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Adeste fidelis!

Postado em Igreja, Liturgia, Natal em 25/12/2009 por Ju

É Natal. Podia fazer uma longa reflexão, mas não vou. Eu vou simplesmente colocar o vídeo com a música mais tradicional de Natal que há: Adeste Fidelis. A letra diz tudo.

O Adeste Fidelis é uma das mais populares canções natalinas de todos os tempos e a autoria da letra e da música é disputada por muitos países. Há quem aponte São Boaventura (século XIII) como o autor da letra, outros indicam o rei português D. João IV (século XVII) e outros o músico inglês John Francis Wade (Século XVIII). Conta-se também que a melodia da canção foi cantada por representantes portugueses durante um encontro entre um embaixador de Portugal e o rei britânico na Inglaterra. Sabe-se apenas que o texto original foi escrito em latim.

Há traduções em muitas línguas, algumas com grandes diferenças para o que se considera ser o original. Os filmes popularizaram muito a versão O Come All Ye Faithful.

(informações tiradas de Miles Ecclesiae)

Adeste, fidelis, laeti triumphantes;
Venite, venite in Bethlehem.
Natum videte Regem angelorum.

Venite adoremus, venite adoremus,
Venite adoremus, Dominum.

En grege relicto, humiles ad cunas
Vocati pastores approperant:
Et nos ovanti gradu festinemus.

Aeterni Parrentis splendorem aeternum
Velatum sub carne videbimus,
Deum infantem, pannis involutem.

Pro nobis egenum et foeno cubantem
Piis foveamus amplexibus;
Sic nos amantem quis non redamaret?

Tradução:

1-Acorrei fiéis, alegre, em tiunfo. Vinde, vinde a Belém. Vede nascido o Rei dos Anojs.

Coro: Ó vinde e adoremos, ó vinde e adoremos o Senhor.

2-Já deixado o gado para a lepinha humilde os lagais se apressam, e com passo alegre nós vamos também!

Ó vinde e adoremos…

3-Sob véu de carne contemplaremos o Esplendor Eterno do Eterno Pai e o Deus menino em panos enfaixado.

Ó vinde e adoremos…

4- Por nós tão pobrezinho, em palhas deitado. Vamos abrecemo-lo. Quem a tal amante há aí que não ame?

Ó vinde e adoremos…

Santos sacerdotes!

Postado em Administração Apostólica, D. Fernando Rifan, Igreja, Liturgia, Missa Tridentina, Sacerdotes, Tradição em 08/12/2009 por Ju

Eu e o Pe. Adriano Eu sei que será com atraso, claro, de mais de 24 horas do acontecido, mas não faz mal. O importante é o registro de uma das cerimônias mais lindas que assisti: a ordenação sacerdotal do Pe. Adriano e do Pe. Sidnei em Campos. 

Cheguei um dia antes, porque ninguém merece fazer bate e volta (se bem que teve gente que fez isso…) pra lá. Cansa demais. O tempo não prometia: chuvoso, tempo chato mesmo. Mas isso seria compensado com outras coisas. Cheguei cedo mesmo na ordenação, antes das 8 (era 9 horas o horário da cerimônia), mas eu queria um lugar na frente. 

Aí, vejo, aos poucos, chegarem padres, seminaristas, o próprio (então) Diácono Adriano, enfim. Sentaram atrás de mim uma família de S. Fidelis e tinha uma outra de Bom Jesus também. E a igreja foi enchendo, enchendo. Chegaram as famílias dos dois ordenandos. 

A cerimônia ia começar logo… Havia um coral enorme formado por fiéis de várias paróquias da Adm. Apostólica: Terço, Igreja Principal, Bom Jesus, Itaperuna, S. Fidelis, etc. Aí o coro começa a cantar “Ecce sacerdos magnus” enquanto D. Fernando entra, todo ricamente vestido. 

Ecce Sacerdos Magnus

Com todas as vestes e dignidade de um sucessor dos apóstolos. A igreja toda se ajoelha para a recepção do bispo.  É algo fascinante e emocionante. Ele entra abençoando o povo e depois de rezar no altar, vai cumprimentar as famílias dos dois neo-sacerdotes. 

 Em seguida, ele sai para se paramentar. Em poucos minutos começa a procissão de entrada, com os (então) diáconos, o clero todo e Dom Fernando veste a casula por cima da dalmática pontifical. Ainda outros sacerdotes no altar rica e lindamente paramentados. Somos visuais, falem o que quiserem. A grande verdade é que Deus merece o melhor que podemos dar.  Não é luxo, não é ostentação, mas dignidade. E isso toca demais a qualquer um que vê, afinal sabemos estar diante de sacerdotes do Altíssimo. 

A ladainha dos santos é outro momento rico e tocante demais: eles se humilham diante de Deus. É pra fazer a gente pensar muitooo mesmo na entrega que dizemos fazer a Deus: é total? 

Ladainha deTodos os Santos

Ladainha de todos os santos

Um pouco depois, na imposição das mãos, o bispo reza para que eles “sejam coperadores zelosos” do ministério dele e que “brilhe neles toda forma de justiça”. Aí veio a entrega dos paramentos e a unção das mãos deles, outro momento sem palavras. Eu me sinto muito limitada para falar de algo tão elevado. 

A imposição das mãos

Imposição das mãos

Todos os sacerdotes vão impor as mãos

Todo o clero faz o mesmo

Os primeiros

Os primeiros a beijar suas mãos

 

Aqui vai uns insights da cerimônia: 

 

Depois, a missa seguiu seu curso: Evangelho, credo, ofertório, comunhão. Uma missa linda, com “tudo que se tem direito”. Uma missa muito mais que solene, uma missa pontifical. A missa, diga-se, foi toda cantada. Espero que compreendam que essa que vos escreve está sem palavras diante do esplendor de Cristo e da Sua Igreja. Mais fotos da cerimônia estão no flickr

São João Maria Vianney, rogai por nós.

Advento: um novo ano litúrgico se inicia

Postado em Advento, Igreja, Liturgia, Penitência em 28/11/2009 por Ju

O ano litúrgico se inicia com as vésperas do 1º domingo do advento, que é o domingo mais próximo do final de novembro (esse ano cai dia 29/11 o primeiro domingo) e se estede até do dia 24 de dezembro.

O Advento (como a Quaresma) ao mesmo tempo que nos chama à penitência, nos enche de esperança. Na Quaresma essa esperança é a Ressurreição. No Advento, essa esperança é a vinda do Salvador, vinda que se mescla com o seu nascimento (sua primeira vinda a esse mundo) e seu retorno triunfante como Rei do Universo e Supremo Juiz.

É um tempo de nos penitenciarmos e repensarmos em como estamos vivendo o chamado de Deus. Deus, na sua misericórdia, nos dá inúmeras oportunidades para mudarmos de vida e nos conformarmos aos seus planos e aos seus desígnios. Cada ano no Advento e na Quaresma temos chance de repensar o modo como estamos vivendo nosa vida cristã.

Assim como em todo o tempo do Advento não se canta o Glória e usa paramentos roxos em sinal de penitência e conversão, façamos no início desse novo ano litúrgico, penitência e uma revisão das nossas vidas. Deixemos algo que nos agrada e nos voltemos para Deus, na esperança de um mundo novo (Ele vindo como Messias) e do Seu Natal, que deve dar-se prioritariamente nos nossos corações, uma vez que Ele já veio ao mundo como menino e voltará como juiz. Lembremo-nos da parábola das dez virgens, onde as imprudentes, que não tinham azeite nas suas lâmpadas foram deixadas de fora.

“Alma Redemptoris Mater”

Alma Redemptoris mater
Quae pervia caeli porta manes
Et Stella Maria
Succurre cadenti
Surgere qui curat populo
Tu quae genuisti
Natura mirante
Tuum sanctum Genitorem
Virgo prius, ac posterius
Gabrielis ab ore
Sumens illud Ave
Peccatorum miserere

No Advento e no período de Natal, tradicionalmente se canta a antífona mariana Alma Redemptoris Mater no final de Vésperas (“Santa Mãe do Redentor”). Segundo o testemunho do cisterciense Cesário de Heisterbach (†depois de 1240), o poeta que teria composto esta antífona seria o monje Hermann der Lahme (o “coxo” †1054). Encontra-se pela primeira vez no Antifonário do século XII (no mosteiro de St. Maur-des-Fossés em Paris). Com poucas palavras e expressivas imagens (como a expressão “Porta do Céu”) relaciona a “Virgem Mãe do Redentor” com o acontecimento do Natal.

Finados: uma reflexão

Postado em Igreja, Liturgia em 02/11/2009 por Ju
Pe. E. José Possidente

allsoulsdayDizia Santo Agostinho que “a preocupação com os funerais, a condição da sepultura, a pompa das exéquias são mais consolo para os vivos do que subsídio para os mortos”. Não devemos desprezá-las nem rejeitá-las, especialmente quando provêm de corações retos e gratos, porque os corpos foram os órgãos e os instrumentos de que usou o espírito para fazer o bem. A Igreja conserva a preciosa tradição do respeito para com os mortos, inumando-os, para aguardar a gloriosa ressurreição do último dia.

É ocasião de renovarmos nossa fé no nono artigo do Credo: creio na comunhão dos santos. Comunhão é aquela íntima união entre todos os membros da Igreja (santos = cristãos), aquela participação nos bens tanto internos (a graça, os merecimentos de Jesus, de Maria e dos Santos), como externos (as orações públicas, o Santo Sacrifício da Missa, outras práticas). Se os cristãos da Terra (a igreja militante) honram e invocam os santos do céu (igreja triunfante), contemplando-lhes a glória, a primeiro de novembro; no dia de finados, vão em socorro das almas do Purgatório (igreja padecente), numa comemoração solene, com um sufrágio geral. São três estágios da mesma Igreja: os santos nos amam e intercedem por nós. Nós corremos em auxílio das almas sofredoras, que nos precederam no sinal da fé. A morte arrebatou-nos entes queridos, e contudo não pode haver separação daqueles que expiram no ósculo do Senhor. O vínculo da caridade continua a unir-nos a todos, estreitando num só abraço a terra, o céu e o purgatório, de maneira que entre esses três pólos circula o auxílio fraterno fruto do amor, que tem por fim o triunfo da caridade na glória comum do Paraíso.

A liturgia do dia de finados está impregnada de tristeza, mas não da tristeza “dos que não têm esperança”, porque, para além dela, resplandece a fé na bem-aventurada ressurreição, na felicidade eterna que nos espera.

O que vale para os mortos é nossa oração, mais do que a vela acesa e nossas flores. Devemos sufragar as almas dos fiéis defuntos com orações, esmolas e todas as outras boas obras, sobretudo com o Santo Sacrifício da Missa.

1º E pensar que nós também havemos de morrer e apresentar-nos ao tribunal de Deus para Lhe dar conta de toda nossa vida;

2.º Conceber grande horror ao pecado, considerando quão rigorosamente Deus o castiga na outra vida;

3.º Satisfazer nesta vida a justiça divina, com obras de penitência, pelos pecados cometidos.

Tradicionalmente, dedica-se o mês de novembro para recordar as almas do purgatório. Aproveitemo-lo, para exercer não só com as almas dos parentes, amigos e benfeitores, mas com todas as almas do purgatório o ato de caridade a que estamos obrigados. E rezemos com a Igreja, no “Dies irae”:

Grande Rei de tremenda majestade,

Que costumas salvar gratuitamente,

A salvação te peço humildemente,

Ó fonte inexaurível de piedade!

Lembra-te, ó doce Filho de Maria,

Que só por meu amor desceste à terra;

Toda a minha esperança em Ti se encerra;

Não me abandones no tremendo dia.

E para as almas do Purgatório: “Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno,

Entre os resplendores da luz perpétua descansem em paz. Amém”.

Fonte: Adm. Apostólica S. João Vianney

Dia de Todos os Santos

Postado em Liturgia, Santos em 01/11/2009 por Ju

allsaintsEssa celebração teve origem em Antioquia no Oriente no século IV, e foi introduzida no Ocidente em Roma no século VI.

Várias foram as razões para realizar essa festa: resgatar a lembrança daqueles cujo nomes foram omitidos por falta de documentos e que somente são conhecidos por Deus, alcançar, por sua intercessão, as graças de que necessitamos e ter sempre presente esses modelos de conduta, a fim de imitá-los.

Deus prometeu de fato dar a eterna bem-aventurança aos pobres no espírito, aos mansos, aos que sofrem e aos que têm fome e sede de justiça, aos misericordiosos, aos puros de coração, aos pacíficos, aos perseguidos por causa da justiça e a todos os que recebem o ultraje da calúnia, da maledicência, da ofensa pública e da humilhação. Hoje todos esses Santos que tiveram fé na promessa de Cristo, a despeito das fáceis seduções do mal e das aparentes derrotas do bem,  alegram-se e exultam pela grande recompensa dada por um Rei incompreensivelmente misericordioso e gênero, DEUS. Os Santos são amigos eficazes, pois a vontade deles e totalmente semelhante à de Deus, manifestada em Cristo, único Senhor deles e nosso.

Essa celebração presta homenagem também a todos os Santos desconhecidos, sem nome, que pareceram presença inútil no mundo, mas que carregaram em silêncio a marca do Filho do homem, ou seja a cruz. Para Deus, os Santos são amados todos do mesmo modo, pois o que conta não é a irradiação do testemunho dado na terra pelo mais lembrado ou pelo mais escondido deles, mas a fidelidade e o amor que somente Deus conhece.

Esta festa quer homenagear a multidão dos Santos que estão na glória de Deus e são para todos nós motivo de imensa alegria, pois são irmãos e irmãs nossos que souberam viver em Cristo e, pela graça de Deus, alcançaram a plenitude da vida eterna.

ORAÇÃO A TODOS OS SANTOS

Ó Deus,

Concedei-nos, pelas preces dos Santos,

A quem destes perseverar na imitação de Cristo pobre e humilde,

Seguir a nossa vocação com fidelidade.

E chegar àquela perfeição que nos propusestes em Vosso Filho.

Que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo

Amém.

Quanta honra…

Postado em Deu na Mídia, Liturgia, Missa, amigos, latim em 29/07/2009 por Ju

Ao escrever o texto sobre a missa na paróquia do Pe. Tiago (que postei aqui também) e mandar para o Salvem a Liturgia, tinha a intenção de fazer um breve relato do que foi essa missa tão linda. O Rafael Vitola Brodbeck pediu um relato dessa missa a um dos presentes naquele dia. Como a profissão já tá na veia, hehe, resolvi fazer o texto e mandar para ele (sem deixar de postar aqui também).

Ok.

Mas… Ele podia querer um texto diferente. Não quis. Gostou daquele mesmo. Ótimo. Publicaram no mesmo dia. Muito legal. Embora eu não seja da equipe do blog Salvem a Liturgia, conheço quase todos, amo a liturgia também e foi um prazer colaborar com o blog deles.

A maior surpresa não foi isso. Ao abrir emails e orkut hoje, o que vejo?? O New Liturgical Movement republicou o meu texto. É uma honra enorme, já que esse blog é referência internacional de boa liturgia e inclusive – segundo membros do Salvem a Liturgia – esse site foi a inspiração para eles.

Eu confesso estar muito lisonjeada. Fico muito feliz de ter colaborado com esse blog a quem admiro muito e mais: de o New Liturgical Movement republicar esse texto internacionalmente.

Quando me propus a fazer o relato dessa missa ao Rafael Vitola Brodbeck, queria somente registrar tal iniciativa do Pe. Tiago, a quem admiro muito, e mostrar que a missa não deixa de ser celebrada em latim ou não por causa de condições sociais, etc. Mas que isso é somente querer viver a liturgia que a Igreja nos propõe há séculos.

As aparencias enganam…

Postado em Igreja, Liturgia, Missa, Sacerdotes, amigos, latim em 27/07/2009 por Ju
Podia parecer uma missa tridentina: versus Deum, latim, etc. Mas não era. Era a missa de Paulo VI em latim e versus Deum.

Dia 26 de Julho de 2009, 10h30 da manhã, região de Interlagos, zona sul de São Paulo – SP. Um local simples, humilde, periferia, havia todos os fatores que alguém possa elencar “com autoridade” para não celebrar em latim. Afinal, falam, somente pessoas cultas entenderiam o latim, etc. Nesse dia tivemos a prova cabal e concreta da falácia desse pseudo-argumento.

Em uma bela iniciativa pastoral, o Pe. Tiago Roney Sanxo, pároco da Igreja de S. Joaquim e Sta. Ana, se propôs a celebrar uma vez ao mês em latim. A princípio ele usará o rito romano reformado (pós-Vaticano II, ou o rito de Paulo VI). Pretende futuramente alternar entre as duas formas do rito romano (reformada e tridentina).

No dia dos padroeiros, ele fez a missa inaugural. Tendo ela sido celebrada pelo Pe. Renato Leite (padre diocesano de Sto. Amaro também) em latim e versus Deum – ou ad Orientem -, essa missa foi um primor litúrgico. Tendo o Kyriale cantado em canto gregoriano e diversas partes também (o Pai Nosso, as respostas ao sacerdote), ela primou pela beleza.

Incensando o altar

Essa missa teve tudo o que teria direito. Usando uma linda casula romana toda dourada, ele entra com uma comitiva de acólitos. O perfume do incenso toma toda a igreja. Vimos as leituras e a oração dos fiéis e após o Evangelho ser lido, fomos premiados com um lindo sermão sobre o valor do sofrimento. Algo raro hoje. Enquanto muitos (ou quase todos) querem pregar um “evangelho” adocicado, o Pe. Renato teve o brio de não maquiar a real mensagem de Cristo.

Laís lendo a 2 leitura

Depois cantamos o Credo e começou a consagração. Foi usado o Cânon Romano (Oração Eucarística I).

Ofertório

E o vinho

Incensando as ofertas

Hoc est enim corpus meu

Após a consagração, teve lugar a comunhão. Todos comungaram de joelhos e na boca – antiga tradição da Igreja e jamais abandonada – em profunda reverência. Não houve profanações ali, ao contrário, viu-se ali um resgate da identidade litúrgica da Igreja.

Eu comungando

Ah, mas e o argumento de que as pessoas não participam, que não entendem o latim, etc? Ficou provado que era falso. As pessoas amaram a missa, participaram sim. Porém participar não é igual a sair dançando. Que o Pe. Tiago seja muito abençoado nessa iniciativa dele para seus paroquianos, levando-os a conhecer a real tradição litúrgica da Igreja.

Últimas orações

Quarta-Feira de Cinzas

Postado em Igreja, Liturgia, Oração, Penitência, Quaresma em 25/02/2009 por Ju

A estação neste dia reunia-se em Santa Sabina, no Aventino, no santuário que se erguera no ano 425 no lugar onde fora a casa desta mártir. Para humilhar o nosso orgulho e nos recordar a sentença de morte que havemos de sofrer em conseqüência do pecado, a Igreja coloca-nos cinzas na cabeça, ao mesmo tempo que nos diz: “Lembra-te que és pó e ao pó há de tornar”.

É uma reminiscência da antiga cerimônia de que nos fala o Pontifical Romano. Com efeito, antigamente, os fiéis que tinham cometido faltas graves, de notoriedade pública, deviam se submeter a penitência pública. Na quarta-feira de cinzas o Pontífice benzia os cilícios que deviam trazer durante a Quaresma; e enquanto o coro entoava os salmos penitenciais, eram expulsos do santo lugar. Somente na Quinta-feira Santa é que os penitentes depunham das vestes de penitência e também lhes eram permitidos entrar na Igreja mediante a absolvição sacramental. A cerimônia da bênção e imposição das cinzas, tal como nós a conhecemos atualmente, é vestígio da antiga imposição pública. Recebamos as cinzas pois, em espírito de penitência e de humildade para que a virtude deste sacramental nos alcance de Deus a graça que Igreja implora ao benzê-las. Toda a missa resume este pensamento cristão de penitência. Mas Deus não nos pode salvar sem nós. E a Igreja convida-nos a empreender esta colaboração indispensável e a prosseguir com perseverança até ao fim, confinados naquele que é a força e a misericórdia.

Tempo da Quaresma

Esposa de Cristo e Mãe dos fiéis, a Santa Igreja parece querer fazer da Quaresma um tempo de santidade, um período em que o ideal de vida cristã e esforço de santificação vão sempre cada ano um pouco mais além. A Quaresma, são dias de eleição, ditosos, dias em que a Igreja transbordante de vida se lança ao trabalho com toda a energia de sua impetuosa e inesgotável fecundidade. Ela exorciza, reconcilia, perdoa, prega, impõe as mãos, numa palavra, reivindica as almas, reconduzindo-as às fontes abundantes da vida. Renascimento espiritual, renovação de vida, heróica ascensão ao Calvário e ao sepulcro glorioso, a Quaresma, com as observâncias penosas que importa, é um manancial abundantíssimo de graças, que devemos amar com a doce espectativa duma reconstituição integral da nossa vida cristã.

Imposição de Cinzas


Antes da missa procede-se a benção das cinzas, feitas de ramos de oliveira ou de outra árvore qualquer que fora utilizada no Domingo de ramos do ano anterior. O formulário monta o século VIII e é, salvo a última oração, de origem galiciana. A cerimônia é de origem inglesa. Só no século XI a encontramos em Roma. Foi Urbano VI que prescreveu em 1091 no Concílio de Benevento para todos os fiéis.

Fonte: Missal Cotidiano e Vesperal de Dom Gaspar Lefebvre

Quem diria… Santa Juliana. Mas não sou eu.

Postado em Liturgia, Pessoal, Santo do Dia em 16/02/2009 por Ju

Hoje é meu aniversário. Não falarei quantos anos, hehe! Fica a seu juízo dizer quanto tenho, kkk. Mas, uma coisa ficou na minha mente: uma vez tinha ouvido falar de uma Santa Juliana. Tá… Vi no missal, e encontrei Santa Juliana de Falconieri, fundadora do ramo feminino dos servitas, no dia 19 de junho. Ok.

Quando viajamos na peregrinação para os santuários carmelitas e marianos em outubro, no fim da viagem, a guia (ficamos amigas depois, hehe) me deu uma pequena recordação: um marca-páginas com uma Sta. Juliana. Mas algo me intrigou, pois Sta. Juliana de Falconieri não era mártir. E essa que estava no marca-páginas, era, pois tinha a palma nas mãos (símbolo do martírio!). Cheguei de viagem e fui pesquisar. Dá-lhe Google! E eu descobri a Santa Juliana daquele marca-páginas. Ela foi mártir realmente. Me refiro à Santa Juliana de Nicomédia. Mas há um detalhe demais de providência divina aí: o dia que se comemora ela na Igreja Latina é no dia… 16 de fevereiro!

Sim! Meu aniversário! E tenho a graça de ter no Céu uma intercessora nesse dia que leva meu nome! Vou colocar a história dela aqui (e é interessante!). Que possamos tomar o exemplo dela de fidelidade a Deus. E que ela me ajude, nesse dia, a viver cada vez mais próximo de Deus. Para um dia, quem sabe, nos encontrarmos no Céu!

Santa Juliana de Nicomédia – 16 de Fevereiro.Juliana_of_Nicomedia

Durante a última perseguição antes da legalização do cristianismo no Império Romano, o Imperador Diocleciano ordenou o assassinato de milhares de cristãos por causa da fidelidade deles à fé cristã. Entre tantos jovens que deram as suas vidas em vez de abandonar a fé em Jesus Cristo estava Santa Juliana, Virgem e Mártir. Sua memória se celebra no aniversário do seu martírio, 16 de fevereiro de 305 AD.

Juliana vivia na cidade de Nicomédia, na Bitínia (atual Turquia). Ela foi martirizada pela sua fé quando se negou a casar com um oficial romano.

Seu pai, o pagão Africano, era um funcionário ambicioso nas legiões romanas e desdenhava a Juliana pelo simples fato dela ter se tornado cristã. E contra a vontade dela, a comprometeu com o Senador Eleusio, o qual sentia somente desprezo pela sua fé e por sua castidade. Quando Eleusio percebeu que Juliana não seria sua esposa, decidiu então, que ela não seria esposa de ninguém mais. Seu chamado ao cristianismo tinha deixado Juliana sem família. Os dois, ao falhar em seu propósito de submeter esta santa à vontade deles, trataram-na brutalmente: o pai dela açoitou-a e a torturou. Eleusio a encarcerou na prisão, onde foi vista lutando com Satanás disfarçado, até que finalmente o subjugou, mantendo-o no chão e dominado com uma corrente.

Juliana sofreu uma morte digna de mártir. Conta-se que primeiro ela foi parcialmente queimada em uma fogueira, em seguida foi jogada em um caldeirão cheio de óleo fervente e, por fim, ela foi liberada de tantos sofrimentos e torturas terrenas pela decapitação.

A luta de Juliana com Satanás era uma das histórias favoritas da Igreja medieval. O que ainda fascina é seu grande significado psicológico: se conta que Satanás apareceu a Santa Juliana como um anjo de luz. Seu propósito era convencê-la de que tudo o que ela havia renunciado nesse mundo era realmente bom!

O martirológio romano nos fala que a morte de Juliana aconteceu em Nicomédia, mas é mais provável que tenha morrido em Nápoles, a princípio Cumae, onde se diz que suas relíquias até hoje são veneradas. Algumas dessas relíquias se encontram hoje em dia em Bruxelas (Bélgica), na Igreja Nossa Senhora de Sablon. Ainda que sua história tenha sido fonte de muitos contos românticos, Juliana é claramente uma figura histórica, já que S. Gregório Magno pediu relíquias do Bispo Fortunato, de Nápoles, para um oratório que uma cristã rica construiu em honra a Santa Juliana e outros santos na Campania, Itália. A tradição no norte da Espanha é que ela está enterrada ali, em um povoado perto do Mar de Cantabria, de quem esse poviado toma seu nome: “Santillana del Mar” em espanhol. Santillana é uma abreviação, em espanhol, de Santa Juliana. A Igreja de Santa Juliana em Santillana é uma abadia em estilo romântico, com mais de mil anos.

Na arte, ela é mostrada em um caldeirão, guiando a satanás acorrentado, ou com uma coroa, levando uma cruz sobre seu peito. É invocada contra as enfermidades contagiosas. Na pintura e vitrais de igrejas na Idade Média, Santa Juliana é mostrada frequentemente lutando com um dragão com asas. Usualmente ela leva uma corrente para prendê-lo. Também pode ser vista com um dragão aos seus pés.

ORAÇÃO A SANTA JULIANA

Nosso Senhor e Nosso Deus,

Tu que glorificaste a Santa Juliana com

a dupla coroa da virgindade e do martírio,

concede-nos que essa comunhão nos ajude

a superar todas as provas e que possamos

alcançar assim o Reino eterno.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, teu Filho,

que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo

e é Deus pelos séculos dos séculos

AMÉM

Tempo da Septuagésima

Postado em Igreja, Liturgia, Penitência em 08/02/2009 por Ju

tempo-penitencial

Depois assistirmos à recepção entusiástica com que a Igreja recebeu o Verbo encarnado, vamos entrar nos recessos tenebrosos da decadência humana. Como no ciclo do Natal, a Liturgia retoma o estudo do Antigo Testamento e faz passar diante de nós as grandes figuras  que prenunciaram a obra redentora de Cristo, todas elas bem de molde a preparar-nos para a grande festa que se aproxima. O Antigo Testamento é, por assim dizer, uma espécie de Evangelho antecipado, que esclarece, a uma luz admirável, a história do Redentor. Este paralelismo que se encontra em muitas das páginas mais belas do missal, torna-se particularmente notável na Septuagésima, na Quaresma, no Sábado Santo e nos primeiros domingos depois de Pentecostes.

A Septuagésima principia sempre na nona semana antes da Páscoa e compreende os três domingos denominados: Septuagésima, Sexagésima e Quinquagésima. A designação derivante do sistema de numeração em uso, marca a série das dezenas sobre que recaem estes domingos. Com efeito, se dividirmos as nove semanas antes da Páscoa em séries de dez dias, poderemos constatar que o primeiro Domingo dos 9 domingos cai na sétima dezena, o segundo na 6ª dezena e o terceiro na 5ª dezena.

A festa da Páscoa é móvel e pode ser celebrada conforme os anos, entre os dias 22 de Março e 25 de Abril. Quando vem mais cedo, a Septuagésima começa ainda no tempo da Epifania e os domingos deste ciclo que ficarem por celebrar repoem-se entre o 23º e o 24º domingo depois de Pentecostes.

O tempo da Septuagésima é o prelúdio do grande jejum da Quaresma e serve de preparação remota para as festas da Páscoa. Serve de transição para a alma cristã que deve passar das alegrias do Natal para as penitências austeras da Quaresma. E se o jejum ainda não é rigoroso, a cor dos paramentos já é roxa, a cor da penitência. Não se reza o Glória in Excelsis, porque esse canto de alegria que celebrou Cristo nascido em nossa carne mortal, deve se calar durante este período de tristeza, que envolve a alma da Igreja por causa dos pecados dos homens, para irromper de novo no dia da ressurreição. O Martirológio anuncia: “Domingo da Septuagésima, em que se depõe o cântico do Senhor, aleluia”. Canta-se, porém, no Tempo Pascal, porque a Páscoa simboliza a vida futura, a libertação definitiva das almas. A Quaresma, de quarenta dias, e as tres décadas representadas pelo tempo da Septuagésima, simbolizam perfeitamente os setenta anos do cativeiro de Babilônia.Este tempo termina para o ciclo litúrgico na Quarta-Feira de Cinzas e para o santoral, no dia 10 de Março, se a Páscoa cair dia 25 de Abril.

Fonte: Missal Cotidiano e Vesperal de Dom Gaspar Lefebvre, edição de 1951, pgs. 203, 205, 206