do AT”, etc… Hahaha!! Tenho que rir, não é? Porque cargas d´água então S. Paulo fala muito duro contra essa prática em Romanos 1??

Ah, ele dirá que não foi Jesus, mas S. Paulo. Péra, então quer dizer que Jesus não teria mandado S. Paulo pregar em nome dele? Seria ele acaso um intruso? Não! Então, é bom a prefeitura saber que ela não é a Igreja pra definir pecado e muito menos o sr. Mott sabe algo disso, já que ele é um pecador público. Ele devia ter um pingo de vergonha na cara de falar algo que ele sequer sabe.

Aí, no fim, sou obrigada a ler isso:

10] Conheça algumas celebridades que praticaram o homoerotismo ou foram travestis: Platão, Safo, Santo Agostinho, Leonardo da Vinci, Santa Joana Darc, Shakespeare, Miguel Ângelo, Mazaropi, Mário de Andrade, Santos Dumont, Imperatriz Leopoldina, Maria Quitéria, Gilberto Freyre, Martina Navratilova, Marina Lima, Elton John, Renato Russo, Angela Rorô, etc, etc.

Como é?? Sto. Agostinho e Sta. Joana D´Arc eram homossexuais? Ele pirou, é? Ela morreu VIRGEM!! Ah, usava roupas masculinas? Sim, mas era pq ela lutava, não ia pra guerra de vestido! Isso não a faz lésbica ou coisa semelhante! Isso é uma blasfêmia, uma afronta! E Sto. Agostinho então? Meu Deus. Eles não tem sequer conhecimento do que falam!

Outra coisa, se, conforme eles falam no site, pelo fato de em todos os povos em todos os tempos existirem homossexuais, torna a hossexualidade natural. Tomando como verdade o contido no “site” da Prefeitura de São Paulo, e sabendo que todos os povos em todos os tempos também tiveram ladrões, assassinos e estupradores, teríamos que chegar a conclusão de que ser ladrão, assassino e estuprador é natural.

Aí, entra o que falei no começo, sobre o autor do infeliz texto. Ele defende a pedofilia, que é crime! Ou seja, a prefeitura, que como Estado, deveria ser a guardiã da lei e da ordem, atenta contra a própria lei braileira. é o cúmulo! Ela atenta contra a lei e a ordem ao publicar o texto de um cidadão que transgride (ou ensina, incita, que é a mesma coisa!) as leis do país!

Que eles quisessem combater o preconceito, vá lá, estariam no papel deles, mas isso não! Eles não tem esse direito. Tudo tem limite!

Vamos fazer uma campanha, vamos lotar o site da prefeitura de SP de protestos. O email deles é: diversidade@prefeitura.sp.gov.br

Vamos mostrar a eles que não engolimos essas coisas calados e que exigimos respeito!

É proibido pensar?

Postado em Apologética, D. Williamson, Estudos, FSSPX em 21/12/2008 por Ju

Recebi um comentário no post “Devem as mulheres estudar?“, de um rapaz da FSSPX, se mostrando indignado, falando que eu ataquei a PESSOA de D. Williamson e não seus argumentos, simplesmente por fazer uma ironia com a excomunhão (q é real…) dele.

Oras, eu fui em cada argumento defendido por ele e o mostrei a esse rapaz, respondendo o seu comentário.

Mas… Eis que decubro que uma amiga q fiz na internet há pouco, e que é da FSSPX, falou em seu blog contra o texto de D. Williamson! E estava a ler os comentários. Nem a ela pouparam! A chamaram de feminista enrustida, que ela não aceitava a submissão bíblica da mulher ao seu marido, etc.

Gente, será que é ruim aceitar que uma coisa é você ser católico e outra bem distinta, é você ser ignorante? A Igreja sempre nos chamou a estudar, nos informar, conhecer. E como lemos, no post a que me refiro, sobre isso, se temos a oportunidade e a disponibilidade de o fazer, temos aí uma obrigação.

Oras, nem todas nós fomos chamadas ao matrimônio. Aí você vai ser obrigada a entrar em um convento por não ser vocacionada ao matrimôno? Sim, pois o matrimônio, assim como a vida religiosa é VOCAÇÃO… Você abraçar a vida religiosa sem vocação é a pior coisa que faria…

Ou ainda que você case. Aí, por uma infelicidade, ele morre. Você será uma anta dependente dos outros por não ter um minimo de formação intelectual e não ser apta por isso a encontrar um trabalho? Como seus filhos a veriam aí nessa situação? Uma vagabunda dependente da caridade dos outros?

Ou você teria conhecimentos para abraçar uma profissão e terminar de criar dignamente seus filhos? Mostrando a eles o valor do trabalho?

Na Igreja Católica sempre fomos incentivados a pensar e buscar conhecimento. Mas para uns, a regra parece ser o que o que o evangélico  João Alexandre denunciou em uma música sua: “É proibido pensar!”. Ali ele faz alusões a falsos profetas e pastores, que as pessoas por não serem estimuladas a pensar sobre sua fé, abraçariam qualquer absurdo. Fala claramente das seitas pentecotais É a essência da letra da música dele. E com algumas adaptações, podemos dizer o mesmo sobre umas espécies de “católicos” por aí afora… Pregam que não devemos pensar, que nos é proibido pensar…

Corre-corre

Postado em Uncategorized em 15/12/2008 por Ju

Sei que eu mal tenho escrito no blog, tenho estado em dívida aqui. Está um corre-corre danado.

Em breve vou voltar a postar regularmente. Essa semana escrevo um texto ainda, mas não será ainda na frequencia que era.

Em Defesa de D. Fernando Rifan

Postado em Administração Apostólica, Bispos, D. Fernando Rifan, Deu na Mídia, Igreja, Tradição em 15/12/2008 por Ju

Por Alessandro Lima

“Não levantarás falso testemunho contra teu próximo” (Ex 20,16).

Nos meios ditos tradicionalistas corre o boato de que D. Fernando Rifan, Bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney, teria participado de uma concelebração no rito de Paulo VI em Aparecida-SP no ano de 2004; e que este mesmo Bispo teria negado tal fato num evento do IBP (Instituto Bom Pastor) no ano de 2006, onde foi a convite do Superior deste instituto, o Pe. Laguérie.

Pode-se encontrar na Internet vários vídeos, fotos e textos que mostram a participação de D. Rifan na Missa. Porém, a grande maioria deles vem acompanhada de muita maledicência contra o Bispo.

Como era de se esperar tais acusações são tão falsas quanto a fidelidade que estes grupos “tradicionalistas” dizem possuir pela Igreja, como iremos provar.

Pe. Gaspar Samuel Coimbra Pelegrini em entrevista ao webiste tradicionalista Una Voce esclareceu:

“Algumas pessoas têm questionado a participação ocasional de Dom Fernando e de alguns de seus padres em Missas celebradas no Rito de Paulo VI. Dom Fernando é um bispo católico, membro do Episcopado Católico, em comunhão com o Santo Padre o Papa. Assim, como todo bispo católico, mesmo aqueles de rito diferente, deve demonstrar praticamente essa plena comunhão. Ninguém pode ser católico se mantendo numa atitude de recusa de comunhão com o Papa e com o Episcopado católico. De fato, a Igreja define como cismático aquele que recusa se submeter ao Romano Pontífice ou se manter em comunhão com os outros membros da Igreja a ele sujeitos (cânon 751). Ora, se recusar continua e explicitamente a participar de toda e qualquer Missa no rito celebrado pelo Papa e por todos os Bispos da Igreja, por julgar esse rito, em si mesmo, incompatível com a Fé ou pecaminoso, representa uma recusa formal de comunhão com o Papa e com o Episcopado católico.

Não se pode negar o fato objetivo de que hoje o rito de Paulo VI é o rito oficial da Igreja latina, celebrado pelo Papa e por todo o Episcopado Católico. Se considerarmos, na teoria ou na prática, a Nova Missa, em si mesma, como inválida ou herética ou sacrílega ou heterodoxa ou pecaminosa ou ilegítima ou não católica, deveríamos tirar as conseqüências teológicas dessa posição e aplica-la ao Papa e a todo o Episcopado residente no mundo, isto é, a toda a Igreja docente: ou seja, aceitar que a Igreja oficialmente tenha promulgado, conserve há décadas e ofereça todos os dias a Deus um culto ilegítimo e pecaminoso – proposição condenada pelo Magistério – e que, portanto, as portas do Inferno tenham prevalecido contra ela, o que seria uma heresia. Ou então estaríamos adotando o princípio sectário de que só nós somos a Igreja e que fora de nós não há salvação, o que seria outra heresia. Essas posições não podem ser aceitas por um católico, nem na teoria nem na prática.

Nossa participação, portanto, se deve a princípios doutrinários. E ela não significa que não tenhamos reservas ao novo rito, como já levamos respeitosamente ao conhecimento da Santa Sé. Nem a nossa participação significa aprovação de tudo o que ali venha a ocorrer. Estar unido à hierarquia da Igreja e em perfeita comunhão com ela não significa aprovação de muitos erros que hoje acontecem no seio da Santa Igreja, provocados pela sua parte humana. É claro que lamentamos profundamente, com o Santo Padre o Papa, que a Reforma Litúrgica tenha dado espaço a “ambigüidades, liberdades, criatividades, adaptações, reduções e instrumentalizações” (Ecclesia de Eucharistia, n. 10,52,61) e também tenha dado “origem a muitos abusos e conduzido em certa medida ao desaparecimento do respeito devido ao sagrado” (Cardeal Eduardo Gagnon, Offerten Situng – Römisches, nov.dez.1993,p. 35). Sobretudo, rejeitamos toda profanação da Liturgia, por exemplo as missas nas quais a “Liturgia se degenera em ’show’, onde se tenta tornar a religião interessante com a ajuda de besteiras em moda… com sucessos momentâneos no grupo dos fabricantes litúrgicos”, como critica o Cardeal Ratzinger (Introdução ao livro La Réforme Liturgique, de Mgr. Klaus Gamber, pag. 6).

Por isso mesmo, conservamos o venerável rito de São Pio V, mas “cum Petro et sub Petro”, em plena comunhão” (Bishop Rifan Answers Questions About Alleged Concelebration. Em http://www.uvoc.org/bishop_rifan_answers_questions_.htm).

O dever de quem ama a Verdade é averiguar a veracidade dos fatos e declarações. Então perguntei a D. Rifan sobre toda essa polêmica, no que prontamente me respondeu:

“Caro Prof. Alessandro Lima,

Quanto à sua pergunta, tenho a dizer que não disse uma coisa no IBP diferente do que disse o PE. Gaspar ou eu mesmo em minha Orientação Pastoral. Está tudo lá bem explicado. A posição teológica quanto à concelebração lá está bem clara. Na verdade, em Aparecida, em 2004 não concelebrei, apenas participei da Missa. E não teria feito nada errado se tivesse concelebrado, como está bem explicado pelo Pe. Gaspar em sua nota, e em minha Orientação Pastoral. Mas eu não concelebrei, porque não quis e nem estava obrigado. Apenas lá compareci vestido como os outros bispos, de mitra e alva, mas não disse as palavras da consagração e nem estendi a minha mão nesta hora, o que configuraria a verdadeira concelebração sacramental. Apenas estive presente, porque achei que devia estar. E eu o fiz assim, vestido de bispo católico, porque soube que em outra solenidade havia bispos anglicanos que assistiram a Missa em veste coral. E eu não quero me parecer com eles, pois sou bispo católico. A foto que estão mostrando é exatamente disso, a minha presença vestido de bispo durante a Missa” (Carta de D. Fernando Rifan ao Prof. Alessandro Lima em 10/12/2007).

Realmente nas imagens divulgadas na Internet D. Rifan não aparece com os braços estendidos e recitando as palavras da consagração das espécies do pão e do vinho. Esse tipo de participação chama-se concelebração ritual e não sacramental. Isso também é explicado pelo Bispo:

“Na cerimônia da missa tradicional da consagração dos santos óleos na quinta-feira santa, os padres assistem a missa paramentados de casula, e não estão concelebrando a missa. Os cônegos das catedrais assistiam a missa vestidos de paramentos e não concelebravam porque não diziam as palavras da consagração. Chama-se isso concelebração ritual não sacramental. Foi isso o que aconteceu em Aparecida.  Mas não nego a possibilidade de concelebrar sacramentalmente em determinadas ocasiões.

Como bem disso o Papa Bento XVI na carta introdutória do Motu Proprio Summorum Pontificum, os que celebram a missa tradicional não podem em princípio rejeitar a celebração da missa no rito ordinário: ‘Obviamente, para viver a plena comunhão, também os sacerdotes das Comunidades aderentes ao uso antigo não podem, em linha de princípio, excluir a celebração segundo os novos livros. De fato, não seria coerente co m o reconhecimento do valor e da santidade do novo rito a exclusão total do mesmo.’   Os que não aceitam isso, não estão de acordo com o Motu Proprio do Santo Padre. Aliás a posição deles quanto à missa não é de acordo com a Doutrina Católica.

Creio que já chega desse assunto, que já expliquei à saciedade. Mas, para os que têm boa vontade, poucas explicações bastam. Para os que não têm, nenhuma explicação será suficiente.

Com minha bênção cordial.

+ Dom Fernando Rifan” (Ibidem).

Como se vê, D. Fernando Rifan não disse uma coisa que não fez, como aos quatro ventos espalharam seus acusadores.

Agora resta uma pergunta: qual a razão de tanta mentira em torno do Bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney? Evidentemente é preciso acabar com o prestígio e reputação deste Bispo que têm mostrado qual é o verdadeiro tradicionalismo católico, para com isso agremiar adeptos às teses falsas e cismáticas. Logo não foi sem motivo que usaram do falso testemunho, afinal nos ensina as sagradas letras: “Clava, espada, flecha penetrante: tal é o que usa de falso testemunho contra seu próximo” (Pr 25,18).

Nunca é demais lembrar como o Senhor abomina o falso testemunho: “Seis coisas há que o Senhor odeia e uma sétima que lhe é uma abominação: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, um coração que maquina projetos perversos, pés pressurosos em correr ao mal, um falso testemunho que profere mentiras e aquele que semeia discórdias entre irmãos. Guarda, filho meu, os preceitos de teu pai, não desprezes o ensinamento de tua mãe” (Pr 6,16-20) (grifos meus).

Ai destes que faltaram com a caridade e com a verdade, pois há de se cumprir o que diz a Escritura: “O falso testemunho não fica sem castigo; o que profere mentira não escapará” (Pr 19,5).

Não pode haver verdade na causa daqueles que se utilizam da mentira para promover suas idéias.

Fonte: Veritatis Splendor

Ponha o banner da Cruzada pelos Sacerdotes em seu blog!

Postado em Cruzada pelos Sacerdotes, Igreja, Sacerdotes em 15/12/2008 por Ju

Ponha no seu blog também o banner pela cruzada pelos sacerdotes.

Essa é a imagem do banner:

banner-cruzada-pelos-sacerdotes

O código para colocar o banner é:

<a href=”http://tantumergo.wordpress.com/2008/12/15/cruzada-pelos-sacerdotes/” target=”_blank”><img src=”http://img156.imageshack.us/img156/9126/bannercruzadapelossacergu5.jpg”></a>

Participe, vamos fazer uma grande corrente!

Devem as mulheres estudar?

Postado em Apologética, D. Williamson, Estudos, FSSPX em 15/12/2008 por Ju

Você pode estranhar o título do texto. E realmente, não tiro sua razão, sua perplexidade com pergunta tão bizonha, já que estamos em pleno século XXI, na era das comunicações, informática, etc. Mas ele se faz necessário. Em nome de uma suposta defesa das posições que seriam “católicas”, Dom Williamson (FSSPX) vai além do aceitável ao defender que as mulheres não devem ir à Universidade! Que o nosso papel dado por Deus é ter filhos e ponto.

Oras, devemos, sim, ter filhos se esta for a nossa vocação. Mas devemos igualmente buscar o melhor, buscar conhecimento e instrução. A fé católica não nos relega a sermos faxineiras de luxo, não! Ela nos convida a nos instruir. E é isso que pretendo mostrar nesse estudo. Quero desmontar os argumentos (frágeis!) dados por ele, nesse texto.

Ele começa advogando que a Universidade no seu início era um lugar de conhecimento e sendo um lugar de conhecimento, abordar-se-ia Teologia, que é a rainha das ciências. Já que mulheres não são ordenadas, não poderiam fazer universidade, por ela englobar, nos seus primórdios a teologia! E sendo assim, defende ele, a ida de mulheres à universidade seria parte de uma ofensiva contra Deus nos nossos dias. E, diz ele, “universidades são para idéias, idéias não são para mulheres, logo mulheres não são para universidades”! Isso é um absurdo sem tamanho.

Ele parte de uma visão muito mesquinha a respeito da fé. E daí, natural que tenha uma visão mesquinha de mundo. A visão de mundo que nós temos é fortemente influenciada pela nossa fé. Ele parte de um contexto onde as mulheres viviam mais em casa e para seus maridos. E ele advoga que temos que viver só para isso. Esse seria o nosso papel dado por Deus.

Oras, que isso é parte desse papel não há dúvidas, está na Escritura, mas jamais ele pode restringir isso dessa maneira. Porque não é plausível que ele veja sua mãe e todas as mulheres católicas que ele conheça como serviçais de luxo! Que diga-se, mesmo assim, elas têm total direito a crescer na vida. Deus nos fez à sua imagem. Deus é perfeito. Quanto mais buscarmos a perfeição, mais perto estamos da imago dei tão desejada por Ele na nossa criação.

Ele fala que ao optar pela universidade, a mulher sacrifica sua natureza feminina, pois não se pode agradar um sem fazer o outro sofrer. Oras, ele coloca como se fosse uma batalha espiritual: a universidade representaria o mundo e tudo que teria de imoral nele e a feminilidade dessa moça seria como sua fé. Se ela escolhesse a universidade teria que sacrificar sua identidade de mulher e, conseqüentemente, diz ele, sua fé.

Oras que ridículo. Eu conheço pessoas que vão na FSSPX, mulheres, moças, que não concordam com ele e fazem, sim, universidade. Uma dessas moças, tem inclusive um blog. O que ele faz? Excomunga tais jovens? Ops, ele não pode excomungar ninguém, ele mesmo é um excomungado, hehe! Esqueci [correção feita dia 24/01/2009, dia do levantamento das excomunhões]

Ao nos inteirarmos numa universidade, no conhecimento e nos estudos, cumprimos o desejo de Deus de nos santificar. Sim, porque não é só no mosteiro ou em casa que se santifica, que se busca a santidade, mas no meio do trabalho e do estudo também. Ao fazermos o que nos é pedido com perfeição, ao suportarmos coisas que não gostaríamos de ouvir, ao fazer uma atividade que não gostamos mas que é importante ser feita, tudo isso nos leva não à perda da fé, mas à santificação.

S. Josemaria Escrivá, falava sobre isso com muita propriedade, já que o Opus Dei é justamente uma forma de santificação no cotidiano, no meio do mundo, no trabalho, estudo, etc.

Vamos ver o que falou esse santo dos nossos tempos e que tanto se dedicou à santidade (que é o temor de D. Williamson, que as moças percam a santidade caso estudassem):

O estudo, a formação profissional, seja qual for, é obrigação grave entre nós(Caminho, 334)

“Freqüentas os Sacramentos, fazes oração, és casto… e não estudas… – Não me digas que és bom; és apenas bonzinho.” (Caminho, 337)

“Tens-te dado ao trabalho de meditar no absurdo que é deixar de ser católico ao entrar na Universidade, ou na Associação profissional, ou na sábia Academia, ou no Parlamento, como quem deixa o chapéu à porta?” (Caminho, 353)

Veja que o estudo é, sim, uma obrigação nossa como católicos. Mas e como mulheres, temos nós um lugar, uma vocação além de ter marido e filhos?

“Além disso, a mulher pode cumprir a sua missão — como mulher, com todas as suas características femininas , incluindo as características afetivas da maternidade — em círculos diferentes da própria família; em outras famílias, na escola, em obras assistenciais, em mil lugares.” (Questões atuais do cristianismo, 106)

Não perdemos, pois, nossa feminilidade por estudar. E tampouco estamos fora do plano de Deus para nós, já que nem todas têm vocação ao matrimônio e nem todas que não casam tem vocação à vida religiosa. A ociosidade não deve ser marca da vida de um cristão, como vimos S. Josemaria falar. Se temos a possibilidade de estudar, devemos fazê-lo sob pena de pecarmos contra Deus que nos Deu o conhecimento.

Aí, sendo que ele se dirige prioritariamente a moças e mulheres tradicionalistas e que freqüentariam as missas deles, ele fala que um outro motivo para não irem à universidade, é que uma moça tradicionalista iria para uma universidade católica (Novus Ordo University, no inglês, ou seja, uma universidade católica não tradicionalista) e que os professores iriam tentar demovê-la das sua convicções, trazendo-a para fora do âmbito da Tradição. Isso e ridículo. Um católico não deixa de trabalhar em um ambiente não católico por temer a sua fé. Antes ele é que influencia onde está, sendo sal e luz como ensinou Nosso Senhor. Aí ele parte para outro argumento, que é risível: o fato das universidades serem mistas, e segundo ele, favorecerem a promiscuidade. A pureza não depende de eu estar ou não em um ambiente misto, mas do meu caráter e compromisso com Deus.

Aí ele apela para um entendimento absurdo de S. Tomás. S. Tomás mostra o motivo pelo qual não devemos (e é bíblico: S. Paulo o ensinava!) ensinar em público na Igreja. Ok. O ensino na Igreja, oficial, é privilégio dos sacerdotes, que são nossos superiores diante de Deus. Eles foram comissionados por Deus para isso. Mas segundo ele (não segundo S. Tomás!), a mulher não poderia sequer trabalhar ou estudar que ela violaria o mandamento bíblico de não ensinar em público na Igreja! Porque? Por serem funções “masculinas” o trabalhar e o estudar, assim como o ensino na Igreja, raciocina ele, nós teríamos que somente ter marido e filhos e cuidar deles. Impressionante, para não dizer absurdo.

O argumento dele é cômico. Seria legítimo se ele fosse defender isso como uma posição dele, mas não. Ele insiste em colocar isso como a única sã opção para mulheres e moças católicas. E isso é mentira, uma falácia, como vimos. Não estou vocacionada para ser freira automaticamente, se não me sinto chamada para o matrimônio. Não é uma das duas opções obrigatoriamente. E, eu não terei meus pais a vida toda (nem tenho mais meu pai, pra ser franca). Daí que se não caso e se não vou ser irmã, monja na vida religiosa, uma vadia é que não posso ser. Devo me formar, estudar, trabalhar, sim.

Que isso sirva de alerta a muitos.

Cruzada pelos Sacerdotes

Postado em Cruzada pelos Sacerdotes, Igreja, Oração, Sacerdotes em 15/12/2008 por Ju

cruzada-pelos-sacerdotes

Esse blog começa hoje uma cruzada de apoio aos sacerdotes. Convidamos todos os blogs católicos a aderirem. Preciamos de mais e santos sacerdotes, isso é fato. Mas eles precisam também de nós. De nossa oração por eles, da nossa obediência (artigo raro hoje!) e, sobretudo, do nosso apoio!

“Canta diante da Virgem Imaculada”

Postado em Estudos, Igreja, Liturgia, Nossa Senhora em 08/12/2008 por Ju

Deus Onipotente, Todo-Poderoso, Sapientíssimo, tinha que escolher a sua Mãe. Tu, que terias feito, se tivesses tido que escolhê-la? Penso que tu e eu teríamos escolhido a que temos – cumulando-a de todas as graças. Foi isso o que Deus fez. Portanto, depois da Santíssima Trindade, vem Maria. – Os teólogos estabelecem um raciocínio lógico para esse cúmulo de graças, para essa impossibilidade de estar sujeita a satanás: convinha, Deus podia fazê-lo, logo o fez. É a grande prova, a prova mais clara de que Deus rodeou a sua Mãe de todos os privilégios, desde o primeiro instante. E assim é: formosa, e pura, e limpa em alma e corpo! (Forja, 482)

És toda formosa, e não há mancha em ti. – És horto cerrado, minha irmã, Esposa, horto cerrado, fonte selada. – Veni coronaberis. – Vem, serás coroada (Cant 4, 7, 12.8). Se tu e eu tivéssemos tido poder, tê-la-íamos feito também Rainha e Senhora de toda a criação.

Um grande sinal apareceu no céu: uma mulher com uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. – O vestido, de sol. – A lua a seus pés (Ap 12, 1). Maria, Virgem sem mancha, reparou a queda de Eva; e esmagou com seu pé imaculado a cabeça do dragão infernal. Filha de Deus, Mãe de Deus, Esposa de Deus.

O Pai, o Filho e o Espírito Santo coroam-na como Imperatriz que é do Universo.

E rendem-lhe preito de vassalagem os Anjos…, e os patriarcas e os profetas e os Apóstolos…, e os mártires e os confessores e as virgens e todos os santos…, e todos os pecadores, e tu e eu. (Santo Rosário, 5º mistério glorioso)

Fonte: Meditação Diária de S. Josemaria Escrivá

Tota pulchra es, Maria

Postado em Igreja, Liturgia, Nossa Senhora, Protestantes, Santo do Dia, Santos em 08/12/2008 por Ju

Hoje é dia da Imaculada Conceição. Em 8 de Dezembro de 1858, o papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição. O dogma declara declara a santidade da Virgem Santíssima desde o primeiro momento da sua existência, desde a sua Concepção (Conceição), ou seja, que ela foi preservada desde sempre da mácula do pecado original, no qual nascem todos os filhos de Adão.

Não é algo arbitrário e ilógico. Se ela tivesse tido a mácula do pecado, a Redenção não seria possível. A doutrina da Imaculada Conceição era crida dede o primeiro século da Igreja.  Os Padres da Igreja também focavam esse ponto como pacífico. Até Lutero, um herege, um cismático, que foi um dos pais do protestantismo junto com Calvino, admitiu a Imaculada Conceição, vejam:

Era justo e conveniente, fosse a pessoa de Maria preservada do pecado original, visto o filho de Deus tomar dela a carne que devia vencer todo pecado“. (Lut. in postil. maj.).

É uma doce e piedosa crença esta que diz que a alma de Maria não possuía pecado original; esta de que, quando ela recebeu sua alma, ela também foi purificada do pecado original e adornada com os dons de Deus, recebendo de Deus uma alma pura. Assim, desde o primeiro momento de sua vida, ela estava livre de todo pecado
Fonte: Lutero, Sermão sobre o Dia da Conceição da Mãe de Deus de 1527

Alguém pensará porque citei Lutero aqui e não S. Afonso. É que, normalmente, quem ataca a Imaculada Conceição da Ssma. Virgem são protestantes. E aqui fica provado que Lutero (e outros reformadores que não cito aqui) criam e eram devotos de Nossa Senhora.

Mas vamos ao que disseram os grandes santos sobre esse dogma:

S. Anselmo, bispo e doutor da Igreja: “Deus, que pôde conceder a Eva a graça de vir ao mundo imaculada, não teria podido concedê-la também a Maria?”

São Tomás de Aquino, doutor da Igreja: “Quando Deus eleva alguém a uma alta dignidade, também o torna apto para exercê-la. Portanto tendo eleito Maria para Sua Mãe, por Sua graça a tornou digna de ser livre de todo o pecado, mesmo venial; caso contrário, a ignomínia da Mãe passaria para o Filho”

S. Bernardino de Sena: “Antes de toda criatura fostes, ó Senhora, destinada na mente de Deus para Mãe do Homem Deus. Se não por outro motivo, ao menos pela honra de seu Filho, que é Deus, era necessário que o Pai Eterno a criasse pura de toda mancha”

A Liturgia nos reserva para hoje um do mais belos hinos marianos, e que deu o nome a esse post, o Tota Pulchra:

Tota pulchra
Tota pulchra es, Maria,
et macula originalis non est in te.
Tu gloria Jerusalém;
Tu laetitia Israel;
Tu honorificentia populi nostri;
Tu advocata peccatorum.
O Maria!
O Maria!
Virgo prudentissima!
Mater clementissima!
Ora pro nobis, intercede pro nobis
ad Dominum Iesum Christum

tradução:
Toda formosa sois, ó Maria,
e em vós não há mácula original.
Sois a glória de Jerusalém,
sois a alegria de Israel,
sois a honra de nosso povo,
sois a advogada dos pecadores.
Ó Maria, ó Maria!
Virgem prudentíssima,
Mãe clementíssima!
Orai por nós, intercedei por nós
junto ao nosso Senhor Jesus Cristo.

Vamos pedir a Deus que nos capacite a seguirmos o exemplo da Virgem Santissima hoje e sempre. E que a exemplo dela, possamos viver em santidade e pureza.