Arquivo para Agosto, 2009

Fada velha ou não??

Postado em Bobeiras, Faculdade, família, meditação em 29/08/2009 por Ju

Ouvi da minha mãe uma historinha muito engraçada. Meu sobrinho (neto da mamãe, portanto) ganhou um presente dela, mas não queria falar para meu irmão (o pai dele) que tinha ganho da minha mãe. Aí, meu irmão já sabendo, cutucou e ele falou que ganhou o presente de uma fada, mas era uma “fada velha”. E meu irmão, aos risos, perguntou: “é da vovó que você ganhou?” e ele disse que sim.

Velho, novo. Todos são conceitos tão batidos, mas muitas vezes podem ser em tom de brincadeira, como no caso do meu sobrinho ou de maneira ofensiva. Às vezes nem nos damos conta disso.

Na sexta-feira, pelo menos para uma coisa boa serviu o fato de eu ser a mais velha do pessoal que estava no Estadão: ganhei um pen drive de 2 Gigas. Mas também, o André Costa, da Bandnews, falou que só pegam pessoas de até 30 anos pra trabalhar na rádio. Afinal, é bom ser a “fada velha” ou não?

E mais: até que ponto somos “fada velha”? Um rapaz chegou pra mim depois da palestra e falou: “Poxa, você tem X [não vou me denunciar aqui, né?] anos mas tem gás de quem tem 18!”.

Ora as pessoas te acham mais nova, ora você é tida como “velha”. Ora isso é bom, ora é ruim. Afinal, ser a mais velha é bom de fato? Em muitas coisas tenho me convencido que sim. Embora nem tudo seja flores por causa de eu ser mais velha. Mas faz parte.

A fé dos taxistas

Postado em Aquecimento Global, Ciência, Deu na Mídia em 14/08/2009 por Ju

por João Pereira Coutinho

LISBOA – Tempo estranho aqui em Lisboa. Calor, sim, com um toque de umidade tropical. Quem viaja do Rio para Portugal chega a Lisboa e até acredita que ainda está em Ipanema. Será isto o aquecimento global?

Os taxistas da cidade dizem que sim. Entramos no carro e eles transformam-se em pequenos Al Gores, dissertando furiosamente sobre as alterações climatéricas. “Antigamente, não era assim”, dizem, com um tom de voz que prenuncia o Apocalipse. Antigamente, imagino eu, o clima era perfeito e uniforme. Como uma marcha militar.

Não vale a pena iludir: quando um taxista acredita no aquecimento global, o mundo caminho para a perdição. Esse, pelo menos, é o entendimento da cúpula do G8, que reuniu em Itália para, entre outras coisas, salvar a Humanidade. Julgava eu que salvar a Humanidade era cenário de Hollywood. Engano. Os líderes do G8 acordaram reduzir as emissões de CO2 em 80% e, mais ambicioso ainda, limitar o aquecimento global em 2º C. Tudo isso até 2050. Verdade que os países emergentes, como a Índia e a China, não parecem interessados em embarcar na fantasia. Mas será possível, apesar de tudo, reduzir mundialmente as emissões de CO2 para metade?

Antes de responder à pergunta, gostaria de formular outra. Uma pergunta mais básica e, no sentido próprio do termo, mais herética: o aquecimento global é para levar a sério?

A interrogação não é tolerada no mundo tolerante de hoje. Mas existem sinais de esperança e um deles vem na revista “Spectator” dessa semana, com artigo sobre Ian Plimer. Quem?

Professor de Geologia na Austrália, Plimer editou livro que as inquisições ecológicas desejam lançar nas fogueiras. Título: “Heaven and Earth: Global Warming The Missing Science”. Tese: a ideia apocalíptica de que a atividade humana cria o aquecimento global vai contra a Física Solar, a Astronomia, a História, a Arqueologia e a Geologia. Ou, se preferirem, e ainda nas palavras do solitário Plimer, o “aquecimento global antropogénico” é a mais perigosa e ruinosa fraude da história.

Para Plimer, a contribuição humana para o aquecimento planetário é diminuta porque as variações climatéricas, analisadas sob a perspectiva macro da Geologia, sempre estiveram presentes nos milhares de milhões de anos da Terra. E muito antes dos seres humanos serem sequer uma possibilidade nos desígnios da criação.

Leio o artigo de Plimer enquanto o taxista dirige e disserta e, apesar do prazer na leitura iconoclasta, não encontro nele nada de particularmente novo. Peço desculpa pela imodéstia. Sim, não sou geólogo. Mas confesso que li alguma História e, ao contrário dos exércitos ecológicos, sempre tentei aprender alguma coisa com ela.

Segundo a ortodoxia do aquecimento global, o mundo aquece porque o homem pós-industrial contribui para esse aquecimento de forma irresponsável e crescente. O meu problema começa logo com esses dois adjetivos. “Irresponsável”? Duvidoso que a ação humana seja a principal responsável pela aquecimento planetário quando a palavra maior pertence à própria natureza, que emite quantidades incomparáveis de CO2 para a atmosfera.

Mas problemático é acreditar numa ação “crescente” do homem quando a história, remota ou recente, mostra variações climatéricas que estão longe de ser graduais e uniformes. Fato: o mundo aqueceu entre 1920 e 1940 (0,4º C). Fato: o mundo aqueceu a partir de 1975 e até aos inícios do presente século (0,5º). Mas o mundo também arrefeceu entre 1940 e 1975 (0,2º C). E, ao contrário do que diz o meu taxista, o mundo arrefeceu desde o início do século 21.

Tudo isso é história recente? Então olhemos para a história remota e pré-industrial. Lemos os documentos que o monaquismo ocidental foi legando para a posteridade e, a partir do século 11, encontramos um mundo medievo estranhamente quente e, talvez por isso, estranhamente produtivo. Exatamente o contrário dos séculos 17 e 18, quando uma pequena idade glacial permitia aos londrinos cruzar um rio Tamisa congelado.

Opinião pessoal? Sabemos pouco sobre os humores do clima. E é precisamente essa ignorância que permite decretar certezas com a arrogância própria dos fanáticos. Para Plimer, essas “certezas” não são mais do que expressões de fé num mundo sem religião. Ou, dito de outra forma, com o declínio do Cristianismo no Ocidente, os homens canalizaram os seus sentimentos fideístas para um “panteísmo” alarmante, vislumbrando no clima, e nas naturais variações dele, uma secularização das pragas bíblicas, prontas para punir os pecados da Humanidade.

Os pecados “capitalistas” da Humanidade, acrescento eu. Faz sentido. Se o marxismo não cumpriu a sua promessa “científica”, os órfãos da ideologia esperam agora por um deus verde e vingativo para nos destruir e salvar.

Fonte: Folha Online

A verdadeira face do Senado

Postado em Cidadania, Política, Senado, corrupção em 06/08/2009 por Ju

Eles não gostam de listas, mas elas são necessárias à verdade e à informação. Eis os senadores pró-corrupção:

AC
Tião Viana PT
AL
Fernando Collor PTB
Renan Calheiros PMDB
AP
Gilvam Borges PMDB
José Sarney PMDB
CE
Inácio Arruda PC DO B
Tasso Jereissati PSDB
DF
Gim Argello PTB
MA
Epitácio Cafeteira PTB
Lobão Filho PMDB
Mauro Fecury PMDB
MG
Eduardo Azeredo PSDB
Wellington Salgado de Oliveira PMDB
MT
Serys Slhessarenko PT
PB
Cícero Lucena PSDB
Efraim Morais DEM
PI
Heráclito Fortes DEM
Mão Santa PMDB
RJ
Paulo Duque PMDB
RR
Romero Jucá PMDB
SC
Ideli Salvatti PT
SP
Aloizio Mercadante PT
Romeu Tuma PTB
TO
Leomar Quintanilha PMDB

Todos esses defenderam Sarney, Renan, Jucá e outros banhados em corrupção. Vamos jogar aberto??

Como é bom ver certas coisas

Postado em Cidadania, Deu na Mídia, Política, Tecnologia em 05/08/2009 por Ju

O mundo dá voltas, certamente. Quem é mais novo, não lembra da redemocratização do país. Quem vê o Collor defender com tanto ardor José Sarney e atacar a imprensa, esquece que tudo está registrado. E que em 1989 ele não poupou “elogios” ao então presidente (Sarney).

Veja o que ele falou ontem em defesa de Sarney:

Que defesa linda, não?

Mas veja o que ele falou do mesmo Sarney que ora defende com tanta gana contra a imprensa:

O mais bacana de tudo isso é que eles não tem como esconder a verdade, que – graças à tecnologia existente hoje – será esfregada continuamente no nariz deles, gostem ou não. Irônico é ver o “ilustre” (??) senador falar mal da imprensa e ver o contorcionismo do PT. Em público diz não assinar a nota pela saída de Sarney que queriam fazer vários partidos. Mas em privado… O senador Mercadante tenta se justificar pelo seu Twitter, falando que mantém o pedido de licença do senador Sarney. Péra. Se mantém isso, porque não assinavam a nota?? Cadê a coerência?

Ah, mas essa é a graça da história: coerência zero e ver essa raça sendo defendida (e defendendo também!) a quem eles execravam. Isso não tem preço!

Democracia totalitária

Postado em Liberdade, Marxismo, Política, Socialismo, autoritarismo, censuras, comunismo, esquerda, verdadeira face do comunismo em 03/08/2009 por Ju

por Denis Rosenfield

Hugo Chávez persegue opositores, fecha canais de televisão e estações de rádio, legisla por decretos, vende armas às Farc, não respeita a soberania da Colômbia, submete o Poder Judiciário, obriga seus militares a jurarem “pátria, socialismo ou morte”, relativiza e mesmo abole o direito de propriedade e nada, entretanto, ocorre com ele. Nenhuma manifestação da Organização dos Estados Americanos (OEA), da Assembleia das Nações Unidas, da diplomacia brasileira, etc. É como se não houvesse nenhum atentado à democracia. Ao contrário, sustentam que a democracia está sendo seguida naquele país. Nenhum país pede que seus embaixadores se retirem nem há corte de ajuda e/ou relações bilaterais. O déspota Chávez torna-se um “democrata”.

Enquanto isso, em Honduras, as instituições do país, por intermédio do Supremo Tribunal, do Congresso, das Forças Armadas, com apoio explícito da Igreja Católica, dos meios de comunicação e da sociedade civil em geral, destituíram um presidente que seguia o caminho de Chávez. Colocou-se como um projeto de déspota ao tentar quebrar cláusulas pétreas da Constituição hondurenha, como a da reeleição de presidente da República, e por isso mesmo foi deposto. É como se o céu tivesse caído na cabeça do país. Protestos de todos os lados. Assembleia das Nações Unidas, OEA, Estados Unidos, União Europeia, diplomacia brasileira e, é claro, os castro-bolivarianos: os irmãos Castro, Chávez, Daniel Ortega, Rafael Correa e Evo Morales. Neste último caso, os liberticidas se põem como os defensores da liberdade e da democracia.

Um pequeno país resiste bravamente a uma reação dessa magnitude, em nome de suas instituições, em nome da democracia. No entanto, os seus atores são tratados como “golpistas”, enquanto os déspotas bolivarianos são tidos por “democratas”. O que está em questão neste jogo com a palavra democracia?

Há duas acepções da democracia em questão, a da democracia totalitária e a da democracia representativa ou constitucional. A democracia totalitária volta-se contra o espaço de liberdade próprio da sociedade, de suas regras, leis e instituições, o que é precisamente assegurado pela democracia representativa. Esta se baseia no exercício da liberdade em todos os seus níveis, da liberdade de imprensa, de expressão, de organização política, econômica até o respeito à divisão dos Poderes republicanos, passando pela consideração do adversário como alguém que compartilha os mesmos princípios. Disputas partidárias, por exemplo, são regradas e não desembocam no questionamento das próprias instituições, vale dizer, da Constituição. Nesse sentido, processos eleitorais se inscrevem neste marco mais geral, não podendo, portanto, ter a autonomia de subverter os princípios constitucionais, o ordenamento das instituições. Processos desse tipo são necessariamente limitados.

Nas democracias totalitárias temos um processo de outro tipo, em que o voto passa a ser utilizado de forma ilimitada, como se ele fosse por si mesmo, graças à manipulação de um líder carismático e de seu partido, o princípio do ordenamento institucional. Eis por que tal tipo de regime político tenta funcionar por meio de assembleias constituintes e referendos sistemáticos, num constante questionamento de todas as instituições, tidas por “burguesas” e expressão das “elites”. A democracia totalitária não admite nenhuma limitação, nenhuma instância que a regre. Tende a considerar tudo o que se interpõe no seu caminho como não-democrático, ganhando o epíteto de “direita”, “conservador” e “neoliberal”.

Pode-se dizer que a democracia totalitária se caracteriza por essa forma de ilimitação política, tendo como “inimigo” a limitação própria das instituições sociais, das instâncias representativas. Ela terá como alvo a ser destruído todo espaço que se configure como independente, em particular aquele espaço que torna possíveis as liberdades individuais e o processo de livre escolha. Não pode suportar um Estado de Direito, baseado precisamente nessas liberdades. Ou seja, a democracia totalitária não pode suportar a democracia liberal, também dita representativa ou constitucional, pelo fato de assegurar a existência de leis, de Poderes e de instituições, que não se podem adequar a tal processo de mobilização totalitária.

Eis por que as democracias totalitárias partem para questionar toda forma de existência democrática, social, que não se estabeleça conforme os seus desígnios. Os meios de comunicação que não aceitem ser instrumentalizados passam a ser considerados inimigos que devem ser abatidos, seja por diminuição de verbas publicitárias, seja por processos judiciais, seja por mecanismos de controle ou de banimento dos mais diferentes tipos. O contestador deve ser silenciado, pois não obedece aos ditames do “povo”, de tal “maioria” politicamente constituída. As esferas que asseguram a livre iniciativa individual são progressivamente circunscritas e limitadas, de modo que as pessoas sintam medo e passem a agir de forma não autônoma, como se assim houvesse uma conformidade ao que é “popular”. O Estado de Direito, por sua vez, é cada vez mais menosprezado, seja por não-obediência à legalidade existente, seja pela modificação incessante de leis e normas constitucionais, seja por atentados cometidos contra os princípios mesmos de uma sociedade livre.

A democracia totalitária volta-se contra os direitos individuais, contra os direitos das pessoas de não se dedicarem aos assuntos políticos, de se contentarem com seus afazeres próprios. Ela se volta contra as instituições por estas interporem um limite ao seu desregramento. Ela se volta contra a propriedade privada tanto no sentido material, de bens, quanto imaterial, de liberdade de escolha. Ela se volta contra todo aquele que reclame pela liberdade. Eis a questão com que nos defrontamos na América Latina. A clareza dos conceitos é uma condição da verdadeira democracia.

Fonte: Instituto Millenium