Em uma das listas que participo, chegou um email, por meio do professor Felipe Aquino, de um seminarista desgostoso e decepcionado com o que encontrou. Vejam o email do rapaz (que preservarei por razões mais que óbvias!!):
Boa Tarde Professor Felipe,
sou o XXX, tenho Y anos e resido na cidade de …., pertenço também a Diocese de ….
Eu sempre tive uma formação católica correta, desde os 15 anos eu leio os livros do senhor, do Pe.Roberto Lettieri, do Mons.Jonas Abib, ensinamentos dos Papas, encíclicas e livros, até mesmo livros do pregador oficial do Papa Bento XVI,Raniero Cantalamessa, e do cardeal Ratzinger, e sempre vivi muito próximo da comunidade Canção Nova, Toca de Assis e minha vida é essa.
Eu ingressei no ano de XXX no Seminário Diocesano, da diocese de …, e logo no primeiro ano, chamado Propedêutico os professores e até mesmo muitos Padres são adeptos a Teologia da Libertação, e nos ensinam em nome da igreja o que advem dessa linha de pensamento.
As aulas são de Doutrina da igreja Católica, Liturgia e até mesmo a catequese, e falam e ensinam em nome da Igreja Católica, coisas que é mentira, que a própria Igreja não fala nada disso, e também autores como João Batista Libanio, Leonardo Boff e outros. Eu ouvi de Diáconos que a doutrina muda ao longo do tempo, que é preciso se reinterpretar, que o Espírito Santo tem muito a revelar ainda e está revelando, que a Igreja hoje já não pensa mais como antes, e que o Papa Bento XVI está barrando o progresso da Igreja, não deixa o Concilio Vaticano II desempenhar o seu papel e dai pra pior, como:
Anjos e Demônios não existem, são frutos da consciência humana.
Que a igreja antigamente acreditava em purgatório,mas não se compreende mais dessa forma, tanto é que nem se discute mais esse assunto.
Que Padre Pio não apanhava de demônio nenhum, é coisa da Psique dele, ele provocou os estigmas.
Que a Eucaristia foi celebrada com pão e vinho, porque era a cultura da época, mas hoje era pra ser celebrada com Cerveja e Salame.
Que o pecado do mundo é a desigualdade, a falta de partilha, e foi isso que Jesus veio mostrar ao mundo, e como ele foi contra as leis e o modo de vida da época ele morreu na cruz, mas sem caráter expiatório, o motivo dele ter vindo ao mundo é ser luz para a nossa ignorância, ele (Jesus) veio para mostrar como se deveria viver, ele é o perfeito humano, que é luz por isso, e morreu devido as estruturas de seu tempo.
Que a serpente no Gênesis é Deus e não o Demônio, que a Patristica interpretou de uma forma que gerou confusão, mas que hoje se entende diferente e correto.
Que a Toca de Assis vive na mentira e todos aqueles que como ela vive, porque acham que Jesus se da no altar, que ele morre e ressuscita no altar.Disse que Jesus não se da no altar não, que é frescura querer participar da Missa e não da Celebração da Palavra, que não muda nada.
Que o Corpo de Cristo é a Igreja, a comunidade, que quando celebramos a eucaristia celebramos o que vivemos durante a semana, e comungamos a comunidade que é a igreja que é o corpo de Cristo.Porque o homem tem necessidade de Celebrar, da mesma forma que se celebra um aniversário, um jogo de futebol, também se celebra a eucaristia.
Disseram que todos agem em Persona Crhistie, tanto um sacerdote como um leigo qualquer, quando realiza uma atividade com o consentimento do sacerdote.
Que achar que Jesus se faz presente no altar na hora da consagração é magia, feitiçaria, que Jesus não tem hora pra estar presente ou não, ele está presente antes da missa, do mesmo jeito que está depois e durante, do mesmo jeito que está onde dois ou mais se reúnem em nome de Cristo, não tem nada a ver de presença máxima na eucaristia.
Que Deus não é fofoqueiro, ele não revela nada da vida de ninguém para outra pessoa, a não ser para a própria pessoa.Para não acreditar em palavra de ciência e profecia, que isso tudo é igual cartomancia, palavras combinadas.
Entre outras várias coisas. Mas passam com astucia, não simplesmente como estudo, é uma mentira enrroupada de verdade, acreditam assim e pregam assim, como sendo verdade, barrando o conhecimento do jeito que a Igreja ensina, criticam a igreja a estrutura dela, o Papa,não aceitam ordem do bispo que é superior e são soberbos e orgulhosos, que não conhecem nenhum mistério e querem acabar com a igreja e querem gerar confusão em quem não sabe das coisas como eu.
E eu contestei tudo isso, disse que era mentira e falei a verdade, ai fui criticado professor, ficaram contra mim dizendo que eu precisava quebrar paradigmas, deixar de ser ultrapassado e conservador, que eu não entendia nada, que os documentos da igreja não fala nada diferente não, que não se deve ser fundamentalista e com isso gerou perseguição eu acabei ficando com stress e isso somatizou e precisei vir para casa e, por fim decidi sair do seminário diocesano, pois não confio nessa formação que me é dada, não quero colocar minha fé, meus estudos e minha vocação contra o Papa, nem contra a igreja para ter Jesus como centro como referencia.
Por fim Professor Felipe, sai do seminário como alguém que não aguentou a pressão, não tinha maturidade ainda, não quis quebrar paradigmas, não quis se abrir para o que quer o Concilio Vaticano II, e tudo mais.
Gostaria de uma resposta do senhor, por favor.
Eu não acredito que eles estejam certos, mas também meus conhecimentos são muito limitados, por favor se puder me dizer o que a igreja ensina mesmo, como ela pensa, o que ela quer do concilio ecumenico vaticano II, pois estou confuso.
Olha, eu quase tive um troço com esse e-mail! É revoltante o que estão ensinando nesse seminário debaixo do nariz do bispo! Se o bispo fala que não conhece o que se ensina no seminário diocesano é de matar! Por essas e outras que vemos uns caras mais pra sindicalistas e ateus do que sacerdotes do Deus Altíssimo.
Mas, providencialmente, um outro sacerdote da lista, penalizado com a situação do rapaz, mandou esse email – é ele que me dá esperanças, vejam:
Caríssimo Prof. Felipe, Pax!
Pode passar, sim, os contatos ao jovem seminarista.
Não dedico-me agora a rebater os pontos doutrinais controversos citados, pois são temas por demais trabalhados pelos bons católicos que amam a sua fé, e, creio, que o jovem terá facilidade para esclarecê-los facilmente. Gostaria apenas de comentar algo acerca do quadro formativo atual e das esperanças que animam nossa entrega.
Realmente é muito triste o quadro que ele pinta dessa casa de formação. E, infelizmente não é um caso único na Terra de Santa Cruz. Atualmente estou acompanhando um seminarista, que, tendo quase acabada a teologia, nunca havia aberto o Catecismo da Igreja. Nunca havia lido nenhum Documento Pontifício, era estimulado por alguns formadores a ter experiências de namoro, não tinha Eucaristia diariamente, etc. Que tipo de sacerdotes estamos formando?
Felizmente vejo muitos sinais de esperança em muitos outros Seminários.
O nosso Seminário, aqui em Niterói-RJ, que não é – nem de longe! – o Seminário exemplar, possui hoje 93 seminaristas, e uma longa “fila de espera” de rapazes que querem aqui ingressar e devem passar antes por uma série de critérios de seleção. Neste ano tivemos que construir novos quartos, pois já não tínhamos mais espaço para abrigá-los. Isso, considerando que o número dos que ingressam é bem menor dos que fazem os encontros vocacionais.
O segredo de tanta procura?
Talvez porque queremos secundar a vontade da Igreja, sentire cum Ecclesia. Temos diariamente a celebração do Santo Sacrifício da Missa, com toda a dignidade que podemos dar em nossa pobreza a Deus. Também diariamente adoração com o Santíssimo Sacramento exposto e Benção, o rezo da Liturgia das Horas, o Santo Terço, etc. Retiros de silêncio mensais de um dia, anuais de 5 dias. Direção espiritual individual frequente. Procuramos que nossos professores sejam estritamente fiéis ao Magistério Eclesiástico. Formações específicas semanais, as quais, mensalmente, é impartida pelo próprio Bispo Arquidiocesano, sempre muito presente. Um dia de espiritualidade, onde os diversos grupos podem reunir-se para rezar em comum: RCC, CL, Focolarinos, Opus Dei, etc.
Vários jovens de outros estados têm procurado este Seminário, devido à frustrações semelhantes às desse jovem. O ideal seria que ingressassem em suas própria dioceses, mas, sinceramente, em alguns casos, penso que convém desaconselhá-los.
Há uma unidade muito forte entre as dioceses de nossa Província Eclesiástica, que possui o mesmo sentir. Também os seus Seminários estão florescendo. Vê-se que os jovens querem Jesus. Amá-lo. Serem outro Ele. Esse deve ser o nosso objetivo: formar sacerdotes cem por cento sacerdotes. Não sacerdotes políticos, sindicalistas, sociólogos, etc. Para isso existem muitos leigos muitíssimos mais competentes que nós.
Em meio a tanto joio, há ainda muita esperança…
Pe. Demétrio Gomes da Silva
São padres assim que me dão orgulho de ser católica. Não o são pela metade, mas por inteiro. Isso é realmente consolador e podemos, no futuro, vislumbrar para a Igreja aqui na Terra de Santa Cruz um outro cenário.