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Já que querem assim, assim será!

Postado em Bispos, D. Fellay, FSSPX, Igreja, Tradição, entrevista em 09/11/2009 por Ju

Sabe, poucas coisas me revoltam mais que pessoas desonestas intelectualmente. Há questão de quinze dias coloquei aqui no blog a entrevista que fiz com D. Fellay por ocasião da vinda dele a São Paulo. Essa entrevista repercutiu e o VS Blog a postou lá também.

Aí, nos comentários lá aparece um rapaz questionando quem tinha feito, se era verídico etc e eu deixei claro que quem fez foi eu e que quem consentiu foi o próprio D. Fellay. Oras, eu não ia fazer algo à revelia dele, é óbvio. Mas alguns crêem que foi invenção, má-fé ou sei lá o quê.

Chegou até ao owner do Secretum Meum Mihi advogar declarações desse naipe sem falar comigo, que sou a autora.

Se não me viram na FSSPX no domingo que ele esteve aqui entrevistando-o, Deo gratias. Não tenho que ser notada, mas que ser eficiente. A mim basta que ele tenha visto e consentido. Outros?? Que outros importam aí se o superior geral da FSSPX falou comigo em pessoa?

Vieram emails em PVT falando que eu não falei com D. Fellay coisa nenhuma, que era mentira, blablabla. É? Então, quem falou, tome. Aqui vai o áudio da entrevista com D. Fellay.

Ouça a entrevista com D.Fellay-wav

Aos que duvidavam, está aí. Como se diz no popular, comigo é assim: mato a cobra e mostro o pau. Eu não tinha pensado em por o áudio, por motivos mais que óbvios, mas a atitude sectária de uns me obriga a ser dura e clara. E seguinte: gostou ou não, o pau é comigo e não com conhecidos meus, ok?

Eu destesto ter que falar nesse tom, mas algumas pessoas que apareceram ultimamente por aqui me obrigam a ser assim. Se tanto queriam assim, não reclamem agora. E não ficarei muda não. Canalhas são tratados por mim dessa forma. Não serei doce com gente desse naipe. Que, pra mim, tais pessoas nada têm de católicos, mas sim de canalhas e mesquinhos.

Cada coisa no seu lugar

Postado em Administração Apostólica, Bispos, Comunhão, D. Fellay, D. Fernando Rifan, FSSPX, Igreja, Liberdade, O Papa, Tradição em 03/11/2009 por Ju

Todos que me conhecem e sabe que adoro fazer amigos em todo lugar. Ok. Ainda mais em se tratando de católicos tradicionais. Apesar de ver as coisas de modo diferente, tenho amizade com várias pessoas da FSSPX e não tenho problemas. Mas sempre há umas pessoas que são de matar, hehe.

No dia em que D. Fellay esteve em SP (mais especificamente no domingo, já que ele veio pro fim de semana todo), estiveram na FSSPX dois irmãos religiosos. São de uma ordem semelhante à dos sacramentinos, mas com o mesmo carisma: a Eucaristia. E um deles falou que embora não tenha missa tridentina lá, ele queria celebrar a missa tridentina quando fosse sacerdote. Adorei e troquei emails com ele e nos adicionamos no MSN.

Bom, papo vai, papo vem, e ele sempre vinha hostilizando D. Fernando, etc. Tô até acostumando… Mas a coisa começou a ficar mais séria, porque ele defendeu que a Igreja seria a Fraternidade etc, o que – inclusive – não tem suporte no que ouvi do próprio D. Fellay, mas que, lamentavelmente, muitos adotam esse discurso.

Dei um alô a ele e disse que não gostava dessa estória. Aí ele veio com outro papo nesse sentido que torrou. Eu até certo ponto tentei levar. Mas teve uma hora que cansei e fui curta e direta. Passei da conta? Pode ser. Mas sabe, ao mesmo tempo em que penso umas coisas (D. Fernado e os padres de Campos podiam ter feito algumas coisas de modo diferente, assim como a FSSPX devia ter feito diferente algumas outras), não admito outras. O cara se acha melhor que o Papa e a Santa Sé. Aí não rola mesmo.

Uma coisa na minha cabeça é ver e constatar que houveram (e existem até hj…) erros de ambas as partes. Normal, pois há seres humanos ali. Tementes a Deus e desejando dar o melhor a Ele? Sim. Mas continuamos humanos e falhos. Outra coisa, é o cara se arvorar em juiz da Igreja. Aí não admito mesmo. Se era pra isso, continuaria a ser protestante. Eu ter certas reservas com algumas coisas, achar que determinadas situações poderiam ser melhor assim e assado não me torna juíza do padre Jonas Lisboa, de D. Fernando, do Papa, do Magistério. Jamais!

Então, eu sempre serei crítica com certas coisas sim, mas ponho isso aqui, para vocês verem que uma coisa é eu ter uma visão diferente do que poderia ter sido e outra completamente distinta é o limite disso. Pra mim o limite é claro: eu não tenho graça de estado como o padre, o bispo e o Santo Padre têm. Eu somente quero ser (e morrer) filha da Igreja, como falava Sta. Teresa de Ávila. Se isso implica em renunciar ao que penso, renuncio. Se implicar em submeter meu juízo a outrem, submeto. Se implicar em dar a minha vida por Cristo e Sua Igreja, eu pedirei graça a Deus pra isso.

Dom Fellay cauteloso

Postado em Bispos, D. Fellay, FSSPX, Igreja, Tradição, entrevista em 25/10/2009 por Ju

DSC03776 - CópiaEle esteve no Brasil esse último fim de semana. Superior Geral da (polêmica e controvertida, amada e odiada) FSSPX, ele veio aqui crismar e colocar a pedra fundamental na igreja que estão erguendo na cidade de São Paulo. Às vésperas do início das conversações doutrinais com Roma, ele revela não ser afeito a uma solução temporária, a qual, diz ele, só daria mais problemas que soluções em vista do cenário atual da Igreja. Qual será o formato definitivo da Fraternidade para quando isso for encerrado? Ele deixa tudo na mão da Santa Sé e diz que Roma estabelecerá algo “conveniente para a Fraternidade”, deixando tudo nas mãos da Santa Sé.

Embora diga não saber se Roma reconhecerá publicamente os sacramentos da FSSPX, ele fala que antes de uma solução definitiva a única coisa que se poderia esperar são atos como esse. Mas não dá mais pistas.

Estando a Igreja e a própria FSSPX em um momento delicado em suas relações mútuas, resta-nos rezar que tudo se esclareça e se resolva o mais rápido possível. Segue a entrevista.

Os jornalistas frequentemente se questionam qual será o formato preferido da Fraternidade: Seria uma Administração Apostólica como Campos, uma prelazia pessoal como o Opus Dei ou um ordinariato pessoal como os anglicanos?

O Vaticano disse muito claramente que não fará nenhuma ereção canônica da FSSPX antes dos diálogos doutrinais. Como não há nada oficial e nada conhecido, não posso dizer nada. A única coisa que posso dizer é que Roma quer estabelecer para nós algo conveniente para a Fraternidade.

Se diz que a Santa Sé poderia reconhecer publicamente faculdades para todos os sacramentos celebrados pela FSSPX. S. Excia. considera que isso ocorreria em pouco tempo?

Não faço a menor idéia. Simplesmente não sei.

E uma última pergunta é sobre a Fraternidade aceitar temporariamente uma estrutura canônica provisória durante as discussões doutrinais.

Existe essa idéia, mas é um problema dentro da Igreja. Existem muitos e muitos bispos que realmente nos odeiam. Inimigos da FSSPX realmente. E iriam fazer tudo que pudessem para nos destruir. E esse acerto temporário não resolveria o problema dos padres e dos fiéis. Os bispos colocariam obstáculos imensos e ficaria um caos. Então uma solução canônica terá que ser definitiva. Somente pequenas coisas poderiam ser feitas. Por exemplo, reconhecer os sacramentos da Fraternidade, coisas desse tipo.

Rezemos pelo diálogo entre Roma e FSSPX

Postado em Comunhão, FSSPX, Igreja, O Papa, Tradição em 11/09/2009 por Ju

Nesta primavera (outono, na Europa), se iniciará o diálogo teológico entre a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada pelo falecido arcebispo Marcel Lefebvre, e a Santa Sé, sobre os temas controversos: o valor do Vaticano II, a reforma litúrgica, os pontos aparentemente conflitantes entre os documentos conciliares e o Magistério anterior.

Por parte da Fraternidade, os membros debatedores, entre os quais se encontra o Pe. Alvaro Calderón, FSSPX, serão dirigidos por D. Alfonso de Galarreta, FSSPX. Já a comissão vaticana é liderada por D. Fernando Ocáriz, vigário Geral do Opus Dei, e composta pelo Pe. Charles Morerod, OP, secretário da Comissão Teológica Internacional e decano da Faculdade de Filosofia da Universidade Santo Tomás, de Roma, pelo Pe. Karl Becker, SJ, amigo pessoal do Papa Bento XVI, e ex-professor da Universidade Gregoriana, e pelo Mons. Guido Pozzo, secretário da Comissão Ecclesia Dei.

Rezemos pelos frutos desse diálogo, e pela regularização canônica da FSSPX, que, ademais, recebeu permissão recentemente para celebrar Missas na forma extraordinária, pelo Pe. Marcus Jasny, na Basílica de São Pedro, em Roma.

Fonte: Blog VS

Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém!

Postado em D. Williamson, FSSPX, Israel, O Papa, Política em 06/02/2009 por Ju

Quem vem a esse blog sabe perfeitamente que assumi a defesa de Israel contra o Hamas. Apoiei o direito a Israel defender seu território. Só que as coisas tem limite, não é tudo do jeito que se quer não. Eles mandam no que é deles. No que não é deles, solicita-se que fiquem no canto deles e não interfiram.

Eu li agora há pouco no Fratres in Unum essa notícia:

Alemanha. O Conselho Central de Judeus na Alemanha exige que o Vaticano renegue completamente a Fraternidade São Pio X, conforme esclareceu o Secretário Geral do Conselho Central, Stephan Kramer, ao Jornal ‘Handelsblatt’. Não se pode conduzir qualquer diálogo de parceria com uma Igreja da qual a Fraternidade faça parte: “O Papa precisa se decidir em que casamento ele quer dançar” – disse Kramer. Ou ele fica do lado da Igreja do Iluminismo com o Concilio Vaticano II ou com a Igreja do Tradicionalismo com a Fraternidade: “Com as duas é que não dá.”

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Como é?? Eu li bem? Li direito? É impressão minha ou esse cara quer se meter no governo da Igreja, que, por sinal, só cabe ao Papa?? Ele acha mesmo que o papa tem que escolher entre os judeus, que não são ovelhas do rebanho do Santo Padre, embora mereçam o nosso acolhimento e respeito como descendentes de Abraão e entre católicos que são a herança espiritual e o rebanho de fato dele como Papa e pastor? Hahahaha! Conte outra.

Embora não goste de acreditar em conspirações, estou sendo verdadeiramente forçada a crer que existe, sim, uma rede internacional sendo feita, um complô para pressionar o Papa. Usando a infeliz declaração de D. Williamson como pretexto, agora tudo está virando motivo para se interferir na Igreja Católica e no seu governo.

Vão ficar no seu canto, ô infelizes! Se toquem, please…

Uma explicação da situação dos 4 bispos da FSSPX

Postado em FSSPX, Igreja, Tradição em 04/02/2009 por Ju
por Padre José Edílson de Lima (Adm. Apostólica Pessoal São João Maria Vianney)

Gostaria de esclarecer que o decreto da Sagrada Congregação dos Bispos de 21 de janeiro de 2009 não se refere à retirada da censura de excomunhão de D. Lefevbre e D. Mayer.

A excomunhão é uma censura pela qual se exclui alguém da comunhão dos fiéis. Esta comunhão é jurídica e une o fiel com a Igreja enquanto sociedade visível; exprime-se por um conjunto de relações jurídicas que se concretizam em direitos e obrigações e perde-se por um ato constitutivo da legítima autoridade que o priva dos direitos assinalados nos cânon 1331. A excomunhão é uma pena medicinal e se aplica quando há um delito cominado por ela. Seu fim é a reabilitação do delituoso e, uma vez que arrependido, pede sua absolvição, a autoridade tem o dever de revogar a pena.

Nem no código de 1917 nem no atual existe a revogação da pena de excomunhão para os mortos, pois, como diz o direito, a morte faz cessar todas as censuras.

O atual decreto faz cessar os efeitos jurídicos legais da excomunhão a partir de 21/01/2009. Estes efeitos são explicitados no Código:

1. ter qualquer participação ministerial na celebração do Sacrifício Eucarístico ou em qualquer outra cerimônia de culto;
2. celebrar sacramentos ou sacramentais e receber sacramentos;
desempenhar quaisquer ofícios ou ministérios ou cargos eclesiásticos ou exercitar atos de governo;
3. desempenhar quaisquer ofícios ou ministérios ou cargos eclesiásticos ou exercitar atos de governo;

O atual decreto de levantamento da excomunhão dos quatro bispos da Fraternidade não torna inválido o anterior, muito pelo contrário. Houve um delito, foi aplicada a pena medicinal e, uma vez demonstrada a boa vontade dos bispos de voltar à plena submissão ao Magistério e ao Sucessor de Pedro, a pena foi retirada.

Quanto a D. Lefevre e D. Mayer, estão sob os juízos de Deus, que vai julgar suas intenções, que acreditamos foram as melhores para servir à Igreja na atual crise. A comunhão mística na Igreja só se perde pelo pecado mortal. O que ocorreu foi a perda da comunhão jurídica, com seus efeitos legais, com a Igreja enquanto sociedade visível.

Resta agora rezar para que a FSSPX, colocando-se à disposição do Papa para o trabalho de restauração da Igreja nesta hora de crise, possa dar seu contributo como bem expressou D. Fellay e possamos salvar muitas almas.

Os artigos do Prof. Fedeli infelizmente vão além do fato ocorrido. O decreto de Bento XVI não foi uma mea culpa da S.Sé. Foi o início de um processo em que esperamos a Tradição da Igreja tenha nela o seu devido lugar. Falta ainda uma comunhão plena com a Fraternidade, que é o que desejamos. Há ainda as questões de caráter teológico que precisam ser esclarecidas e é necessário dar à FSSPX um estatuto canônico dentro da Igreja, pois sua ação pastoral continua irregular e, fora dos casos previstos em direito, ilícita.

Fonte: Veritatis

Grifos no texto são meus, não do autor.

Dossiê do Levantamento das Excomunhões

Postado em FSSPX, Igreja em 27/01/2009 por Ju

O Fratres in Unum fez um dossiê completo sobre o levantamento das excomunhões dos 4 bispos da FSSPX.

Com toda a documentação, as repercussões, entrevistas, etc. Eu colocarei ele aqui no blog também, por entender que isso facilitará muito a busca por um conteúdo farto e de qualidade sobre isso.

Quero, quando descobrir o esquema do html para isso, colocar o banner q ele fez na barra lateral com a imagem e o link para esse dossiê. Ainda não dá, hehe…

Por enquanto eu deixo aqui junto os meus dois posts sobre o assunto que são de minha autoria e/ou compilação:

Do Contra

Reflexões Sobre o Decreto de Anulação

O dossiê do Fratres ficará então (quando eu conseguir fazer isso, kkk) na barra lateral do blog, tal como ele fez lá (muito bem bolado, aliás!).

Reflexões sobre o Decreto de Levantamento das Excomunhões

Postado em FSSPX, Igreja, Tradição em 24/01/2009 por Ju

Em um tópico pra lá de agitado na Católicos, o tema do fim-de-semana foi, claro, o decreto anulando as excomunhões.

Trago para cá as coisas mais relevantes ditas lá.

D. Antonio Keller fez uma avaliação por demais lúcida e imparcial da situação, veja:

Por um ato de grandeza, o Santo Padre aceitou o pedido (pedido que poderia ter sido negado…) do superior da FSSPX revogando a excomunhão que pesava sôbre os quatro bispos ordenados de forma ilícita. O resto, agora, são conjecturas, opiniões, etc…A carta de D. Fellay expressa a alegria por isto, reconhecendo o gesto magnânimo do Santo Padre.

A partir de agora, inicia-se uma nova fase: que lugar a FSSPX ocupará no “Corpus Ecclesiae”. como a FSSPX poderá ajudar a Igreja a acolher e entender com maior cuidado a Tradição; em que sentido a FSSPX entende que a Igreja tenha-se desviado da autêntica Tradição, com a reforma liturgica, a questão do diálogo ecumênico, e outros pontos nos quais a FSSPX discorda do Concílio Ecumênico Vaticano II. Nem a FSSPX está negando sua visão, nem a Santa Sé está abandonando o Concílio Vaticano II. Agora, como já tinha dito antes, começa uma nova fase, a do diálogo. Parece que alguns já estabeleceram quem ganhou ou quem perdeu. Por favor, este não pode ser o nosso espírito. Se ficarmos no prisma de quem perdeu, ou quem ganhou, com ufanismos infantis. Vamos nos esquecer da caridade, e cair na mentalidade de times de futebol. Por favor, não é. Quem ganhou foi a Igreja, a “Sancta, Una, Catolica et Apostolica Ecclesiam”.

Então, penso que vivemos um momento histórico. A aproximação de um grupo de irmãos (coeptum fidelium), que se organizaram na busca de uma fidelidade à Tradição da Igreja. Um grupo consistente, que tem razões, segundo sua visão teológica, em não aceitar determinadas situações criadas após o Concílio Vaticano II. Não é um grupo de traidores da fé, pelo contrário. Resistiram de forma organizada, segundo critérios fundamentados na fé, a uma situação por eles considerada anormal na Igreja. O como organizaram-se, a maneira de levar adiante esta contestação, isso sim podemos discutir, não a intenção, que sempre foi aquela de fidelidade à Igreja de Cristo. Poderia ter sido de outra forma, de outra maneira? Talvez, apesar que “poderia” não é a realidade. Tudo pode ser diferente, mas em cada momento, diante de situações bem concretas, fica difícil às vezes não sómente ser compreendido, mas também compreender.

Temos, a meu ver, ainda outro grupo, talvez este mais consistente, que são aqueles que “engolem” com muita dificuldade a visão do Santo Padre, denominada com muita propriedade, a “hermenêutica da continuidade, da não ruptura” que distingue o espírito e a realidade do Concílio Vaticano II. Este grupo, muito mais numeroso, mais consistente, talvez não tão organizado, está disseminado em todas as realidades eclesiais e em todas as partes do mundo, alimenta-se da grande parte de teólogos e pastoralistas da Igreja, que fazem ouvidos moucos (em bom português: são surdos mesmo) à visão, aos pronunciamentos, aos documentos, etc., emanados da autoridade suprema da Igreja. São aqueles que continuam a fazer exatamente aquilo que aprenderam, ouvindo ou vendo fazer, nos abusos não autorizados pelo Vaticano II, usando a autoridade do mesmo Concílio para fundamentarem suas visões aberrantes a respeito de Doutrina, Liturgia, Moral, Ecumenismo, etc. [OBS: Aqui ele fala da TL, que está alastrada como erva daninha]

Finalmente, existe um terceiro grupo, uma terceira realidade na Igreja de hoje, que são aqueles que estão em sintonia com o Magistério da Igreja, em espírito e em verdade. A estes, a situação dos nossos irmãos da FSSPX incomodava muito, no sentido de sofrer também em ver que, de alguma maneira estes irmãos tinham razão, mas não em tudo, já que segundo a visão deste grupo, deste “coeptus fidelium” também consistente, também buscando a fidelidade à Igreja, a separação sempre foi uma chaga. Ver irmãos nossos, com a mesma fé, separados, com o dedo em riste contra nós, acusando-nos de traição à Tradição que tanto amamos, não é nada agradável.

A atitude do Santo Padre, a meu ver, vem de encontro a esta situação dolorosa, muito mais dolorosa para João Paulo II, que teve que engolir esta “separação” em seu pontificado, claramente voltado para sanar os problemas com o outro grupo de católicos, os que causaram e continuam a causar um mal ainda maior para a Igreja, estes sim traindo e abandonando a Tradição.

Bento XVI, de certa maneira, a meu ver, fez aquilo que todos nós, tanto os da FSSPX como os católicos que sempre procuraram estar unidos ao Santo Padre, reconhecendo no espírito e na letra do Concílio Vaticano II não uma ruptura, mas uma continuidade com a legítima Tradição da Igreja, então, ele fez o que nós mais queriamos que acontecesse: o diálogo desarmado e construtivo.

Não temos posições para defender ou para renunciar: temos a Igreja, a qual queremos cada vez mais bela e resplandecente na fidelidade a Cristo. Agora, após esta atitude que inclui humildade, magnânimidade, que são coisas de Deus, porisso, produzem alegria e paz, resta ainda, na Igreja um grave problema para ser afrontado. Aquele do “segundo grupo”… a meu ver, muito mais grave e sério, já que indefinido, e que age de forma subreptícia, por baixo dos panos, e que está presente, diria, fortemente presente, em muitas realidaes ecleisiais (cúrias, seminários, institutos teológicos, etc…). Estes não tem mudado em nada sua visão e sua ação…

E ele coloca, como vemos, a situação em linhas bem reais e sem a paixão de um dos lados.

Agora, restam algumas questões de ordem prática, como disse o Rafael Cresci no tópico:

  1. Como vai ficar a situação jurídica da SSPX, uma vez que LEGALMENTE ela simplesmente não existe mais (pois foi suprimida canonicamente em 1976)? Será uma prelazia pessoal? Será um instituto pontifício?
  2. Os bispos serão incardinados na prelazia, ou se não existir prelazia, estarão incardinados onde? Para ser titular de uma diocese in partibus, eles teriam cara um de ser auxiliar de alguma diocese ou prelazia existente; e se a SSPX for erigida apenas como instituto ou congregação, isso não seria possível.

(Por isso que creio que 2 depende de 1).

Se Sua Santidade definir (2) antes de (1), então ele já vai estar dando pistas do que pretende fazer a respeito da Fraternidade em si.

Fora a situação dos padres, que atualmente continuam a ver navios e estarem suspensos a divinis. Eles têm de ser de-suspendidos e incardinados em algum lugar: nas sedes titulares dos bispos (que no momento continuam sendo bispos de lugar-nenhum), numa prelazia, num instituto ou numa congregação religiosa.

Vamos ver qual será o caminho que tomará a FSSPX como estrutura dentro da Igreja agora.

Se bem que uma mosquinha azul me fala que Dom Fellay e o Santo Padre junto com o cardeal prefeito da congregação para os bispos já teriam feito um esboço de como seria. Senão, o ato de hoje seria somente um caos no vazio. E o Papa não age assim.

Carta de D. Fellay aos fiéis da FSSPX

Postado em Comunhão, FSSPX, Igreja em 24/01/2009 por Ju

Carta do Superior Geral da Fraternidade São Pio X aos fiéis.

Caríssimos fiéis,

Como anunciei no comunicado em anexo, “a excomunhão dos bispos sagrados pro S.E.R. Dom Marcel Lefebvre no dia 30 de junho de 1988 que tinha sido declarada pela Sagrada Congregação para os Bispos por um decreto do dia 1 de julho de 1988 e que nós sempre contestamos, foi retirada por outro decreto da mesma Sagrada Congregação no dia 21 de janeiro de 2009, por mandato do Papa Bento XVi”. Era a intenção de oraçõse que eu lhes tinha confiado em Lourdes, no dia da festa de Cristo Rei de 2008. Os senhores responderam muito bem além de nossas esperanças, pois que um milhão setecentos e três mil terços foram recitados para obter pela intercessão de Nossa Senhora o fim do opróbrio que pesava, na pessoa dos bispos da Fraternidade, sobre todos aqueles que estão unidos de perto ou de longe à Tradição. Saibamos agradecer à santíssima Virgem que inspirou ao Santo Padre este ato unilateral, bondoso, corajoso. Asseguremos-lhe nossa fervente oração.

Graças a este gesto, os católicos do mundo inteiro unidos à Tradição não serão mais injustamente estigmatizados e condenados por ter mantido a Fé de seus pais. A Tradição católica não está mais excomungada.Apesar de que ela nunca o esteve em si, ela muito freqüentemente e cruelmente o esteve de fato. Do mesmo modo que a missa tridentina jamais esteve ab-rogada em si, como foi felizmente lembrado pelo santo Padre pelo Motu Proprio Summorum Pontificum do dia 7 de julho de 2007.

O decreto do dia 21 de janeiro cita a carta do dia 15 de dezembro passado ao Cardeal Castrillón Hoyos na qual eu expressava nosso apego “à Igreja de N.S. Jesus Cristo que é a Igreja Católica” e reafirmando nossa aceitação de seu ensinamento e nossa Fé na primazia de Pedro. Eu recordava como sofremos pela situação atual da Igreja onde este ensinamento e esta primazia são humilhados, e acrescentava: “Estamos prontos para escreve com nosso sangue o Credo, para assinar o juramento anti-modernista, a profissão de Fé de Pio IV, nós aceitamos e fazemos nossos todos os concílios até o Vaticano II a respeito do qual temos nossas reservas”. Em tudo isso, temos a convicção de permanecer fiéis à linha de conduta traçada por nosso fundador, Dom Marcel Lefebvre, de quem esperamos uma próxima reabilitação.

Também desejamos abordar estas “conversações” que o decreto reconhecia como necessárias sobre as questões doutrinais que se opõem ao magistério de sempre. Não podemos senão verificar a crise sem precedentes que sacode a Igreja de hoje: crise de vocações, crise de prática religiosa, do catecismo, e da freqüência dos sacramentos… Antes de nós, Paulo VI falava de uma infiltração da “fumaça de Santanás”, e de uma “auto demolição” da Igreja. João Paulo II não hesitou em dizer que o catolicismo na Europa estava em estado de uma “apostasia silenciosa”. Pouco antes de sua eleição ao Soberano Pontificado, Bento XVi, ele mesmo, comparava a Igreja a “uma barca na que entrava água por todos os lados”. Também nós queremos, nestas “conversações” com as autoridades romanas, examinar as causas profundas da situação presente e de apresentando o remédio adequado, chegar a uma restação sólida da Igreja.

Queridos fiéis, a Igreja está nas mãos de nossa Mãe, a Santíssima Virgem Maria. Nós nos confiamos a Ela. Nós lhe pedimos a liberdade da missa de sempre, em todos os lugares e para todos. Nós lhe pedimos o levantamento do decreto de excomunhão. Nós lhe pedimos em nossas orações, a Ela que é a Sede da Sabedoria, estes necessários esclarecimentos dotrinais que as almas atribuladas têm tanta necessidade.

Menzinger, 24 de janeiro de 2009.

Bernard Fellay

fonte: DICI

Agora é fato!

Postado em Bispos, Comunhão, FSSPX, Igreja, O Papa, Tradição em 24/01/2009 por Ju

Saiu no Fratres:

DECRETO DA CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS

Com carta de 15 de Dezembro de 2008 endereçada a Sua Eminência o Sr. Cardeal Dario Castrillón Hoyos, Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, Mons. Bernard Fellay, também em nome dos outros três bispos consagrados em 30 de Junho de 1988, solicitava novamente a remoção da excomunhão latae sententiae formalmente declarada por Decreto do Prefeito desta Congregação para os Bispos em data de 1° de Julho de 1988. Na mencionada carta, Mosenhor Fellay afirma, entre outras coisas: “Estamos sempre firmemente determinados na vontade de permanecer católicos e de colocar todas as nossas forças a serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja Católica Romana. Nós aceitamos os seus ensinamentos com ânimo filial. Acreditamos firmemente no Primado de Pedro e em suas prerrogativas, e por isso nos faz sofrer tanto a situação atual”.

Sua Santidade Bento XVI – paternamente sensível ao desconforto espiritual manifestado por pelos interessados por causa da sanção de excomunhão, e confiando no compromisso expresso por eles na cidade carta de não poupar esforço algum para aprofundar as questões ainda abertas em necessárias conversações com as Autoridades da santa Sé, e poder assim chegar rapidamente a uma plena e satisfatória solução do problema existente em princípio, decidiu reconsiderar a situação canônica dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta, relativa a sua sagração episcopal.

Este ato expressa o desejado de consolidar as relações recíprocas de confiança, intensificar e fazer mais estábeis as relações da Fraternidade São Pio X com a Sé Apostólica. Este dom de paz, ao término das celebrações do Natal, aspira também a ser um sinal para promovar a unidade na caridade da Igreja universal, e por seu meio, retirar o escândalo da divisão.

Desejando que este passo seja seguido sem demoras da plena comunhão com a Igreja de toda a Fraternidade São Pio X, em testemunho de uma verdadeira fidelidade e de um verdadeiro reconhecimento do Magistério e da autoridade do Papa através da prova da unidade visível.

Conforme as faculdade que me foram expressamente concedida pelo Santo Padre, Bento XVI, em virtude do presente Decreto, cancelo aos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfons de Galarreta a censura de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação em 1 de julho de 1988 e declaro privado de efeitos jurídicos a partir do dia de hoje o Decreto então publicado.

Roma, Sagrada Congregação para os Bispos, 21 de janeiro de 2009.

Cardeal Giovanni Batista Re
Prefeito da Sagrada Congregação para os Bispos

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé

Il Santo Padre, dopo un processo di dialogo tra la Sede Apostolica e la Fraternità Sacerdotale San Pio X, rappresentata dal suo Superiore Generale, S.E. Mons. Bernard Fellay, ha accolto la richiesta formulata nuovamente da detto Presule, con lettera del 15 dicembre 2008, anche a nome degli altri tre Vescovi della Fraternità, S.E. Mons. Bernard Tissier de Mallerais, S.E. Mons. Richard Williamson e S.E. Mons. Alfonso del Gallareta, di rimettere la scomunica in cui erano incorsi vent’anni fa.

A causa, infatti, delle consacrazioni episcopali fatte, in data 30 giugno 1988, da S.E. Mons. Marcel Lefebvre, senza mandato pontificio, i menzionati quattro Presuli erano incorsi nella scomunica latae sententiae, dichiarata formalmente dalla Congregazione per i Vescovi in data 1° luglio 1988.

S.E. Mons. Bernard Fellay, nella citata missiva, manifestava chiaramente al Santo Padre che: “siamo sempre fermamente determinati nella volontà di rimanere cattolici e di mettere tutte le nostre forze al servizio della Chiesa di Nostro Signore Gesù Cristo, che è la Chiesa cattolica romana. Noi accettiamo i suoi insegnamenti con animo filiale. Noi crediamo fermamente al Primato di Pietro e alle sue prerogative, e per questo ci fa tanto soffrire l’attuale situazione”.

Sua Santità Benedetto XVI, che ha seguito fin dall’inizio questo processo, ha cercato sempre di ricomporre la frattura con la Fraternità, anche incontrando personalmente S.E. Mons. Bernard Fellay, il 29 agosto 2005. In quell’occasione, il Sommo Pontefice ha manifestato la volontà di procedere per gradi e in tempi ragionevoli in tale cammino ed ora, benignamente, con sollecitudine pastorale e paterna misericordia, mediante Decreto della Congregazione per i Vescovi del 21 gennaio 2009, rimette la scomunica che gravava sui menzionati Presuli. Il Santo Padre è stato ispirato in questa decisione dall’auspicio che si giunga al più presto alla completa riconciliazione e alla piena comunione.

[00146-01.02] [Testo originale: Italiano]Prefetto della Congregazione per i Vescovi